31 de dezembro de 2018

2019 vem aí! Veja as orientações da Astrologia Chinesa e da sabedoria oriental.


Todo final de ano eu uso ferramentas da Astrologia Chinesa e dos cinco elementos para fazer reflexões com aqueles que acompanho, aproveito também para trazer as lições que a astrologia chinesa nos propõe para o novo ano. 

Se você se interessa pela tema aproveite! E Feliz Ano Novo!

Primeiro as reflexões sobre o ano vivido e logo abaixo as tradicionais orientações para 2019! Ano Porco de Terra!


Adeus ano Cão de Terra!

Veja o que você conseguiu vencer e aprender neste ano que passou.

Em 2018 fomos regidos pelas energias do Cão de Terra, por conta disto nossos desafios estiveram relacionados a busca do equilíbrio pelo exercício da flexibilidade. O discípulo deveria aprender a usar suas forças com empatia, diminuindo o EU para voltar-se ao NÓS. Uma lição e tanto!

O Cão nos desafiou na escuta e solicitou o aprendizado da tolerância as diferenças. Mas como todo desafio temos as possibilidades de realizações e dificuldades, infelizmente vivemos um ano de muita resistência as diferenças e muita necessidade de confirmações de verdades tidas como absolutas.
Quem conseguiu se entregar as lições do Cão de Terra se saiu bem e conquistou mais uma grande lição:  a arte do respeito ao outro e a aceitação e tolerância as diferenças.
Quem não conseguiu acabou vivendo um ano de muita discórdia, ressentimentos, excesso de preocupação e um tanto de persistência em erros. Ao fim um possível esgotamento e um distanciamento do Nós. Uma grande pena!  

Segundo os sábios orientais, isto aconteceu pela influência da solicitação do Cão e pela experiencia da energia  Terra que nos influenciava.  Um ano Terra nos oferece os polos (++--), estes podem ser vividos a favor da busca do meio e do equilíbrio de forças complementares, que dialogam se harmonizando. Mas também podem ser vividos como forças opostas em suas polaridades e se contrapondo.

É, se refletirmos,  tivemos um tanto de polarização e muita diferença explicitada! Se você olhar para como foi o ano de 2018 pode observar muito bem estes fenômenos acontecendo, especialmente nos relacionamentos.

Pois bem, aproveite o fim deste período e faça suas reflexões pessoais. Ainda dá tempo, para os orientais o ciclo astrológico de 2018 termina só em 5 de  fevereiro. 


Bem vindo ano Porco de Terra!

O que nos traz a regência do Porco?

Tudo indica que o ano de Porco de Terra deve nos trazer  leveza  e alegria.  O Porco chinês é um Porco brincalhão, mais flexível em sua forma de lidar com o que surge e carrega um tanto de modéstia. Isto deve nos trazer uma energia que só os modestos e mais humildes tem. Bem diferente,  do que tínhamos na energia do Cão de Terra  vivido em 2018.

Muito ligado a família e um tanto humilde deve trazer mais paz para os relacionamentos.

Feliz, responsável, muito intuitivo e sempre a galope,  deve trazer melhores formas para os investimentos e negócios.


Então veja o que 2019 nos trará de solicitações e aprendizados

Estar sob a regência do Porco nos propõe uma busca por novas atitudes e mudanças de comportamentos. Esta solicitação vem de 2018, algo que não se completou e ainda tem muita necessidade: devemos deixar o excesso de centralização no EU e migrarmos para experiencias relacionais voltadas ao NÓS.

O desafio continua, mas agora de forma um pouco diferente pois, seguimos com o elemento Terra que dá continuidade as polarizações, mas agora com a regência do Porco cuja suavidade faz muita diferença.

Os aspectos de polarização que viveremos na regência do Porco serão: impulso/preguiça, responsabilidade/descaso, paciência/atropelo, intuição/de sensibilização.

Estes em um ano  Terra precisarão ser equilibrados e não vividos em oposição. Então corremos um risco semelhante ao vivido em 2018 – polarizarmos e vivermos um dos aspectos, sendo que a solicitação é equilibrarmos estas forças.


Esteja atento as suas tendências de erros pessoais.

Se você é um tipo excessivamente leve com a vida, tendendo a preguiça e acomodação. Neste ano o desafio é equilibrar a ação. Desacomode-se, use a intuição e siga seus desejos  com menos receios. Aprender a ser impulsivo em uma dose boa pode lhe ajudar. Galopar com mais força é a sua lição em Porco, porem equilibrando esta força com brandura e responsabilidade. E erre se for preciso, o que vale mesmo é aprender com os seus próprios movimentos.

Se você é um tipo impulsivo, mas que se condena excessivamente  por se sentir responsável por tudo, o seu aprendizado estará em parar, pensar e não agir antes de refletir. Além disso use sua intuição com paciência,  levando tudo mais leve e com um tanto de bom  humor. Em Porco você pode “deixar acontecer”, brincando com as lições que a vida lhe oferece. O que vale aqui é usar a intuição para equilibrar o seu galopar e deixar fluir.

Complicado ? Que nada, se olhe bem a fundo e você verá que tende a funcionar em um dos polos que se apresentam. Temos aí os polos yin e yang do elemento Terra. E desde 2018 o desafio de exercitarmos a complementação.

Atenção!
O Porco vem ao fim do ciclo astrológico de todos os 12 movimentos para limpar formas enraizadas. O Cão de 2018 quebrou, explicitou e não perdoou os discípulos que não olharam para a sua lição. O Porco propõe uma experiencia mais leve, mas esta leveza  precisa ser equilibrada com as tendências de cada um.

Em 2019 vá a galope com o Porco, rumo aos seus desejos!!!

Mas lembre-se, sozinhos não vamos longe!!!

E ninguém galopa igual!!!

28 de dezembro de 2018


Eu aqui nas minhas micro férias, só curtindo a minha pílula relaxante. Super indicada para o inicio, o meio ou o final do dia – a pílula chama-se música!

Mais indicada ainda, quando a música que nos chega aos ouvidos é a voz de uma cantora como a Luciana Souza.

Fui "tocada" pelo disco The New Bossa Nova.

É verdade que sou suspeita, pois acho a Luciana uma das melhores interpretes da atualidade e este disco é de uma suavidade e delicadeza que tende a levar qualquer um ao descanso. Experimente!

“É claro que eu ia dar o nome do meu medicamento, não podia deixar de compartilhar com vocês”.


Mas seja lá qual for a sua preferência musical use desta pílula, só faz bem. Palavra de terapeuta!

#gestalt #terapia #terapiagestalt #ClaudiaGuglieri #psicóloga #adultos #adolescentes #jovensadultos #pílularelaxante

10 de dezembro de 2018


Ultimamente tenho falando bastante da ilusão do ideal e junto com isso de desilusão. São coisas que andam juntas, centre-se em um ideal ou algo perfeito e logo virá a desilusão.
Porém ter um ideal não é ruim, ao contrário pode ser bem bom como referência do que se deseja. Uma ideia bem completa do que se quer ou gostaria pode levar a muitas realizações. 
O problema está em prender-se a sua exatidão. O seu ideal, seja de pessoa ou situação, é fruto do seu desejo, da sua visão. A realidade pode ser bem diferente ou até bem parecida, mas não voltada ao que você deseja.  Por isso a desilusão e ela dói, mas nos ajuda a aceitar as "ricas" possibilidades da realidade. 

“Sonhar é maravilhoso, desejar é estimulante, realizar gratificante 
e flexibilizar é possibilitar viver tudo isso”.

Abaixo uma crônica de Ivan Martins sobre desilusão. Muito boa!


Desilusão é uma experiência terrível. 

Num momento qualquer, você está cheio de esperança. No outro, seu mundo veio abaixo. Como uma repentina bofetada, a desilusão machuca, desnorteia e humilha. É o evento dramático que, na vida amorosa, separa a realidade do sonho, os homens dos meninos e os tolos dos sábios. A desilusão é nosso diploma. Quem não passou por ela é um inocente. Ainda não sabe de nada.

Você, apaixonado, sugere à namorada que talvez seja hora de fazer planos e morar juntos. Ela responde, cheia de dedos, que talvez não esteja assim tão envolvida com você. Pleft!

Encantada com o sujeito, você pergunta, toda bonitinha, se o que rola entre vocês é um namoro – e ele diz, sem hesitar, que também sai com outra garota e não quer compromisso. Pleft!

Depois de cinco anos de casamento, as coisas esfriaram ao ponto de congelamento. Você tem esperança e propõe uma segunda lua de mel – então seu marido conta que tem saído com uma colega, que está apaixonado e vinha se preparando para contar que pretende morar com ela. Pleft!
Com essas histórias, quero dizer, ao contrário das lamúrias frequentes, que desilusão é bom. Quem nos desilude nos abre os olhos e nos descortina o mundo verdadeiro. Por isso, nos presta um grande serviço.

O iludido acredita, essencialmente, que o outro sente por ele o mesmo que ele sente pelo outro. Vive a fantasia de ser amado ou, pelo menos, tem esperança de um dia ser correspondido. É um sonhador que pode passar anos caminhando no interior do seu sonho, vendo apenas o que deseja ver. A desilusão é o despertar. Deveria ser saudada como libertação, mas costuma ser recebida com ressentimento. A pena de si mesmo é maior que a gratidão.

Na verdade, o inimigo é quem nos ilude. Faz mal aquele que, por fraqueza ou piedade – muitas vezes por vaidade – alimenta nossos sentimentos infundados. Quem nos olha nos olhos e diz a verdade merece nosso respeito. Demonstra respeito por nós, ainda que nos magoe.

A verdade, é importante que se diga, nem sempre é nítida. Quando se trata de afeto, somos criaturas confusas, habitadas por dúvidas e contradições. Por isso, mais importante que aquilo ouvimos é o que vemos. Mais importante que sentimentos, são ações. Se o sujeito parece ter por você o maior carinho, mas é sua amiga que ele chama para sair, parece que é da amiga que ele gosta – embora talvez nem saiba. As decisões dele contam tudo que você precisa saber, desde que você as conheça. Quem diz o que sente, mas esconde o que faz, ilude.

Eis uma boa máxima: não me diga o que você sente, me conte o que você faz.
Da minha parte, tendo vivido ilusões e desilusões, prefiro as últimas. Elas me salvaram de vexames profundos, me tiraram de enganos demorados, me abriram portas que eu desconhecia e me puseram no caminho certo. Tem sido assim com todos que eu conheço. Os mais tristes, os mais dignos de piedade, são os que se agarram a ilusões que todos em volta reconhecem, menos eles. A esses faz falta uma desilusão. Uma boa bofetada – pleft! – que os devolva de volta à vida.

(Ivan Martins)

28 de novembro de 2018


Esta carta, de uma paciente para sua sombra, fez parte de um exercício proposto no consultório e ela me autorizou a publicar.  A intenção é mostrar aos leitores as possibilidades de crescimento pessoal de um trabalho psicoterápico.

Maria é uma destas pessoas que muito fez pela sua melhora e hoje, com equilíbrio e sabedoria, desfruta a vida com leveza.


De Maria- Carta para minha sombra

Obrigada por ter me apoiado até aqui, por ter me ajudado a crescer profissionalmente, a não ter tido filhos com um homem qualquer, pois assim não magoei mais ninguém, além de mim mesma. Sei que hoje, a questão da minha solidão não é muito simples de ser mudada, aliás, creio ser bem difícil.Mas, você me ajudou, me fez buscar e persistir na terapia, até chegar onde cheguei.

A partir daqui, quero convidar você para agir diferente.

Sabe, aprendi muita coisa. Aprendi que amar e perdoar é libertador, perene. Quando o perdão vem do coração, a gente fica livre, solta para alçar outros vôos.

Convido você para a partir de agora me ouvir, ouvir a aceitação, a bondade a leveza, o amor, a soltura. Convido você a olhar para a vida com amor, e aceitar o que ela lhe oferece, sabendo que para tudo existe um porquê, que os fatos ocorrem para nos ensinar as lições que precisamos aprender a fim de evoluir na nossa trajetória como pessoa e ser espiritual que somos.

Aprendi que podemos dar o nosso amor de diferentes formas e, diferentes caminhos surgem quando abrimos o coração para amar.

Não pense como aquela criança magoada, que acredita que as coisas são sempre da mesma forma, que não mudam, que se não puder vestir o rosa, o verde não lhe cairia bem também, pois afinal, a criança é bela em sua essência verdadeira, independente da cor que vestir.

Hoje, aprendi a ser mulher, cuidadora, intuitiva, humilde para somar e compartilhar com as outras pessoas e também a valorizar o que tenho de bom.E mais, compreendi que eu mulher essencial sou bela de alma, íntegra.

Por favor, sei que tudo o que você fez foi por defesa e por medo, mas agora aceita esta mulher que surge, pois ela é capaz de te cuidar, acalentar, proteger com sua amorosidade e energia, porque ela seria capaz de matar quem fosse maltratar um ser indefeso e você é muito indefesa, por isso fez toda essa estratégia. Mas, agora ela não é mais necessária, pois sou estrategista e perspicaz, sei o que fazer, minha intuição me garante.

Quando a dor vier quero que você acredite e entenda que na vida as coisas não são lineares.Temos bons e maus momentos, e precisamos conviver com este fato.

Saiba que nas dores e momentos difíceis podemos aprender e evoluir na vida.

Creia que nos momentos de dor você encontrará a mão dos amigos que estão por perto e principalmente a mão de Deus, que sempre está presente, seja através dos amigos que se aproximam ou através da voz da intuição, a nossa voz interior que nos mostra o melhor caminho a seguir, nos acolhe.

Enquanto mulher, adulta, cuidadora, por diversas vezes tive essa experiência e vou usar essa sabedoria e experiência para cuidar de você, assim como uso para cuidar do meu pai, que hoje é um velhinho frágil e doente, que precisa de muita proteção.

19 de novembro de 2018

Tolerar trata-se de uma arte!

Escrevi o texto abaixo já faz um tempinho, mas por estarmos em um momento de tantas dificuldades relacionais resolvi republicar na minha página do Facebook. 

Foi bem particular o que aconteceu.  Houveram muitos compartilhamentos, o que me sinalizou o desejo de resgatarmos o diálogo, as trocas mais leves ou o convívio mais fácil com as diferenças. Mas também houveram reações um tanto fortes a minha fala.

Na minha fantasia, fantasia porque ainda não posso conferir, pois ainda não foi possível retomarmos os diálogos no Facebook.  As reações tipo: tolerância zero e outras semelhantes... devem compor a expressão, da fala autorizada, a ser o que se deseja ser e pronto!  E, que bom então.

Que bom, porque poder se expressar com mais autenticidade, podendo ser o que se é, nos faz muito bem. Mas atenção, o jeito que falamos algo tem o poder de construir ou invalidar um encontro e a possível verdadeira troca, o que nos faz perder tanto e pode ser uma pena.  Mas eu sei que é na experiencia que aprendemos isso, porém fica a dica.

Bem, eu continuo na observação de muitos fenômenos e tentando contribuir, da melhor forma possível.

Para quem a estas horas está um tanto curioso vai o texto.



Vivemos um momento relacional de muita intolerância, mesmo que estejamos sendo chamados a atenção a todo tempo sobre a importância do respeito as diferenças, muitos de nós,  ainda não internalizaram isso como um valor fundamental,  estamos engatinhando,  fazendo ainda  pelo politicamente correto. E tudo bem! Já temos um avanço.

Tolerar a escolha do outro é difícil? Aquele jeito que não é o seu, aquela forma de responder, de reagir, de se afetar, de se emocionar tão distinta. Será que isso pode parecer ameaçador por não ter sido o que se elegeu como valores e crenças importantes? Sim, é mais ou menos por aí.

Mas será que para convivermos com diferenças precisamos abrir mão do que acreditamos? Não claro que não! Na maioria das vezes é possível negociar, achar formas e jeitos de respeito mútuo. Para tolerarmos diferenças precisamos estar certos do que somos, queremos, elegemos ... assim não nos sentimos ameaçados!

Portanto tolerar trata-se de uma arte, em que o equilíbrio entre ceder e aceitar é essencial.  Esta é a grande arte dos relacionamentos.

Difícil? Um pouco com alguns grupos, algumas pessoas, em certos cenários em que vivemos. Mas gosto de pensar que é possível e que precisamos fazer a nossa parte para que isso aconteça.
  

19 de setembro de 2018

O valor dos relacionamentos


Quem conhece o meu trabalho sabe o quanto dou valor as questões relacionais e não é por menos. Somos seres relacionais, construímos nossa identidade a partir dos relacionamentos. Do início ao fim da vida. Neste texto explico um pouco sobre isto.

Nossos corações anseiam por contato e diálogo genuíno. Sem diálogo estamos sós, isolados não só do outro, mas de nós mesmos.  A partir do encontro relacional temos a oportunidade de deixar emergir nossa singularidade. Sem o outro  não é  possível  nos percebermos, observarmos nossas diferenças e riquezas pessoais.
  
No  fundo, todos nós precisamos  ser confirmados, validados, ter nosso colorido qualificado, reconhecido e,  por consequência,   diferenciado.  Nossa singularidade se  constrói a partir destes movimentos  e é aí que vamos qualificando o que  entendemos ser.

Queremos ser  percebidos  em nossas potenciais, mas também em nossas vulnerabilidades e, desta forma “suportados” ,  apoiados para irmos  adiante,  crescendo. Quando validados e reconhecidos nos sentimos aptos e potentes, quando suportados e apoiados nos sentimos dignos de sermos amados.

Neste sentido, se relacionar é fundamental, quase como se alimentar.  “O paradoxo do espirito humano é que: não sou completamente eu mesmo, até que seja reconhecido em minha singularidade pelo outro – esse outro precisa do meu reconhecimento a fim de se tornar a pessoa única que é. Somos inextrincavelmente entrelaçados. Nossa validação pelo outro traz valor a nós mesmos”.  Erving Polster

É mais fácil entendermos isso quando pensamos no processo de construção de singularidades solicitado por um recém nascido. Enquanto o bebê  cresce, vai desenvolvendo sua singularidade, se diferenciando  e verificando  o quanto a sua presença solicita o outro... Primeiro ele percebe o ambiente e o qualifica, se “qualificando” junto. Depois os cuidadores vão tomando forma e a medida que esta forma vai se  detalhando o bebê se dá conta de si, se diferencia e vai fazendo contato, qualificando este  contato e a sí mesmo.  Junto com isto a mãe e cuidadores  se ressignificam, alterando sua singularidade para responder ao que é pedido.  Agora cuidar e se qualificar quanto a isso.

É lindo de ver!  Para o bebê serão os  primeiros exercícios  relacionais e estes marcarão a sua forma de se relacionar  e  para os cuidadores a revisão deste exercício é a possibilidade de se reinventar.

Isto é algo profundo e ao mesmo tempo simples,  pelo fato de acontecer naturalmente. Nós  simplesmente vamos exercitando nossas construções de singularidade sem que precisemos nos dar conta do que estamos realizando. Mas, como pais e cuidadores,  é bom termos clareza do que acontece no todo do cuidar.
 
Quando eu atendo adolescentes em seus movimentos de revisão do que foi organizado até então,  trabalho bastante as questões quanto a confiança no mundo e em sí, as bases da famosa autoestima, e aí muitas questões do vivido lá atrás se fazem presentes.  O bom é que muito pode ser trabalhado e ressignificado.  E é maravilhoso poder ser quem os suporta nestas revisões e quem os ajuda a se qualificar novamente, se preciso de forma diferente da vivida. E então temos ai as novas construções de um futuro adulto seguro e confiante.

Tudo isso como? Com muita atenção as necessidades e a partir do exercício de um encontro relacional atento e, no caso dos grupos, de muitos encontros relacionais!

5 de agosto de 2018

Sobre a poética do olhar e a beleza


"Estou ficando louca..."
Ela chegou e depois de uma breve indecisão disse: “Acho que estou ficando louca…” Fiquei em silêncio, como o caçador que espera o voo da caça, pois esta é a minha profissão: sou um caçador de palavras.
Era certo que alguma mudança surpreendente ocorrera com os seus pensamentos. Acostumada com as palavras domesticadas e de voo curto que diariamente se moviam em seu mundo interior, ela deveria ter se assustado com o súbito surgimento de uma outra entidade de cuja existência jamais suspeitara, escondida que estivera ao abrigo da densa vegetação que marca o início da obscuridade da alma. Recebera a visita de um emissário do inconsciente: pensamentos que nunca tivera, incomuns, desconhecidos… ela ignorava sua origem e nada sabia do seu destino. Descobria-se subitamente sem terra sólida sob os seus pés, flutuando sobre o mistério. Era isso que me dizia com sua curta declaração: “Acho que estou ficando louca…”
Mas eu nada sabia nem da cor, nem da forma, nem os movimentos dessa ave misteriosa que a assustava. Por isso fiquei quieto, à espera… confesso que senti um calafrio de prazer. Aves engaioladas são sempre banais e podem ser compradas em qualquer lugar. Não lhes dedico qualquer atenção, pois delas os jornais e a tagarelice cotidiana estão cheios. Mas estas aves selvagens que se anunciam com o nome de loucura nascem do desconhecido e levam-nos a voar por mundos onde nunca estivemos.
Aí ela continuou, explicando o que acontecera: “Eu sou uma pessoa prática, descomplicada. Gosto de cozinhar. E o faço de forma competente, automática, sem pensar. Corto as cebolas, as cebolinhas, os tomates, e vou fazendo as coisas que devem ser feitas da forma como sempre fiz. Estas coisas e estes atos nunca foram merecedores da minha atenção. Enquanto cozinho, meus pensamentos se concentram no prato terminado e no prazer de comer com os amigos.
Mas, na semana passada, uma coisa estranha aconteceu. Peguei uma cebola, igual a todas as outras, cortei uma rodela como sempre fiz, e levei um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Como era isso possível? Já havia visto e cortado centenas de cebolas e agora era como se estivesse vendo a cebola pela primeira vez! Olhei para a sua forma arredondada, senti a lisura de sua pelo sob os meus dedos, vi seus anéis circulares, perfeitos, encaixados uns dentro dos outros, surpreendi-me com sua quase transparência, a luz se fragmentando em centenas de pontos em sua superfície brilhante. Meu automatismo prático se interrompeu. Deixei a faca sobre a pia e fiquei com a rodela de cebola na minha mão, encantada. Esqueci-me do prato que estava preparando. Naquele momento eu não queria fazer prato alguma para o deleite da boca, pois havia encontrado outra forma de deleite: o deleite dos olhos. Meus olhos estavam comento a rodela de cebola. E eu senti um prazer que nunca sentira antes.
Pela primeira vez na vida vi que a cebola era bonita. Se fosse pintora, pintaria uma cebola. Se fosse fotógrafa, fotografaria uma cebola… Minha cebola deixara de ser uma criatura do sacolão, à mercê de facas e maxilares mastigantes, e aparecia como uma criatura encantada, moradora do mundo da beleza, ao lado de jóias e de obras de arte.
Ao acordar desse transe místico, em que vi a rodela de cebola como se fosse vitral de uma catedral gótica, fiquei assustada. Que coisa estranha deveria estar acontecendo com os meus olhos? que transformação deveria ter acontecido comigo mesma?
Se eu contasse aos meus amigos o que tinha acontecido, eles não entenderiam. Pensariam que eu estava fazendo gozação. Ririam. Não poderiam ver minha alegria vendo a rodela de cebola. Eu tive que fazer silêncio sobre a minha experiência. Pensei, então, que estava ficando louca. Pois loucura deve ser isto: Aquilo que a gente experimente e sobre o que tem de se calar. Pois se a gente disser, os outros não entenderão e começaram a pensar que a gente tem um parafuso solto.
Mas o pior é que o que aconteceu com a cebola começou a acontecer com tudo. Meus olhos já não eram mais os mesmos. Estavam possuídos por uma potência psicodélica. Viam o que sempre tinham visto de um jeito como nunca tinham visto. Meus quadros ficaram diferentes. E o mais perturbador era a felicidade que eu sentia em tudo. E eu pensei: se eu continuar a me sentir feliz assim, todos os meus grandes planos irão por terra! Se eu me sentir nas pequenas coisas, pararei de lutar para realizar as grandes coisas…
Ela estava assustada com a felicidade. Assustada ao perceber que a alegria mora muito perto. Basta saber ver. E eu lhe disse: “Você não está ficando louca. Você está ficando poeta…”
A experiência poética é ver coisas grandiosas que ninguém mais vê. É ver o absolutamente banal, que está bem diante do nariz, sob uma luz diferente. Quando isso acontece, cada objeto cotidiano se transforma na entrada de um mundo encantado. E a gente se põe a viajar sem sair do lugar… aquilo que procuramos se encontra bem debaixo dos nossos olhos.
Não é preciso fazer nada. Não é preciso viajar a lugares distantes. Coisa mais inútil haverá que a viagem, quando os olhos vêem tudo em preto-e-branco? Não é preciso também realizar grandes proezas de luta e trabalho – pois a beleza se encontra pronta ao alcance da mão… Dizia Blake: “Ver o mundo num grão de areia e um céu numa flor selvagem…”.
Não, ela não estava ficando louca. Mas eu compreendi o seu espanto. Descobria-se poeta. E a loucura da poesia está precisamente nisto: na compreensão de que basta que a beleza more dentro dos olhos para que o mundo inteiro seja transfigurado por eles… A felicidade nasce de dentro do olhar que foi tocado pela poesia…
Rubem Alves em ‘As Melhores Crônicas de Rubem Alves’


25 de junho de 2018

Grupo terapêutico - Adolescentes em contato

Inicio: 10/08/2018 
Encontros quinzenais –  Sexta-feira, das 14:30 as 16:00
Com:  Claudia Guglieri – Psicóloga  e Maria Ester Vieira – Terapeuta auxiliar
Local:  Casa do Bem.  Rua Auxiliadora 210 – Auxiliadora PoA
Investimento 
De R$ 200,00  à  R$ 150,00 (conforme a renda)  
E R$ 100,00  (para alunos de escola pública) 
Inscrições e mais informações em
(51) 995137052 / 999638932 Telefone e WhatsApp. 
E-mail: gruposclaudiaguglieri@gmail.com


Grupo -  Adolescentes em contato  

O que é? Grupo de psicoterapia para adolescentes. Acompanhamento especialmente pensado para os desafios desta fase.

Qual o objetivo? Tem como objetivo trabalhar as questões da adolescência, atendendo as necessidades que cada jovem apresente. Favorecer amadurecimentos  saudáveis  e potencializar  boas resoluções.  Além disto, promover um espaço grupal que  possibilite a troca relacional, tão fundamental para a fase.

Como acontecerá? O trabalho acontecerá a partir de técnicas diversas, reflexões sobre os exercícios e estímulo a escolhas possíveis. Contam com trabalhos de desenvolvimento de confiança, aceitação e valorização de pessoal, contato com reais necessidades, respeito as diferenças e muito mais. Um convite ao contato e a aos relacionamentos.  Como pano de fundo o  grupo passa por uma revisão de questões que estiveram presentes nas fases anteriores e que são significativas para este momento da vida.  

Entenda um pouco mais
Toda fase do desenvolvimento tem suas solicitações e seus desafios a serem vencidos, são questões fundamentais para o desenvolvimento.  Ao vencermos a solicitação de uma fase nos estabilizamos com o que é possível e seguimos crescendo.  A adolescência é a fase de transito da infância para a vida adulta. Um momento fantástico de experimentações e desfrute, mas permeado por “crises”. Este tanto de crises tem justificativas. A Crise normativa, é algo esperado para este momento,  surge para ajudar a reajustar conteúdos da infância.  Isto acontece em diferentes graus, para que haja  novas oportunidades de integração de conteúdos  das fases anteriores. Uma espécie de revisão que busca melhores resoluções e apronta para a entrada na vida adulta.



Na adolescência o foco estará no amadurecimento do eu, na estruturação da identidade em suas  inúmeras solicitações. Os experimentos pessoais colaboram com o que está em interrogação, permitem testes e averiguações. Há muita oscilação, pelas mudanças hormonais e por conta das dúvidas.  Tudo passa a ser sentido com bastante intensidade, as reações são potencializadas ou negadas. Os grupos são vistos como novas referências e um bom lugar de apoio.

Para este trabalho nos perguntamos: Quem é o jovem de hoje? Do que ele está  precisando ? Que tipo de contatos o adolescente está  podendo fazer? Como cada um está fazendo  seus ajustes e solicitações do momento? Como está se vinculando e podendo viver seus afetos? Que tipo de comprometimentos e responsabilizações lhe são solicitadas? Como cada um reage a isto e o quanto se permite crescer? Como cada um passa por suas revisões das fases anteriores e como está conseguindo  ir adiante?
Quanto ao apoio dos pais:  Paralelo a este grupo estaremos convidando pais para alguns bate-papos  que incluem: Como  apoia-los nesta fase? Como as novas solicitações do adolescente afetam seus pais? São muitas dúvidas: quanto ao educar atual, quanto a segurança em serem bons pais, quanto a orientações e posturas, confiança  no filho,  em como lidar com este mundo “louco” que os cercam... As conversas podem ajudar. 

14 de junho de 2018

Para pais de adolescentes - confiando e ajudando seu filho


Me encanta trabalhar com adolescentes, acompanhar seus passos  de saída da infância e amadurecimento pessoal, rumo a vida adulta. Tenho aprendido muito com eles e com suas famílias, cada uma com sua  história muito particular.

Nesta fase é necessário olhar o contexto  que os envolve, o jovem, sua família, escola, saber dos amigos e do seu campo relacional. É fundamental entender as nuances da  interação  familiar e poder trabalhar o que não está bem. Para isto conto com a participação dos pais. Quando eles participam, vejo que o desenvolvimento  do filho torna-se mais fluído. 
Com os pais, costumo fazer alguns encontros de esclarecimento quanto as reais necessidades do filho, algumas revisões de posturas e o reestabelecimento da confiança. 
Este é bem importante, pois alguns pais chegam com a confiança no seu filho muito fragilizada, assim tomando atitudes rígidas quanto ao que acreditam ser necessário para o seu filho.   
Outra questão importante está relacionada as resistências dos pais quanto as mudanças do filho, não são raros aqueles que temem  deixá-los sair da infância.  Algo compreensível, que acontece por motivos variados.
Percebo muito medo em ver os filhos se distanciarem. Quando as mudanças começam, alguns manifestam o quanto  estão  sentindo  falta do filho,  falta  do filho obediente, da companhia, das manifestações afetivas. Já outros trazem seus medos projetados no mundo lá fora, ressaltam  que o lugar mais seguro é a própria casa e o quanto a melhor companhia é a dos pais ou irmãos. Entendem que assim reduzem os riscos para seus filhos.
Estas falas dizem muito e demandam comportamentos que acabam dificultando o amadurecimento. Porém é interessante  perceber que estes pais querem que seus filhos cresçam,  mas não percebem que contribuem com a dificuldade de amadurecimento deles. 
Reforçar laços de dependência, inibe o uso dos  próprios recursos do adolescente  e promove um tanto de falta de confiança  em si mesmo. Esta forma de lidar, normalmente,  vem de pais muito atentos e preocupado, os tidos super protetores, que de jeito algum desejam  afetar seus filhos negativamente, ao contrário, mas acabam afetando.  Um conflito para todos.
Quando percebo isto acontecendo,  costumo  ver qual as particularidades desta família, porque e como está acontecendo.  A serviço de que?  É a pergunta que me faço e a resposta será um dos meus objetos de trabalho.
Além disso, é necessário reforçar a confiança na estrada já trilhada pelo filho, no já realizado com a família e o quanto agora é a hora das próprias experiências do jovem. 
Em alguns casos, indico  psicoterapia de grupo para o jovem. Ela  costuma ajudar  a amadurecer com o apoio dos semelhantes.   São trabalhos com técnicas específicas que favorecem o desenvolvimento e diferenciação de self. 
O grupo na adolescência tem um fundamental papel, contribui muito bem para a  importante separação dos pais e definições de identidade própria. É encantador acompanhá-los se  desenvolvendo,  valorizando as diferenças de identidades, suas características pessoais e  respeitando o que é do outro. Sendo muito produtivo para um jovem que se encontra  um tanto isolado no seu processo de saída da infância.
Portanto pais, é preciso confiar! No seu filho, na educação dada até agora, no seu poder e capacidade de suporte e na própria reorganização que tenderá a se reestabelecer. Os filhos vão e voltam, sempre amando os pais, por mais que  a “crise produtiva” da adolescência os distancie de nós.

26 de maio de 2018

Mudança de endereço


Caros amigos e pacientes

Depois de um tempo de ausência volto com novidades, estou atendendo em novo local. Rua Auxiliadora n. 210, bairro Auxiliadora. O telefone para agendamento de consultas continuará o mesmo (51) 995137052.

A Casa Do Bem – espaço de convivência pais e filhos -reúne diversas atividades, 
todas voltadas a atenção ao desenvolvimento humano em suas possibilidades mais harmônicas.  

No núcleo terapêutico conto com consultório para atendimentos de acupuntura e psicoterapia – adultos e adolescentes. Os novos grupos de adolescentes e adultos jovens devem iniciar no final de junho. Logo retomarei o grupo de estudos e desenvolvimento pessoal a partir do Método Sheng, este ainda é só para mulheres.

No núcleo educação e lazer, estarei oferecendo bate-papos no Café Bistrô. As datas logo estarão disponíveis na janela Grupo/atividades, confira a programação.

Me desculpem pela falta de postagens, foram dias de muito trabalho na organização do novo local.

Grande abraço a todos!

13 de março de 2018

Violência sexual - Carta para as mulheres


Ao longo destes anos de consultório, já acompanhei e acompanho muitas mulheres cujo desejo de viver plenamente , de  ser feliz, é  tão intenso quanto o as dores  das marcadas em suas histórias. Todas as  dores merecem muito respeito, cuidado e suporte mas,  para mim,  uma das experiências mais dolorosas  vivida  por uma mulher  é a do  abuso sexual.
Sou muito grata a todas que já confiaram e confiam em mim para acompanha-las em seus percursos  de libertação.  Fica minha homenagem a  todas as corajosas  que  cruzaram o muro do pré-conceito e do medo para  se ressignificar ! 

Abaixo uma carta de estímulo, escrita pela minha colega de trabalhos grupais com toda a propriedade que a vida a deu, a todas as que passaram pela experiencia de abuso sexual  e  ainda não tiveram coragem de  olhar para suas histórias e transformar suas vidas.   


Carta Para As Mulheres 

Durante o mês de março homenageiam as mulheres, que são mães, companheiras, trabalhadoras, avós, tias.  Enfim, quantos papéis.

Que bom que nos dias de hoje, esses diferentes papéis são percebidos, estão sendo melhor valorizados. Mas ainda existe uma grande trajetória para mudança e valorização real de todos eles. Nessa caminhada, cabe ainda lembrar que existe a violência contra as mulheres.

Violência que é cometida das mais variadas formas, a verbal, física, através de espancamentos e também a violência sexual.

Qualquer forma de violência é nociva, deixando marcas emocionais e algumas vezes físicas, que são muito difíceis, sendo que as físicas muitas vezes trazem sequelas permanentes. Um  quadro difícil de se olhar.

Uma violência sexual deixa marcas profundas, desconfiança na vida e nas outras pessoas, culpa, vergonha de si mesma e  a raiva do autor deste ato. Que muitas vezes é um parente próximo,    pai, avô, tio.

Felizmente, existem maneiras de transformar e lidar com as marcas emocionais que ficam em nosso coração e alma.

Buscando profissionais qualificados e nos empenhando, é possível transformar essas marcas, tendo um olhar melhor para elas e para si mesma, e acredite, para o autor da violência também.

Creia, isso é possível. Mas atingir esse patamar implica em ter a coragem de falar sobre essa dor, sobre o que ela causou, contatar os seus verdadeiros sentimentos, enfrentar seus medos e suas angústias, suas raivas e ressentimentos.

Quando contatamos essa dor, podemos transformá-la aos poucos, retirando de nossos ombros a culpa, a vergonha.  Deixamos de ser vítimas, para sermos protagonistas da nossa trajetória.

Conscientemente, um indivíduo não busca por uma violência, o ÚNICO responsável por ela é quem a está praticando, sejam quais forem os seus motivos.

Por isso, buscar ajuda para libertar-se e lidar com esta dor é o caminho para viver uma vida emocional e sexual saudável e plena, livre. Aprendendo a confiar em si mesma e no próximo e, a preservar-se quando o outro tiver atitudes que possam ferir seja física ou emocionalmente.

ACREDITE que todos os dias podem ser dias de liberdade plena e confiança, mesmo que você tenha passado por uma grande violência.

Não desista, busque ajuda, enfrente seus medos e LIBERTE-SE.

Maria Ester Fonseca Vieira