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Mudar? É possível!

Mudar talvez seja o passo mais desejado e mais difícil a ser dado em um processo psicoterápico, vamos entender porque?


Os motivos? Estes podem ser vários, mais complexos do que você pode imaginar e muito particulares. Cada pessoa tem os seus motivos para resistir as mudanças, as vezes, mesmo sabendo das necessidades. Alguns dos motivos podem ter sido bem elaborados na nossa história de vida.


Vou lhe dizer uma coisinha que talvez lhe conforte, na grande maioria das vezes não mudamos porque sentimos que a mudança é uma ameaça: não é fácil sair de organizações antigas, de “certezas”, das acomodações. Isso pode dar muito medo. Medo de deixarmos de sermos amados, validados, respeitados, de não darmos conta de algum sonho, cada um com os seus... Então, por mais que nossa razão possa entender que poderia ser melhor, as vezes não conseguimos mudar algo.


Por isso, em um processo terapêutico, temos que ir devagar. Entendendo o que acontece, como acontece, vendo primeiro o que realmente desejamos, o que podemos aceitar corajosamente sobre nós mesmo. Sobre as nossas dificuldades e, acima de tudo, reconhecendo as nossas potencias e recursos no hoje.


Por conta disso, ajuda revisarmos alguns conceitos e crenças sobre nós mesmos, pois estes podem nem ser tão verdadeiros mais. Rever hábitos que não funcionam mais, nos atualizarmos.

Acho muito legal quando vejo as pessoas que acompanho se redescobrindo, em si mesmo e no que tem de disponível no hoje. Reconhecendo recursos que não percebiam.


É simples? Claro que não, mas pode ser mais leve do que imaginamos e fazer um bem. É preciso tornarmos possível!


Eu gosto muito de uma compreensão da G.T. que diz: a mudança ocorre quando uma pessoa se permite ser o que é, se tornar o que é, não quando tenta ser o que não é! Tentar se mudar para algo que não encaixa em nós pode ser um grande erro. Assim não funciona mesmo e o preço é super alto. O custo pode ser o da perda da espontaneidade, da satisfação, da tranquilidade.




Vou contar como vejo os processos de mudança acontecerem com as pessoas que acompanho, mas não se trata de algo assim tão linear como descrevo. Os passos acontecem no ritmo que é possível para cada um e se misturam.

Começa por aprendermos a nos tornarmos awareness ( ter uma capacidade de percepção do que acontece fora e dentro de nós no momento e meio em que estamos). Perceber como estamos sendo e agindo, em função do que. O que efetivamente desejamos, o que nos afeta etc...

Junto com isso vamos, aos poucos, aceitando o que aparece sobre nós. Corajosamente olhando para o que pode não ser tão legal e bom para nós e mesmo assim está presente. E vendo o que é possível fazer com isso no momento e com o que temos. Esta aceitação que não é passiva, pois é ai que podemos deixar as culpas, julgamentos, condenações, menos valias de lado e partirmos para o que pode contribuir mais. Mas encarar o que precisa ser encarado de frente. Vejo o quanto isso pode deixar uma pessoa se sentindo capaz em seu processo.

As resistências costumam dar seus sinais e tudo bem, será preciso lidar com elas para caminhar para mudanças. As respeitando, pois muitas já foram a salvação. Entende-las pode ser muito bom e contribuir para muitas possíveis libertações. As vezes recuamos, esperamos, acomodamos os medos e seguimos novamente.

Neste processo a ideia é irmos ampliando o nosso Contato conosco, no mundo. Num continuum de consciência sobre as próprias motivações, percepções, afetos, cognição, ação. Algo que pode nos tornar mais autônomos e capacitados para novas experiências.

O caminho pede passos suaves em direção as mudanças. Pequenas mudanças, se experimentando nas diferenças, nas novidades, observando para tomar decisões e entendendo o que é possível ou não e se desejamos ou não mudar. As regras? Quem vai determinar é quem está no processo, o terapeuta dará o apoio e ajudará com o que o paciente precisará para a sua caminhada.


Eu sou suspeita, mas estamos falando da possibilidade de um rico processo de encontro consigo no mundo!


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