17 de março de 2017

Transtorno do pânico - tratamentos com psicoterapia e acupuntura


O transtorno do pânico é um dos transtornos de ansiedade que atualmente mais traz pessoas ao meu consultório. Isto porque há um crescente número de casos e também pelo meu estilo de trabalho e formação em psicossomática.

As pessoas com TP costumam me procurar muito assustadas, por conta do nível desorganizador do problema. Sendo assim a minha primeira ação é emergencial, está voltada a recuperação do estado de equilíbrio e segurança do paciente.

O transtorno do pânico se manifesta de forma muito intensa, dando ao paciente a nítida sensação de que pode morrer ou enlouquecer durante a crise.  O medo é fortíssimo e os sintomas físicos, que podem incluir palpitações, falta de ar, dor no peito, tremores, sudoreses, entre outros... são realmente apavorantes. Além disso, um ataque de pânico, tem seu ápice em até dez minutos, sem ter nenhuma justificativa aparente. É tudo muito rápido, deixando o paciente com uma enorme sensação de impotência, muito difícil de lidar se não tiver a devida orientação.
Por conta destas questões, acabei desenvolvido uma forma de trabalhar que compõe um conjunto de ações. As primeiras são as tidas como emergenciais: ajudar o paciente a aprender a lidar com os ataques e recuperando a confiança em sí; reequilibrar seu sistema energético e fortalecer a sua capacidade de resolução de problemas.

O tratamento segue aprimorando o diagnóstico. Cada caso é um caso e por isso terá sua própria indicação de tratamento: com o uso de medicação tradicional e psiquiatra de apoio ou não, com técnicas da Medicina Tradicional Chinesa ou não, com psicoterapia breve ou de longa duração. Isto é muito particular. Mas em todos os casos é necessário o uso de um conjunto de procedimentos informativos e técnicas que ensinam como lidar com as crises.


A Síndrome do pânico a partir da Medicina Tradicional Chinesa

Muitas pessoas me procuram querendo saber como funciona o tratamento que usa a Medicina Tradicional Chinesa. O uso das técnicas orientais tem se mostrado muito eficiente. É possível usar a acupuntura, a auriculo-terapia,  orientações de mudança alimentar na abordagem chinesa tradicional, fitoterápicos. Sempre a partir do diagnóstico. Porem eu, normalmente,  uso uma combinação de técnicas orientais e procedimentos da psicologia.
 
De acordo com a Medicina Tradicional Chinesa (M.T.C), a Síndrome do pânico está relacionada a uma associação de deficiências energéticas que acabam comprometendo todo o equilíbrio físico/psíquico/energético.  Nesta abordagem não existe divisão de corpo e mente portanto tudo que afeta a um age sobre o outro, em um conjunto de sistemas que compõe o que se chama fisiologia energética, que regula o equilíbrio e a saúde integral de uma pessoa. 

Na Síndrome do pânico os ataques começam a ocorrer quando há  o esgotamento da energia Jing, que é a essência da energia do Rim.  Entre os cinco elementos, é o órgão que se relaciona com o medo e o pânico e está representado pelo elemento Água. Esta deficiência normalmente é resultante de um conjunto de desequilíbrios que a antecedem e o bom diagnóstico destes é o que determinará o sucesso do tratamento, porem a deficiência de energia do Rim interfere  nos demais sistemas e reforça a síndrome.


Para entender melhor leia este texto, escrito pela fisioterapeuta, acupunturista Flávia Gomes, ele explica de forma muito criativa.

Imagine uma casa com todas as luzes acesas, chuveiro ligado, todos os aparelhos elétricos ligados...  O que vai acontecer depois de um tempo? Uma queda total de energia com o desarmamento do disjuntor.  Se você ligar o disjuntor novamente ou fizer uma ligação direta e não desligar os aparelhos, irá ocorrer uma queda de energia ou um curto-circuito e a casa pode até pegar fogo.
Fazendo uma analogia com o corpo humano, onde o organismo e os neurônios estão sobrecarregados, ocorre a síndrome do pânico, que poderíamos considerar como uma espécie de apagão.  O objetivo é proteger o organismo em estado de estresse, que leva a um alerta máximo; e não deixar os neurônios "torrarem".  Ou seja, a síndrome do pânico corresponde à queda do disjuntor.
Continuando a analogia entre casa e corpo humano, os remédios equivalem a fazer uma ligação direta para manter a casa em funcionamento.  O combate efetivo seria desligar os aparelhos que não precisam estar ligados e, no caso do corpo humano, combater os fatores de estresse e preocupação que geraram a síndrome do pânico.  Para isso é necessário:  relaxamento, yoga, atividade física moderada, meditação, dieta e sono regulares, psicoterapia, acupuntura.  Enfim, mudanças de hábitos de vida para que ocorra uma melhor qualidade de vida.


O Transtorno do pânico a partir da visão da psicologia e medicina ocidental

Como o transtorno de pânico costuma se manifestar? O transtorno do pânico (TP) é caracterizado pela presença de ataques de pânico recorrentes que consistem em sensação de medo ou mal-estar intenso acompanhada de sintomas físicos e cognitivos e que se iniciam de forma brusca, alcançando intensidade máxima em até 10 minutos. Os ataques costumam despertar o medo de que novos ataques aconteçam e com isto tendem a iniciar um círculo de retroalimentação do problema.
Quais são os prejuízos? Além do sofrimento psíquico e do prejuízo funcional vivenciados pelos pacientes com TP, ele está associado a uma série de outros desfechos que acabam  justifi cando  seu tratamento como um problema de saúde pública. Pacientes com TP têm maiores taxas de absenteísmo e menor produtividade no trabalho; maiores taxas de utilização dos serviços de saúde, procedimentos e testes laboratoriais; um risco aumentado, independente das comorbidades, de ideação de suicídio. Estes entre outros são o suficiente para trazer bastantes prejuízos a vida de uma pessoa.
Suas possíveis causas. Estudos prévios têm associado experiências traumáticas na infância ao desenvolvimento do TP na idade adulta. Eventos estressantes na vida adulta estão fortemente relacionados ao desenvolvimento de transtornos de ansiedade e ao TP,  sendo que cerca de 80% dos pacientes relataram estressores de vida nos 12 meses que precederam o início do transtorno. Cerca de 90% dos pacientes com TP experienciaram transição de papéis e  40% tiveram perdas no ano que antecedeu o início do TP. Fatores socioeconômicos como etnia, estado civil, grau de escolaridade e renda não parecem ser fatores de maior importância na associação com o TP. O tabagismo e a dependência de nicotina na adolescência têm sido implicados como fatores de risco para o TP na vida adulta, mas a causalidade dessa associação ainda é questionável.

Leia mais em  - Transtorno do pânico Panic disorder.  Por Giovanni Abrahão Salum1, Carolina Blaya2, Gisele Gus Manfro3

Nenhum comentário:

Postar um comentário