6 de junho de 2017

Fronteiras do pensamento - PoA 2017 - O vazio que leva ao adoecimento

Ontem estive no Fronteiras do Pensamento - Novas Ideias, Novas Escolhas – temporada Civilização, a sociedade e seus valores. Fui assistir ao debate de Eduardo Giannetti e Gilles Lipovetsky. Um encontro que me provocou expectativa, diante da necessidade atual do tema.

Confesso que vi certa dificuldade no estabelecimento de uma fala conjunta construtiva, percebi dois importantes pensadores colocando suas ideias em separado e, em alguns momentos, as tratando de forma defensiva. Uma pena.

Ao meu ver em qualquer tipo de encontro, é justamente no exercício do debate genuíno, com aceitação das diferentes ideias, que nossa sociedade terá chances de dar espaço a algo criativo, que a leve para possíveis mudanças.  Um desafio desta sociedade que estamos tentando repensar, já que o nosso momento histórico é de polarização.

Mas independente desta percepção, tivemos uma noite de importantes reflexões. Gostei muito da fala do economista Giannetti, por incrível que pareça mais existencialista que o próprio filosofo  Gilles. Ele tratou, entre muitas outras coisas, de algo que considero especialmente importante para a nossa reflexão. Fez uma relação do vazio existencial do homem pós-moderno com o que chamou de  vazio ecológico. Algo que se manifesta no intrapsíquico e no nosso atual jeito de lidar com o meio ambiente. Vazio ecológico tanto no mundo interno como no externo.

Isto se relaciona muito com o que venho estudando sobre o vazio que nos abate e que tem sido um dos nossos principais fatores de adoecimento. Vazio que vem de uma forma de vida desconectada de nossos valores primordiais e excessivamente conectada com as experiencias da pós modernidade.  Gerado, em primeira instância, pela dissociação homem e natureza. Quando não nos colocamos como parte da natureza e sim controladores e dominadores desta, tendemos a cair em um grave erro de distorção de valores. E, em segunda instância, pela crença no individualismo e sua gama de valores imensamente distorcidos.

Mas a minha questão aqui é: o que fazer? Este é o meu objeto de trabalho e toda a análise e estudo que realizo volta-se para um tipo de busca de possibilidades harmônicas que nos permitam mais plenitude. Algo fundamental, já que a maioria dos casos de depressão, os transtornos de ansiedade diversos e muitos adoecimentos psicossomáticos estão relacionados a um vazio, muitas vezes inexplicável para quem o sente. 

Bem, eu fiz uma pergunta aos palestrantes, mas esta não chegou a ser lida pelo mediador. Então saí com a contribuição do que ouvi para acrescentar a minha colcha de retalhos.

Portanto, proponho refletirmos sobre o que está sendo feito hoje para estarmos vivendo estes imensos vazios. E o pouco que podemos fazer, sem ter que ser um grande pensador, mas pessoas que podem se rever, se ressignificar e se reorganizar em suas vidas.

Deixo duas perguntas que podem estimular a sua reflexão:

Quem sou eu quanto a natureza? E se quiser aprofundar a questão recomendo a leitura do livro: "De repente, nas profundezas do bosque – Amós Oz. Próximo palestrante desta temporada. Um" romance querido, simples e profundo.
Quais são as minhas reais necessidades? Não desejos, necessidades. Um processo de observação de si, no aqui e agora pode ajudar a iniciar esta resposta. Comece se percebendo dentro deste fluxo mecanicista que somos a todo tempo estimulados a viver, esta correria automática do dia-a-dia. Uma forma mecânica de viver impulsionada pelo desejo de produção, pela comparação e consumo desenfreado.

É, deixo aqui perguntas difíceis e desafiadoras, mas que podem iniciar um processo de aproximação de si consigo mesmo e com a natureza “curadora” que existe em todos nós. 

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