31 de julho de 2017

Os desafios no jeito de comunicar


Você se acha agressivo ao comunicar o que discorda? Ou você é do tipo que nem dá sua opinião para não se incomodar? Pois bem, se está em um destes dois polos seria bem interessante dar uma lida nas linhas abaixo.  Estarei falando das dificuldades em comunicar, do que desejamos ao que discordamos. 


Não é novidade que os nossos jeitos de comunicar são desenvolvidos ao longo das nossas experiências relacionais. Começa com os pais, amigos,  professores, companheiros.... Nós vamos testando formas e achando as que mais nos satisfazem. Depois vai no automático!

Os problemas começam quando estes jeitos deixam de nos satisfazer e nós seguimos com eles, mesmo que sofrendo.  Seguimos porque mudar formas não é simples como virar uma chave de luz, antes fosse. Nossas formas de expressão estão ligadas a experiências marcantes, com crenças, culturas e valores.

A questão é que muitas delas, além de terem sido estabelecidas na juventude, foram eleitas para dar conta de necessidades do ambiente. E mesmo que não sejam mais necessárias,  tomam forma rapidamente quando alguma situação lembre a que a deu origem.

Para entender, podemos pensar em um menino que constantemente se sentia humilhado pelos colegas . Um dia ele resolve se impor no soco e os colegas recuam. Daí para adiante é só repetir, acrescentando formas de se impor e se sentir “alguém”.  Bingo! “Ninguém mais me tira para bobo.”  Mas com o passar dos anos, o jovem e depois o homem, segue com este comportamento, alimentado pela crença que, “ser bobo nunca mais”.  O cenário pode mudar, mas a percepção está aguçada para esta prevenção. É aí que se dão as confusões, pois basta uma situação soar semelhante e o jeito se organiza rapidamente. Então esta pessoa passa a se prejudicar por conta da sua forma de comunicação, que neste ponto já está toda entrelaçada com o que funcionou. Ele passa a ser tido como  impulsivo, direto em demasia e até agressivo.  Acaba por perder oportunidades profissionais, se desentender frequentemente com esposa,  filhos e etc... muitos problemas e um tanto de sofrimento.

Este é apenas um exemplo de um universo de confusões que podemos fazer, por não parar para tentar entender o que está acontecendo. Nossas formas, nossas organizações.  Sem reflexão não nos ressignificamos, não aprofundamos no que já não funciona mais. Algumas pessoas me procuram apenas com o desconforto constante e desagrados nas suas interações sociais, mas nem sabem por que. E cada caso é único.

Em Gestalt-terapia este comportamento que nos salvou em muitos momentos da vida é chamado de Ajuste Criativo. Na época foi a melhor solução para dados problemas. Naquele momento entramos em contato com algo especial em nós, uma força criativa que nos impulsionou ao bem-estar.  Desta força surgiu um tipo de resposta gratificante e boa. Esta provocou uma auto-regulação que trouxe harmonia a vida.

É lindo isso, eu me emociono quando estou acompanhando alguém que desperta seu ser mais criativo e se ajusta a situações produzindo belas regulações para sua vida. A todo momento estamos nos regulando e encontrando bem-estar. Isso é estar vivo! 

Porém nem todo ajuste criativo se mantem sempre como produtivo. Quando um jeito que não funciona mais se enraíza e se torna estático temos um Ajuste Disfuncional. Algo que precisa ser revisto, para dar lugar a novas atualizações e novos nuances de vida!  Aí está um belo paradoxo do ser humano: estar no solo e voando!

Portanto muitos destes jeitos que foram excelentes aliados e funcionaram muito bem um dia, hoje podem e devem ser ressignificados, relidos e melhorados.  Eu sempre digo: estar congruente com o que estamos sentindo, pensando ou desejando é o pão celestial da vida. Funcionarmos, conseguindo comunicar nossas congruências é estar no céu.

Bem, neste texto eu lhe dei várias dicas de “coisas” para refletir sobre si mesmo. Faça isso, se observe, na postura do observador de si mesmo. É mais ou menos assim: aconteceu algo que soou como desagradável, pare refaça a cena como se você fosse um mero personagem dela, se olhe nela e reflita sobre sua postura e sua forma de se expressar. Esse é um bom começo!

E se precisar de mais,  venha bater um papinho comigo!

Claudia Guglieri - 

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