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Atualizado: Mar 18



Para marcarmos o Dia Internacional da Mulher, escolhi falar da naturalização do nosso olhar. No quanto acabamos nos acostumando com coisas que deveríamos ao menos parar e questionar e, quem sabe assim, fazer pequenas mudanças.


Percebo tantas naturalizações de ações que nos diminuem enquanto mulher. O nosso dia a dia está cheio delas e, as vezes, nós mesmas as alimentamos sem nos darmos conta. Seria muito bom podermos despertar para as pequenas coisas que, nós mesmas, seguimos alimentando e passando de gerações em gerações. Sem falar que nos últimos tempos tenho visto tantas tentativas de naturalização do feminicídio, do estupro, das diferenças hierárquicas de gênero... e mesmo estas me parecem, as vezes, passarem batidas aos olhos de muitas de nós. Mas entendo! A questão cultural envolvida é muito forte, sem falar na força da “orientação” do olhar. Daí a importância de dias como o Dia da Mulher para que possamos parar um pouquinho e refletir.


Achei que seria bom trazer uma conversa muito esclarecedora que tive com um paciente transexual. Falamos sobre as sutilezas do machismo na nossa sociedade, a partir da ótica de quem esteve por anos vivendo como mulher e passou a viver no lugar de homem. Muito interessante o que ele trouxe, fiquei chocada com muitas das situações descritas. Situações que escancaravam as diferenças de tratamento entre mulheres e homens. Eu não tenho como trazer aqui os detalhes destas experiências, são relatos de consulta. São coisas como: as formas diferenciadas de um homem se aproximar de outro homem corporalmente e de se aproximar de uma mulher, de tratar, dar ouvidos etc... Depois da consulta, passei a prestar mais atenção nisso e fiquei chocada com o que vi. Percebi o quanto um homem pode intimidar uma mulher, na sutileza da interação talvez até sem se dar conta, e o quanto nós engatamos. Se você parar e observar poderá notar: no jeito de se aproximar, de olhar, na fala e até em chegar a tocar sem achar que está invadindo.


Este meu paciente contou também que hoje percebe nitidamente as diferenças no comportamento com ele, em situações como reuniões ficou explicito a diferença na escuta das suas necessidades e na permissão para se colocar. Espantoso! Ele também falou de como se sentia bem melhor para correr na rua e para circular a noite, sem se sentir intimidado. Além disso, relatou detalhes sobre a melhora na relação com os prestadores de serviço com os quais trabalha. Deu muitos exemplos que me mostraram as sutilezas das diferenças em ser mulher ou ser homem na nossa sociedade. Não que eu não soubesse disso, mas acredito que também naturalizei estas formas de interação.


Fiquei pensando muito em o que fazer, em como posso agir levando em conta o todo das situações. Para vocês aqui pensei, em primeiro lugar, convida-los, mulheres e homens, para começar a prestar atenção nisso. No quanto você aí, está acostumada/o a agir com diferenças hierárquicas. Coisas como: sou homem então posso ou é mulher então deve...ou não pode... No começo é só enxergar! O que fazer será dentro do que você entende que não está legal para você e que seria possível reajustar. Assim temos um bom começo! E quem sabe nossas filhas, sobrinhas e amigas delas... possam viver um mundo onde homens e mulheres vivam melhor!


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