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Uma fala de valorização pessoal







Esta semana me deparei com um livro que me fisgou bastante. É da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, ela é uma feminista que nos convida a olhar para o tipo de educação que estamos oferecendo as nossas filhas e filhos. Coisas bem interessantes sobre a postura feminista no educar como mães, pais e educadores em geral. Traz ao que podemos estar atentos. Descobrir Chimamanda foi uma grata surpresa, em seus livros ela faz reflexões sobre a força do olhar cultural na construção de conceitos e crenças que repassamos.



Trata-se de uma carta entre amigas, veja do que elas falam.


Que alegria! E que lindo nome: Chizalum Adaora. Ela é linda. Tem só uma semana e já mostra curiosidade pelo mundo. Que coisa maravilhosa você fez, trazer um ser humano ao mundo. “Parabéns” parece tão pouco. Sua mensagem me fez chorar. Você sabe como às vezes fico boba e emotiva. Por favor, saiba que levo sua tarefa — pensar como criá-la como feminista — muito a sério. E entendo o que você quer dizer quando fala que nem sempre sabe qual deve ser a reação feminista a certas situações. Para mim, o feminismo é sempre uma questão de contexto. Não tenho nenhuma regra. A coisa mais próxima disso são minhas duas “Ferramentas Feministas”, que vou dividir com você como ponto de partida. A primeira é a nossa premissa, a convicção firme e inabalável da qual partimos. Que premissa é essa? Nossa premissa feminista é: eu tenho valor. Eu tenho igualmente valor. Não “se”. Não “enquanto”. Eu tenho igualmente valor. E ponto final. A segunda ferramenta é uma pergunta: a gente pode inverter X e ter os mesmos resultados? Por exemplo: muita gente acredita que, diante da infidelidade do marido, a reação feminista de uma mulher deveria ser deixá-lo. Mas acho que ficar também pode ser uma escolha feminista, dependendo do contexto. Se o Chudi dorme com outra mulher e você o perdoa, será que a mesma coisa aconteceria se você dormisse com outro homem? Se a resposta for “sim”, então sua decisão de perdoá-lo pode ser uma escolha feminista, porque não é moldada pela desigualdade de gênero. Infelizmente, a verdade é que, na maioria dos casamentos, a resposta a essa pergunta em geral seria negativa por uma questão de gênero — aquela ideia absurda de que “os homens são assim”, o que significa que os padrões para eles são mais baixos. Tenho algumas sugestões para a criação de Chizalum. Mas lembre-se de que você pode fazer tudo o que eu disser e apesar disso ela pode sair muito diferente do que você queria, porque às vezes a vida é assim. O importante é tentar. E sempre confie em seus instintos mais do que em qualquer outra coisa, porque é o amor por sua filha que lhe servirá de guia. Aí vão minhas sugestões:


"Para educar crianças feministas: Um manifesto"

by Chimamanda Ngozi Adichie, Denise Bottmann.


Hoje deixei a carta, ao longo da semana compartilho com você as sugestões. Não trata-se de uma tarefa fácil esta de escolher quais compartilhar aqui, são todas muito ricas. Vamos ver ...


Grande abraço!