28 de novembro de 2018


Esta carta, de uma paciente para sua sombra, fez parte de um exercício proposto no consultório e ela me autorizou a publicar.  A intenção é mostrar aos leitores as possibilidades de crescimento pessoal de um trabalho psicoterápico.

Maria é uma destas pessoas que muito fez pela sua melhora e hoje, com equilíbrio e sabedoria, desfruta a vida com leveza.


De Maria- Carta para minha sombra

Obrigada por ter me apoiado até aqui, por ter me ajudado a crescer profissionalmente, a não ter tido filhos com um homem qualquer, pois assim não magoei mais ninguém, além de mim mesma. Sei que hoje, a questão da minha solidão não é muito simples de ser mudada, aliás, creio ser bem difícil.Mas, você me ajudou, me fez buscar e persistir na terapia, até chegar onde cheguei.

A partir daqui, quero convidar você para agir diferente.

Sabe, aprendi muita coisa. Aprendi que amar e perdoar é libertador, perene. Quando o perdão vem do coração, a gente fica livre, solta para alçar outros vôos.

Convido você para a partir de agora me ouvir, ouvir a aceitação, a bondade a leveza, o amor, a soltura. Convido você a olhar para a vida com amor, e aceitar o que ela lhe oferece, sabendo que para tudo existe um porquê, que os fatos ocorrem para nos ensinar as lições que precisamos aprender a fim de evoluir na nossa trajetória como pessoa e ser espiritual que somos.

Aprendi que podemos dar o nosso amor de diferentes formas e, diferentes caminhos surgem quando abrimos o coração para amar.

Não pense como aquela criança magoada, que acredita que as coisas são sempre da mesma forma, que não mudam, que se não puder vestir o rosa, o verde não lhe cairia bem também, pois afinal, a criança é bela em sua essência verdadeira, independente da cor que vestir.

Hoje, aprendi a ser mulher, cuidadora, intuitiva, humilde para somar e compartilhar com as outras pessoas e também a valorizar o que tenho de bom.E mais, compreendi que eu mulher essencial sou bela de alma, íntegra.

Por favor, sei que tudo o que você fez foi por defesa e por medo, mas agora aceita esta mulher que surge, pois ela é capaz de te cuidar, acalentar, proteger com sua amorosidade e energia, porque ela seria capaz de matar quem fosse maltratar um ser indefeso e você é muito indefesa, por isso fez toda essa estratégia. Mas, agora ela não é mais necessária, pois sou estrategista e perspicaz, sei o que fazer, minha intuição me garante.

Quando a dor vier quero que você acredite e entenda que na vida as coisas não são lineares.Temos bons e maus momentos, e precisamos conviver com este fato.

Saiba que nas dores e momentos difíceis podemos aprender e evoluir na vida.

Creia que nos momentos de dor você encontrará a mão dos amigos que estão por perto e principalmente a mão de Deus, que sempre está presente, seja através dos amigos que se aproximam ou através da voz da intuição, a nossa voz interior que nos mostra o melhor caminho a seguir, nos acolhe.

Enquanto mulher, adulta, cuidadora, por diversas vezes tive essa experiência e vou usar essa sabedoria e experiência para cuidar de você, assim como uso para cuidar do meu pai, que hoje é um velhinho frágil e doente, que precisa de muita proteção.

19 de novembro de 2018

Tolerar trata-se de uma arte!

Escrevi o texto abaixo já faz um tempinho, mas por estarmos em um momento de tantas dificuldades relacionais resolvi republicar na minha página do Facebook. 

Foi bem particular o que aconteceu.  Houveram muitos compartilhamentos, o que me sinalizou o desejo de resgatarmos o diálogo, as trocas mais leves ou o convívio mais fácil com as diferenças. Mas também houveram reações um tanto fortes a minha fala.

Na minha fantasia, fantasia porque ainda não posso conferir, pois ainda não foi possível retomarmos os diálogos no Facebook.  As reações tipo: tolerância zero e outras semelhantes... devem compor a expressão, da fala autorizada, a ser o que se deseja ser e pronto!  E, que bom então.

Que bom, porque poder se expressar com mais autenticidade, podendo ser o que se é, nos faz muito bem. Mas atenção, o jeito que falamos algo tem o poder de construir ou invalidar um encontro e a possível verdadeira troca, o que nos faz perder tanto e pode ser uma pena.  Mas eu sei que é na experiencia que aprendemos isso, porém fica a dica.

Bem, eu continuo na observação de muitos fenômenos e tentando contribuir, da melhor forma possível.

Para quem a estas horas está um tanto curioso vai o texto.



Vivemos um momento relacional de muita intolerância, mesmo que estejamos sendo chamados a atenção a todo tempo sobre a importância do respeito as diferenças, muitos de nós,  ainda não internalizaram isso como um valor fundamental,  estamos engatinhando,  fazendo ainda  pelo politicamente correto. E tudo bem! Já temos um avanço.

Tolerar a escolha do outro é difícil? Aquele jeito que não é o seu, aquela forma de responder, de reagir, de se afetar, de se emocionar tão distinta. Será que isso pode parecer ameaçador por não ter sido o que se elegeu como valores e crenças importantes? Sim, é mais ou menos por aí.

Mas será que para convivermos com diferenças precisamos abrir mão do que acreditamos? Não claro que não! Na maioria das vezes é possível negociar, achar formas e jeitos de respeito mútuo. Para tolerarmos diferenças precisamos estar certos do que somos, queremos, elegemos ... assim não nos sentimos ameaçados!

Portanto tolerar trata-se de uma arte, em que o equilíbrio entre ceder e aceitar é essencial.  Esta é a grande arte dos relacionamentos.

Difícil? Um pouco com alguns grupos, algumas pessoas, em certos cenários em que vivemos. Mas gosto de pensar que é possível e que precisamos fazer a nossa parte para que isso aconteça.