3 de fevereiro de 2019

Diálogos que promovem encontros verdadeiros



 ...Então  tive de aprender a lição de “deixar acontecer”, 
a fim de possibilitar a ocorrência de um encontro verdadeiro.

O diálogo genuíno é mútuo. 
Não pode ser forçado, nem agarrado.  
Precisamos estar abertos para seu fluxo, 
semelhante ao das marés, de enchente e vazante:
 “... a beleza de sua chegada e a solene tristeza de sua partida...”
(Buber, 1958a, p. 33).

Algo fundamental para relacionamentos saudáveis é  dialogar. Em tempos de tanta urgência nas respostas, parar e ouvir tornou-se  um grande desafio. Tanto quanto estar realmente presente, quando passamos muito tempo preocupados em responder a demandas virtuais.

Dialogar pode ser uma ótima forma de  realizarmos trocas efetivas e crescermos, mas será que estamos dialogando mesmo?

Tenho acompanhado pessoas que  chegam achando que dialogam, mas não o fazem. Primeiro por não estarem realmente presentes, depois por não conseguirem dar espaço a escuta limpa de pré-conceitos. E por fim,  pelo mau hábito de tentar usar as interações para dar voz as suas necessidades. Um erro!   

Verdadeiros  diálogos promovem relacionamentos tranquilos, dão espaço para acordos sinceros, qualificam o que o outro está podendo ser,  confirma diferenças e  respeito.  Quem se abre para tal exercício passa a perceber o quanto isso dá qualidade as suas relações e possibilita encontros legítimos.

Difícil? Um pouco. Mas eu sempre  digo: pense no ideal,  realize o seu possível  e se gratifique por ter dado  mais um  passo.

Vejo que, quando as pessoas se tornam conscientes das suas dificuldades relacionais e de como a falta de diálogo contribui para isso, elas tendem a se esforçar para rever os seus maus hábitos. Basta querer e praticar.  

O principal pressuposto para o surgimento de um diálogo genuíno 
é que cada um deveria olhar seu parceiro como a pessoa que ele realmente é.  
Torno-me consciente dele, consciente de que ele é diferente, 
essencialmente diferente de mim, de uma maneira única e definida que lhe é própria;
 e aceito a quem assim vejo, de forma que eu possa plenamente dirigir o que digo a ele, 
como pessoa que é.
(Martin Buber)

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