13 de março de 2018

Violência sexual - Carta para as mulheres


Ao longo destes anos de consultório, já acompanhei e acompanho muitas mulheres cujo desejo de viver plenamente , de  ser feliz, é  tão intenso quanto o as dores  das marcadas em suas histórias. Todas as  dores merecem muito respeito, cuidado e suporte mas,  para mim,  uma das experiências mais dolorosas  vivida  por uma mulher  é a do  abuso sexual.
Sou muito grata a todas que já confiaram e confiam em mim para acompanha-las em seus percursos  de libertação.  Fica minha homenagem a  todas as corajosas  que  cruzaram o muro do pré-conceito e do medo para  se ressignificar ! 

Abaixo uma carta de estímulo, escrita pela minha colega de trabalhos grupais com toda a propriedade que a vida a deu, a todas as que passaram pela experiencia de abuso sexual  e  ainda não tiveram coragem de  olhar para suas histórias e transformar suas vidas.   


Carta Para As Mulheres 

Durante o mês de março homenageiam as mulheres, que são mães, companheiras, trabalhadoras, avós, tias.  Enfim, quantos papéis.

Que bom que nos dias de hoje, esses diferentes papéis são percebidos, estão sendo melhor valorizados. Mas ainda existe uma grande trajetória para mudança e valorização real de todos eles. Nessa caminhada, cabe ainda lembrar que existe a violência contra as mulheres.

Violência que é cometida das mais variadas formas, a verbal, física, através de espancamentos e também a violência sexual.

Qualquer forma de violência é nociva, deixando marcas emocionais e algumas vezes físicas, que são muito difíceis, sendo que as físicas muitas vezes trazem sequelas permanentes. Um  quadro difícil de se olhar.

Uma violência sexual deixa marcas profundas, desconfiança na vida e nas outras pessoas, culpa, vergonha de si mesma e  a raiva do autor deste ato. Que muitas vezes é um parente próximo,    pai, avô, tio.

Felizmente, existem maneiras de transformar e lidar com as marcas emocionais que ficam em nosso coração e alma.

Buscando profissionais qualificados e nos empenhando, é possível transformar essas marcas, tendo um olhar melhor para elas e para si mesma, e acredite, para o autor da violência também.

Creia, isso é possível. Mas atingir esse patamar implica em ter a coragem de falar sobre essa dor, sobre o que ela causou, contatar os seus verdadeiros sentimentos, enfrentar seus medos e suas angústias, suas raivas e ressentimentos.

Quando contatamos essa dor, podemos transformá-la aos poucos, retirando de nossos ombros a culpa, a vergonha.  Deixamos de ser vítimas, para sermos protagonistas da nossa trajetória.

Conscientemente, um indivíduo não busca por uma violência, o ÚNICO responsável por ela é quem a está praticando, sejam quais forem os seus motivos.

Por isso, buscar ajuda para libertar-se e lidar com esta dor é o caminho para viver uma vida emocional e sexual saudável e plena, livre. Aprendendo a confiar em si mesma e no próximo e, a preservar-se quando o outro tiver atitudes que possam ferir seja física ou emocionalmente.

ACREDITE que todos os dias podem ser dias de liberdade plena e confiança, mesmo que você tenha passado por uma grande violência.

Não desista, busque ajuda, enfrente seus medos e LIBERTE-SE.

Maria Ester Fonseca Vieira

5 de março de 2018

Sobre impedimentos

Neste fim de semana participei de mais um Workshop do curso: Formação Plena em Gestat-terapia. Muito foi trabalho sobre os medos de contato,  que nos geram impedimentos. Ao fim do trabalho este texto foi lido! Ele fala por sí próprio.  


Deixe aflorar toda a sua doçura

Às vezes, fico me perguntando porque é tão difícil ser transparente...

Costumamos acreditar que ser transparente é simplesmente ser sincero, não enganar os outros. Mas ser transparente é muito mais do que isso.

É ter coragem de se expor, de ser frágil, de chorar, de falar do que a gente sente...
Ser transparente é desnudar a alma, é deixar cair as máscaras, baixar as armas, destruir os imensos e grossos muros que nos empenhamos tanto para levantar...
Ser transparente é permitir que toda a nossa doçura aflore, desabroche, transborde!
Mas infelizmente, quase sempre, a maioria de nós decide não correr esse risco.

Preferimos a dureza da razão, à leveza que exporia toda a fragilidade humana.
Preferimos o nó na garganta, às lágrimas que brotam do mais profundo de nosso ser...
Preferimos nos perder numa busca insana por respostas imediatas à simplesmente nos entregar e admitir que não sabemos, que temos medo!

Por mais doloroso que seja ter de construir uma máscara que nos distanciacada cada vez mais de quem realmente somos, preferimos assim: manter uma imagem que nos dê a sensação de proteção...

E assim, vamos nos afogando mais e mais em falsas palavras, em falsas atitudes, em falsos sentimentos... 
Não porque sejamos pessoas mentirosas, mas apenas porque nos perdemos de nós mesmos e já não sabemos onde está nossa brandura, nosso amor mais intenso e não-contaminado...

Com o passar dos anos, um vazio frio e escuro nos faz perceber que já não sabemos dar e nem pedir o que de mais precioso temos a compartilhar... a doçura, a compaixão, a compreensão de que todos nós sofremos, nos sentimos sós, imensamente tristes e choramos baixinho antes de dormir, num silêncio que nos remete a uma saudade desesperada de nós mesmos... daquilo que pulsa e grita dentro de nós, mas que não temos coragem de mostrar àqueles que mais amamos!

Porque, infelizmente, aprendemos que é melhor revidar, descontar, agredir, acusar, criticar e julgar do que simplesmente dizer: "você está me machucando... pode parar, por favor?".

Porque aprendemos que dizer isso é ser fraco, é ser bobo, é ser menos do que o outro. Quando, na verdade, se agíssemos com o coração, poderíamos evitar tanta dor, tanta dor...

Sugiro que deixemos explodir toda a nossa doçura!

Que consigamos não prender o choro, não conter a gargalhada, não esconder tanto o nosso medo, não desejar parecer tão invencível...Que consigamos não tentar controlar tanto, responder tanto, competir tanto...
Que consigamos docemente viver... sentir, amar... apesar de todo o risco que isso possa significar...


(Rosana Braga)