31 de dezembro de 2017

2018 vem aí! Veja as orientações da Astrologia Chinesa e da sabedoria oriental

Todo final de ano eu uso ferramentas da Astrologia Chinesa e da leitura sistêmica dos cinco elementos para fazer reflexões com aqueles que acompanho. São leituras sobre situações vividas neste período, sobre a perspectiva do perfil constitucional de cada um e suas possibilidades de desenvolvimento no contexto atual.  Esta prática já é esperada por muitas pessoas, bem como a publicação do meu olhar sobre o ano.
Da mesma forma uso a leitura astrológica chinesa para iniciar o ano, mostrando os nuances a serem desenvolvidos. Uma referência do que estará propício para olhar e desenvolver, sendo do perfil que se é.

Leia mais a baixo as tradicionais orientações para 2018! Ano Cão de Terra!


Refletindo,  revisando e se despedindo  2017 -  Ano de Galo de Fogo.
O elemento Fogo esteve na regência e isso nos trouxe a força do yang em seus nuances positivos e negativos. Ano  intenso, marcado por muita força e agitação. Em seu melhor aspecto tivemos o favorecimento da ação para fora, que se bem usada, nos ensinou o posicionamento pessoal. Foi um ano de se mostrar, de assumir a imagem e fazer escolhas. Características que favorecem o percurso do aprendiz e o ensina a posição do uso dos poderes pessoais. 
Porém, fomos constantemente testados em situações que pediam decisões. Algumas difíceis, outras menos, mas acompanhadas de bastante ansiedade, um componente forte da regência do elemento Fogo.
A influência do Galo nos trouxe aprendizados relacionados a  estética, a imagem, a vivência da energia voltada ao externo. O belo e a diversão tão fundamentais a vida.

O saldo pedia a definição da identidade, o que é próprio a cada um. A experiência da exuberância, a percepção da extravagância, do que se destaca em cada um de nós, da coragem.  Um ano de poderes voltados ao pessoal.

Atingiu os objetivos e ganhou tons de sabedoria em sua jornada, quem conquistou poder com humildade, posicionamento com respeito e a consciência do seu potencial de ação e  da reação que segue.



Para 2018...  Novas energias, vem aí um mudança de ciclo!

Ano Cão de Terra – o tema será: busque  o seu equilíbrio.

Este tema, em Cão,  se refere a solicitação de valores menos individualistas, que não estarão  mais voltados ao externo como nos últimos dois ciclos e voltam-se ao meio. O poder estará relacionado ao manejo da boa dosagem de yang/yin em todas as situações. O discípulo deve aprender a usar suas forças com mais empatia, diminuindo o EU para voltar-se ao NÓS.
  
Um ano Terra nos oferece o meio (++--), a experiência direta do: eu/outro, força/suavidade, atividade/passividade, sim/não, permissão/limite. O elemento Terra está no centro de todos os elementos,  une e comunica os movimentos  ( para fora / para dentro ),  em qualquer sistema.
 
Neste momento, depois do Galo de Fogo,  o discípulo já entrou em contato com o que é seu, com seus poderes pessoais. Teve a oportunidade de aprender  a se impor, agora deve aprender a ouvir, dar mais voz, ser  flexível, tolerar, ampliar a aceitação do não eu, se experimentar na sabedoria do Nós . Para muitos será um ano difícil.

A regência do Cão deve nos  ajudar a apropriação destes poderes tão emergentes  para os dias que vivemos.  Precisaremos nos voltar a ações  de mais empatia, o cão solicita respeito,  lealdade e  honestidade.  Caso contrário ele “ataca” e, em um ano Terra, o discípulo se ressentirá e tenderá a depressão.

Vem aí energias que a muito estávamos precisando, mas não significa que  as mudanças ocorrerão  da noite pro dia, significa que esta força estará no ar nos empurrando para as mudanças.  Estarão mergulhando nas entranhas dos nossos acontecimentos e que quem não estiver a favor da maré, talvez, tenha que nadar muito e  perca suas forças.  Estaremos, como as marés, como os demais  ciclos da vida  a mercê das influências  da Terra mãe, que para ensinar,  nem sempre é piedosa com seus filhos. E  sob a regência do Cão – que na mitologia chinesa é selvagem.

Será um marco em termos de mudanças e toda mudança pode ser bem difícil. A tendência do discípulo ressentido leva a excesso de preocupação, a dúvida  e a persistência no erro, pode chegar ao esgotamento e  depressão.  Portanto preste atenção nos excessos de todos os gêneros – não será um ano para extravagâncias e sim para equilíbrio.

O novo ciclo vai pedir o retorno ao Nós, a família, ao apoio dos amigos sinceros, a verdadeira convivência, a mediação nas relações.  

Quem estiver empreendendo deverá se voltar para ações que apontem cada vez mais para o valor do humano.  Assim terão sucesso. Resignificar será fundamental, caso contrário podem haver perdas.

Esteja atento ao  equilíbrio, não exatamente o meio como a palavra parece pedir, mas um manejo médio das ações. Está será a lição.   Dar/receber, ação/recolhimento, movimento/espera, cor/espirito, trabalho/descanso, festa/retiro...sempre se voltando ao cuidado consigo e com o outro. 
   
Cuidado com as dúvidas, se escute, escute,  volte-se para dentro e decida sem hesitação, seguindo sua intuição.   A influência Terra costuma levar a dúvida, mas a consciência da lição deste ciclo ajudará na boa escolha. 


Desejo a todos bons dias de despedida do Galo de Fogo e um ótimo ciclo Cão de Terra!!! 


23 de novembro de 2017

Quando algo parece impossivel

"Não sabendo que era impossível, foi lá e fez” . 
 (Jean Cocteau)

Muitas vezes nos deparamos em situações que parecem muito dificeis à olhos carregados de importâncias. Nestes momentos podemos nos sentir  impedidos de fazer o que desejamos, somos afetados por diferentes sensações e uma delas é o medo de seguir.

Ir adiante, em um evento  importante,   pode ser  difícil. Requer romper com o estabelecido, lidar com o que acreditamos não dar conta. Passar por cima de crenças acompanhadas  de questionamentos ligados a marcas anteriores.

Mas a frase acima nos fala de uma pessoa que não “sabia” das impossibilidades. Não nos conta se ela tinha marcas impeditivas, diz que ela desconhecia que era impossivel  e, talvez por isso,  que foi e fez!
  
Impossível? Para quem?

Fiquei pensando em quantas vezes nos colocamos em situações de impedimentos e deixamos de realizar propostas, desejos, sonhos  ou  pequenas coisas.

Outro dia eu disse para um paciente:
Come seria se tu tentasse o sim? Já pensou nisso?  Pois se o problema é receber o “não”, este tu já tens. E se o “não" se confirmar, nós ainda podemos trabalhar  o que vem associado a ele... Como  te soa isso?  Uma outra escolha, talvez com uma pequena diferença.

Ele trouxe que soava estranho,  que ainda tinha receios...  eu disse ok, quando  chegar o teu tempo tu pode tentar este sim.

Mas, alguns dias depois ele chegou dizendo que tinha tentado e que não tinha sido terrível,  que achava que já era o tempo dele e que tinha se dado conta de algumas coisas...

Esta pessoa teve seus lamentos, é verdade.  Mas, depois disso, passou a desfrutar de algo muito maior.  Da aquisição da liberdade em ir, do ganho em se superar, se desafiar!   Ao tentar, ele adiquiriu confiança em sua possibilidade em fazer, mesmo sem “vencer”.  

Nós  trabalhamos  um bocado tudo isso. 

Abrir mão dos impedimentos  pode ser um dos movimentos de maior liberdade que experimentamos.

Com esta pessoa  tive  a oportunidade de trabalhar muitas questões, ele cresceu bastante.  Ainda não alcançou tudo,  do seu objetivo  inicial. Mas hoje  não acha mais que é impossível e, muitas vezes,  vai lá e faz! 

13 de setembro de 2017

O que não me mata me fortalece

Estou em um momento de muito estudo, algo encantador e riquíssimo. Este privilégio me faz ter que andar mais devagar com algumas coisas e o blog é uma delas. Mas se não estou podendo escrever vou trazendo para vocês as belezas que os colegas estão nos oferecendo, em seus sites. Esta veio do Razão Inadequada. Uma ótima reflexão!


Da escola de guerra da vida. — O que não me mata me fortalece” – Nietzsche, Crepúsculo dos Ídolos, Máximas e Flechas, §8 - 

Ken Zen Ichi Nyo
A tradução literal desta máxima japonesa pode ser: “A espada (ken) e o espírito (zen) são um só (Ichi Nyo)”. Mas como toda sabedoria das artes marciais, a tradução literal da frase não dá conta de toda a profundidade contida no pensamento. Outra traduções possíveis seriam: “o punho e o espírito são um só”, ou então “A espada e a pena não a mesma coisa”. Gostamos desta ultima variação, por motivos óbvios…

Se os samurais se utilizavam deste pensamento para dar conta de que o espírito, a própria vida, estava em sua espada, que uma vez desembainhada deveria ser utilizada com sabedoria, a mesma máxima também pode ser usada hoje como arma conceitual para nossas vidas. Somos samurais? Depende… nossas armas são usadas em nossa vida ou ficam guardadas enferrujando na bainha de mielina de nossos cérebros? Não andamos com armas brancas ou de fogo junto de nosso corpo, mas e nossas palavras? E nossas atitudes? Não são elas também como que nossas armas perante a existência?

Para um artista marcial, treinar é aperfeiçoar o espírito! Cada movimento carrega tudo de si. Cada golpe é o último, o melhor, o mais esperado. Como tornar-se um bom karateca sem praticar katas e kihons? Como tornar-se um bom judoca sem praticar movimentos de queda continuamente e imobilização? Mas ao mesmo tempo, como tornar-se um bom aikidoca sem entender a harmonia contida em cada um dos movimentos? Sem compreender que o corpo incorpora a teoria e a teoria é prática as artes marciais perdem todo o sentido.

Ken Zen Ichi Nyo significa que nossa própria existência é uma resistência, nossas atitudes são como armas que utilizamos diariamente para conquistar aquilo que acreditamos. A espada e o espírito caminham juntos porque o punho e a razão são a mesma coisa. A pena é uma arma tanto quanto uma espada carrega uma ideia. Nossa vida é manifestação de um modo de vida, uma ética.

Espinosa poderia muito bem ter praticado Kendô: a mente e o corpo são um só? Teoria e prática são a mesma coisa? Ken Zen Ichi Nyo! Sabedoria marcial na filosofia espinosista? Claro, não foi ele um dos grandes guerreiro de seu tempo? Suas palavras não feriram e cortaram todos os poderosos? O filósofo holandês enfrentou com coragem a superstição de um tempo que, juntamente com Descartes, acreditava que a mente precisava dominar o corpo para não ser dominado por ela. Ora, mas com isso seria possível se a pena e a espada caminham juntos? Diria o filósofo que muito satisfatoriamente vestiria um kimono e pisaria no tatame. Se mente e corpo são um só, podemos dizer que Espinosa lutou bravamente contra corpos impotentes, que se imaginavam puros e escolhidos por Deus.

Uma filosofia da imanência está preocupada apenas com a capacidade de afetar e ser afetado, um não existe sem o outro. Se a pena pode cortar então a espada pode ensinar e cada movimentos que executamos precisa modificar a alma também! E se a alma não estiver no dojo durante treino, então de nada adianta nosso corpo lá executando socos e chutes no ar. Se existimos, então seremos chamados para a luta, se o corpo está fraco, a alma fracassará. Uma mente forte se refletirá em um corpo sadio e os dois precisam estar ativos para superar os desafios. Isso todos os praticantes de qualquer arte marcial entendem profundamente. Um praticante de Aikido, Karatê, Judô, Kung-fu, Taekwon-do, Jiu-Jistu treinam simultaneamente corpo e espírito, teoria e prática, conhecimento e ação. E suas maiores vitórias são sempre sobre si mesmos, sua auto-superação.

Fora com pensadores em suas torres de marfim! Abaixo os bradadores de “na prática a teoria é outra”! Mas fora também com atitudes impensadas e impulsivas! Teoria e prática não são coisas separadas, não são mundos opostos ou incompatíveis. Quem foram os primeiros a desplatonizar o mundo senão os samurais? Nosso objetivo filosófico é exatamente o mesmo, teoria e prática são a mesma coisa. Se em algum momento um parece prevalecer, é apenas uma ilusão, porque os dois estão inextrincavelmente juntos. Uma vida é a manifestação de um modo de vida, que carrega consigo valores, crenças, ideias, verdades, da mesma maneira que um karateca carrega sua espada nos punhos e sua teoria no corpo.

Uma vida se afirma naquilo que pode se afirmar, naquilo que sua potência permite. Esta força, esta potência é uma seleção de um modo de vida, uma maneira de ser e de estar. Podemos concluir que o punho e a espada são um só ao vermos como os movimentos marciais são belos quando bem executados. Toda estética possui um aspecto ético, em vez de moral. E toda guerra é um processo dinâmico de crescimento e afirmação de si. A pena e a espada dão conta de uma ética-estética porque não fazem a falsa separação entre mente e corpo, são virtude pura. O músico carrega seu instrumento; o guerreiro, sua espada; o filósofo, sua pena; o pintor, seu pincel, e todos estão no mesmo nível…

A Espada e o Espírito são um só significa que a realidade é sagrada. Eliminamos qualquer justificação externa: o que vale para o guerreiro é a batalha, independente da vitória ou da derrota! O samurai, tanto quanto o filósofo, se faz na luta, aqui e agora. O que mostra também que nunca se sai do dojo, nunca se sai do campo de batalha, nunca se sai da vida, nunca se sai da teoria. Espada e espírito são a mesma coisa, estamos sempre em guerra. A revolta é um sim e um não, mas ela não permite síntese, nem resolução.

Rafael Trindade
https://razaoinadequada.com/2017/09/06/ken-zen-ichi-nyo/

17 de agosto de 2017

Depressão e suicídio na adolescência


Dentro da programação do XI ENAGATEF assista a mesa redonda: 

"Vamos falar sobre a vulnerabilidade dos nossos adolescentes?"

Esta atividade será aberta a comunidade
Dia 22 de setembro as 21H30min.
Av. Plínio Brasil Milano, 232 - bairro Higienópolis - Porto Alegre - RS


O XI ENAGATEF acontecerá:
Dias 22 e 23 de setembro de 2017.
Esse ano, em alusão ao setembro amarelo, o evento terá como tema central a depressão e suicídio na adolescência.
Confira a programação: http://agatef.com.br/?p=3125

31 de julho de 2017

Os desafios no jeito de comunicar


Você se acha agressivo ao comunicar o que discorda? Ou você é do tipo que nem dá sua opinião para não se incomodar? Pois bem, se está em um destes dois polos seria bem interessante dar uma lida nas linhas abaixo.  Estarei falando das dificuldades em comunicar, do que desejamos ao que discordamos. 


Não é novidade que os nossos jeitos de comunicar são desenvolvidos ao longo das nossas experiências relacionais. Começa com os pais, amigos,  professores, companheiros.... Nós vamos testando formas e achando as que mais nos satisfazem. Depois vai no automático!

Os problemas começam quando estes jeitos deixam de nos satisfazer e nós seguimos com eles, mesmo que sofrendo.  Seguimos porque mudar formas não é simples como virar uma chave de luz, antes fosse. Nossas formas de expressão estão ligadas a experiências marcantes, com crenças, culturas e valores.

A questão é que muitas delas, além de terem sido estabelecidas na juventude, foram eleitas para dar conta de necessidades do ambiente. E mesmo que não sejam mais necessárias,  tomam forma rapidamente quando alguma situação lembre a que a deu origem.

Para entender, podemos pensar em um menino que constantemente se sentia humilhado pelos colegas . Um dia ele resolve se impor no soco e os colegas recuam. Daí para adiante é só repetir, acrescentando formas de se impor e se sentir “alguém”.  Bingo! “Ninguém mais me tira para bobo.”  Mas com o passar dos anos, o jovem e depois o homem, segue com este comportamento, alimentado pela crença que, “ser bobo nunca mais”.  O cenário pode mudar, mas a percepção está aguçada para esta prevenção. É aí que se dão as confusões, pois basta uma situação soar semelhante e o jeito se organiza rapidamente. Então esta pessoa passa a se prejudicar por conta da sua forma de comunicação, que neste ponto já está toda entrelaçada com o que funcionou. Ele passa a ser tido como  impulsivo, direto em demasia e até agressivo.  Acaba por perder oportunidades profissionais, se desentender frequentemente com esposa,  filhos e etc... muitos problemas e um tanto de sofrimento.

Este é apenas um exemplo de um universo de confusões que podemos fazer, por não parar para tentar entender o que está acontecendo. Nossas formas, nossas organizações.  Sem reflexão não nos ressignificamos, não aprofundamos no que já não funciona mais. Algumas pessoas me procuram apenas com o desconforto constante e desagrados nas suas interações sociais, mas nem sabem por que. E cada caso é único.

Em Gestalt-terapia este comportamento que nos salvou em muitos momentos da vida é chamado de Ajuste Criativo. Na época foi a melhor solução para dados problemas. Naquele momento entramos em contato com algo especial em nós, uma força criativa que nos impulsionou ao bem-estar.  Desta força surgiu um tipo de resposta gratificante e boa. Esta provocou uma auto-regulação que trouxe harmonia a vida.

É lindo isso, eu me emociono quando estou acompanhando alguém que desperta seu ser mais criativo e se ajusta a situações produzindo belas regulações para sua vida. A todo momento estamos nos regulando e encontrando bem-estar. Isso é estar vivo! 

Porém nem todo ajuste criativo se mantem sempre como produtivo. Quando um jeito que não funciona mais se enraíza e se torna estático temos um Ajuste Disfuncional. Algo que precisa ser revisto, para dar lugar a novas atualizações e novos nuances de vida!  Aí está um belo paradoxo do ser humano: estar no solo e voando!

Portanto muitos destes jeitos que foram excelentes aliados e funcionaram muito bem um dia, hoje podem e devem ser ressignificados, relidos e melhorados.  Eu sempre digo: estar congruente com o que estamos sentindo, pensando ou desejando é o pão celestial da vida. Funcionarmos, conseguindo comunicar nossas congruências é estar no céu.

Bem, neste texto eu lhe dei várias dicas de “coisas” para refletir sobre si mesmo. Faça isso, se observe, na postura do observador de si mesmo. É mais ou menos assim: aconteceu algo que soou como desagradável, pare refaça a cena como se você fosse um mero personagem dela, se olhe nela e reflita sobre sua postura e sua forma de se expressar. Esse é um bom começo!

E se precisar de mais,  venha bater um papinho comigo!

Claudia Guglieri - 

27 de junho de 2017

Você quer que o outro seja só o que espera dele?


Eu faço minhas coisas, você faz as suas. Não estou neste mundo para viver de acordo com suas expectativas
E você não está neste mundo para viver de acordo com as minhas
Você é você, e eu sou eu
E se por  acaso nos encontrarmos, é lindo
Se  não, nada há a fazer
(Frederick Perls)

Pergunta:
Vera 47 anos.  Estou namorando um senhor que, no início do relacionamento parecia ser tudo que eu sempre quis. O problema é que com o passar do tempo ele começou a ser  desagradável e  não é mais o que eu imaginava. Será que sou muito exigente? Parece  que ninguém me agrada.

Respondendo:
Vera, você está vivendo algo que muitas pessoas vivem,  um primeiro encantamento e depois, com  a aproximação e a intimidade, o aparecimento das diferenças.  As pessoas não são só o que esperamos delas. Nós podemos  imaginá-las como gostaríamos, mas elas não podem ser tudo o que esperávamos.  E para você parece que isso vem se repetindo. Toda repetição merece muita atenção.

Nós nos apaixonamos por uma pessoa a partir do que vemos ou sentimos dela, determinadas qualidades e características. São coisas que nos preenchem, nos completam, nos motivam...  Porém, estas coisas que nos encantam não são o todo de uma pessoa, ela é muito mais que isso.

Quando permanecemos mais tempo com alguém as diferenças ficam mais marcantes e podem ser aceitas ou não. O amor passa a ir tomando conta da paixão quando a balança pesa para o positivo e as diferenças não interrompem o encantamento. Caso contrário, a relação pode se desfazer.

Neste  momento da sua relação é  bom discriminar, o que é expectativa sua e o que ele é realmente.   Generalizar uma pessoa é um erro. Ninguém é tudo o que esperamos e por isso tão bom. E também não é todo ruim, ao contrário.

Uma  pergunta a se fazer é: Ele é desagradável ou tem coisas desagradáveis? Esta resposta é muito importante.  Outras são: Estas coisas desagradáveis pesam mais que as agradáveis? Ou as agradáveis pesam mais? Ele deve ser o que você espera ou pode ser ele, com coisas que você espera e outras não? Como lidar com as características que você não gosta tanto assim, sem desrespeitar a autenticidade dele?

Lendo isto tudo, você pode despertar para a observação de identidades diferentes,  com possibilidades  de um encontro legal ou não, como diz lá no poema acima. E se não der para ser ok,  a vida segue em seu  colorido de pessoas e  experiências.




6 de junho de 2017

Fronteiras do pensamento - PoA 2017 - O vazio que leva ao adoecimento

Ontem estive no Fronteiras do Pensamento - Novas Ideias, Novas Escolhas – temporada Civilização, a sociedade e seus valores. Fui assistir ao debate de Eduardo Giannetti e Gilles Lipovetsky. Um encontro que me provocou expectativa, diante da necessidade atual do tema.

Confesso que vi certa dificuldade no estabelecimento de uma fala conjunta construtiva, percebi dois importantes pensadores colocando suas ideias em separado e, em alguns momentos, as tratando de forma defensiva. Uma pena.

Ao meu ver em qualquer tipo de encontro, é justamente no exercício do debate genuíno, com aceitação das diferentes ideias, que nossa sociedade terá chances de dar espaço a algo criativo, que a leve para possíveis mudanças.  Um desafio desta sociedade que estamos tentando repensar, já que o nosso momento histórico é de polarização.

Mas independente desta percepção, tivemos uma noite de importantes reflexões. Gostei muito da fala do economista Giannetti, por incrível que pareça mais existencialista que o próprio filosofo  Gilles. Ele tratou, entre muitas outras coisas, de algo que considero especialmente importante para a nossa reflexão. Fez uma relação do vazio existencial do homem pós-moderno com o que chamou de  vazio ecológico. Algo que se manifesta no intrapsíquico e no nosso atual jeito de lidar com o meio ambiente. Vazio ecológico tanto no mundo interno como no externo.

Isto se relaciona muito com o que venho estudando sobre o vazio que nos abate e que tem sido um dos nossos principais fatores de adoecimento. Vazio que vem de uma forma de vida desconectada de nossos valores primordiais e excessivamente conectada com as experiencias da pós modernidade.  Gerado, em primeira instância, pela dissociação homem e natureza. Quando não nos colocamos como parte da natureza e sim controladores e dominadores desta, tendemos a cair em um grave erro de distorção de valores. E, em segunda instância, pela crença no individualismo e sua gama de valores imensamente distorcidos.

Mas a minha questão aqui é: o que fazer? Este é o meu objeto de trabalho e toda a análise e estudo que realizo volta-se para um tipo de busca de possibilidades harmônicas que nos permitam mais plenitude. Algo fundamental, já que a maioria dos casos de depressão, os transtornos de ansiedade diversos e muitos adoecimentos psicossomáticos estão relacionados a um vazio, muitas vezes inexplicável para quem o sente. 

Bem, eu fiz uma pergunta aos palestrantes, mas esta não chegou a ser lida pelo mediador. Então saí com a contribuição do que ouvi para acrescentar a minha colcha de retalhos.

Portanto, proponho refletirmos sobre o que está sendo feito hoje para estarmos vivendo estes imensos vazios. E o pouco que podemos fazer, sem ter que ser um grande pensador, mas pessoas que podem se rever, se ressignificar e se reorganizar em suas vidas.

Deixo duas perguntas que podem estimular a sua reflexão:

Quem sou eu quanto a natureza? E se quiser aprofundar a questão recomendo a leitura do livro: "De repente, nas profundezas do bosque – Amós Oz. Próximo palestrante desta temporada. Um" romance querido, simples e profundo.
Quais são as minhas reais necessidades? Não desejos, necessidades. Um processo de observação de si, no aqui e agora pode ajudar a iniciar esta resposta. Comece se percebendo dentro deste fluxo mecanicista que somos a todo tempo estimulados a viver, esta correria automática do dia-a-dia. Uma forma mecânica de viver impulsionada pelo desejo de produção, pela comparação e consumo desenfreado.

É, deixo aqui perguntas difíceis e desafiadoras, mas que podem iniciar um processo de aproximação de si consigo mesmo e com a natureza “curadora” que existe em todos nós. 

26 de abril de 2017

Acupuntura para Depressão - Respondendo

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Sim, é possível usarmos a acupuntura no tratamento da depressão, tenho tido bons resultados com a combinação psicoterapia e acupuntura, com apoio ou não medicamentoso. O tratamento depende de um prévio diagnóstico, cada pessoa tem suas particularidades e suas necessidades.  É preciso avaliar os desencadeantes do desequilíbrio/adoecimento, o tipo de depressão e outras características e assim definir o uso da melhor técnica. Normalmente o diagnóstico conta com uma profunda escuta e uma avaliação da  MTC Constitucional. Dependendo do caso recorro ao apoio de um médico psiquiatra da minha equipe ou uma colega endocrinologista, para complementar.


O Tratamento da Depressão pela Acupuntura 

Para a acupuntura chinesa não existe uma doença, mas sim um doente que necessita de tratamento. O tratamento por pontos de acupuntura sistêmica e moxabustão, conforme sua função e localização, visa normalizar o sistema de canais energéticos, aliviar sintomas digestivos e extra digestivos, fortalecer energia fonte, expulsar fatores patogênicos e normalizar a circulação vital de Qi.

O presente estudo, da colega acupunturista Renata Marcondes, demonstrou que a acupuntura apresenta uma influência profunda sobre os problemas emocionais e mentais, sendo recomendável a combinação dessa técnica com outros tratamentos, mostrando um potencial promissor na utilização da acupuntura para depressão.

A depressão figura como uma das principais formas de manifestação do sofrimento psíquico presente na contemporaneidade, sendo comum a referência a este período como “era das depressões”, em comparação ao final do século XIX, que foi marcado pela histeria KAPLAN, HI; SODOCK, BJ; GREBB, JÁ (2003).

O termo depressão mental não existe em medicina chinesa. Ele é ocidental e não se origina de uma classificação específica segundo a dialética da (MTC) Medicina Tradicional Chinesa. Ele é associado à diferentes doenças tradicionais englobadas em um mesmo conceito Yu Zheng (síndrome depressiva).

De uma forma geral, as pessoas normalmente experimentam uma ampla faixa de humores, que podem variar entre normal, elevado ou deprimido e tem um repertório igualmente   variado de expressões  afetivas.   Elas sentem-se no controle de seus humores e afetos.   Os transtornos do humor constituem um grupo de condições clínicas caracterizadas pela perda deste senso de controle e uma experiência subjetiva de grande sofrimento. Guy (1998).

A Organização Mundial de Saúde (OMS), através da Classificação Internacional de Doenças (CID – 10), a depressão, em seus episódios   típicos, implica em um humor deprimido, perda de interesse   e prazer nas   atividades, energia diminuída e processos de culpa ou negativismo YAMAMURA (2001).

O quadro de depressão podem se impulsionar por problemas psicossociais como a perda de uma pessoa querida, do emprego ou o final de uma relação amorosa. No entanto, até um terço dos casos estão associados a condições médicas como câncer, dores crônicas, doença coronariana, diabetes, epilepsia, infecção pelo HIV, doença de Parkinson, derrame cerebral, doenças da tireóide e outras. Diversos medicamentos de uso continuado podem provocar quadros depressivos. Entre eles estão os anti-hipertensivos, as anfetaminas (incluídas em diversas fórmulas para controlar o apetite), os benzodiazepínicos, as drogas para tratamento de gastrites e úlceras (cimetidina e ranitidina), os contraceptivos orais, cocaína, álcool, antiinflamatórios e derivados da cortisona.

A Medicina Tradicional Chinesa entende que o bom funcionamento do ser (a saúde) depende do bom equilíbrio entre duas forças (o yin e o yang) que são antagônicas, porém sua oposição acaba por criar um equilíbrio dinâmico, tanto o yin como o yang tem, cada um, suas funções quando estão em mesmo nível energético, um controla o outro, porém quando um se sobressai em relação ao outro ocorre o desequilíbrio, ou seja, ocorre a doença, a acupuntura refaz o equilíbrio natural BALLONE (2008).
Neste sentido, o estado da mente afeta também o Qi e Essência, se a mente estiver perturbada por stress emocional, se tornando infeliz, deprimida, ansiosa ou instável, irá definitivamente afetar primeiramente o Qi e/ou a essência.

Ao falarmos sobre as causas e mecanismos patológicos para a MTC, podemos citar a função do fígado que é facilitar a drenagem, a circulação fluida do Qi, do Sangue, das emoções no corpo todo. Além disso, ele abriga a Alma Etérea (Hun), a Consciência Espiritual. A dupla Fígado-Hun participa do dinamismo psíquico e espiritual do indivíduo.

A Alma Etérea (Hun) ama a vida e favorece o nosso impulso vital. É o instrumento que coloca em movimento nossos desejos nobres e nossas paixões. Ela governa nossas pulsões de vida, gerencia nossos reflexos de vida através de nossos pensamentos, nossas palavras, nossas ações. Ela permite a troca, a comunicação, a expressão de nossas vontades, de nossas idéias. Ela ativa nossas relações de vida.
A Alma Etérea (Hun) é o instrumento que o Shen utiliza para se manifestar e se exteriorizar em toda a sua amplitude: inteligência, espiritualidade, intuição, sonhos, instrospecção, criatividade, imaginação, respeito, amor à vida, entusiasmo pela vida, idéias, palavras.

O ser humano tem necessidade de viver em grupo e em sociedade. Este tipo de organização força o indivíduo a fazer concessões em relação ao resto do grupo. A educação nos impões limitações, regras que nos obrigam a controlar nossos impulsos para tornar possível nossa vida em comunidade. A sociedade com suas regras e suas leis, a educação com seus imperativos estão lá para refrear, atenuar e controlar o impulso vital, às vezes excessivo, da Alma Etérea (Hun) em relação ao projeto de viver em grupo.
Uma das principais consequências de um excesso de constrição da Alma Etérea (Hun) é que seu movimento ascendente inicial pode se tornar insuficiente, provocando uma estagnação do Qi do Fígado ou para ser mais exato na terminologia chinesa, uma sobre pressão do Fígado.

A repressão das emoções, as cóleras mantidas, as frustrações, as insatisfações, os ressentimentos que a vida em sociedade impõe pode levar, se forem muito intensos ou frequentes, à uma sobrepressão do Fígado. Este mecanismo pode também ser gerado por humilhações repetidas na vida a dois, no trabalho, na escola, etc. Isto provoca uma diminuição da fluidez  da circulação do Qi e, claro, das emoções no corpo todo. Disto resultam distúrbios psiquícos múltiplos e depressões mentais por insatisfação, frustração repressão das emoções.
A depressão que pode se desenvolver aqui não é provocada pela tristeza, nem pelo excesso de problemas aos quais não se chega a uma solução, nem por uma agitação do Shen que não está mais ancorado pelo Sangue do Coração, nem pela ruptura da comunicação entre Coração e Rim, nem pela insufuciencia de força de realização do Zhi. Ela advém de uma raiva interior que é consequência de um excesso de controle que bloqueia o impulso vital do Fígado-Alma Etérea, necessário ao movimento de expansão do Coração-Shen, gerador de otimismo, harmonia e felicidade. Organização Mundial de Saúde (2004).
Esta depressão por frustração, por ressentimento, por humilhação e por “castração educativa” freqüentemente encontrada na prática clínica é acompanhada de um raiva sub-jacente, dificuldade de se organizar, de planejar, de manter uma regularidade e de respostas emocionais exarcebadas e frequentemente fragilizadas.
A raiva, as crises de exteriorização durante estes estados depressivos ou nas depressões declaradas representam uma válvula de segurança quando a pressão interna é muito grande. Estes indivíduos interiorizam suas emoções, deixam-nas se acumular como ressentimentos (nem sempre de forma consciente), impedem que essas emoções escoem até o momento onde elas se tornam insuportáveis. Eles são então obrigados a deixar sair um pouco do vapor emocional pressurizado. Mas como o controle da Alma Etérea é um dominante neste terreno, este vapor não poderá ser lançado em qualquer lugar na vida social. Isso acontece no meio onde é mais fácil relaxar: a família, os íntimos. Este processo está na origem de muitas desarmonias de casais e por isso, as separações. AUTEROCHE (1992).

Critérios diagnóstico de depressão, segundo o DSM-IV, Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 4ª edição: (VARELLA2003).
Estado deprimido: sentir-se deprimido a maior parte do tempo; /  Nedônia: interesse diminuído ou perda de prazer para realizar as atividades de rotina; Sensação de inutilidade ou culpa excessiva; / Dificuldade de concentração: habilidade freqüentemente diminuída para pensar e concentrar-se; / Fadiga ou perda de energia; /  Distúrbios do sono: insônia ou hipersônia praticamente diárias; / Problemas psicomotores: agitação ou retardo psicomotor; / Perda ou ganho significativo de peso, na ausência de regime alimentar; / Idéias recorrentes de morte ou suicídio.

Os 6 principais tipos de depressão: 

1 – Depressão Maior: Os pacientes com este tipo de depressão apresentam pelo menos 5 dos sintomas listados a seguir, por um período não inferior a duas semanas:  Desânimo na maioria dos dias e na maior parte do dia (em adolescentes e crianças há um predomínio da irritabilidade). /  Falta de prazer nas atividades diárias. / Perda do apetite e/ou diminuição do peso. /  Distúrbios do sono – desde insônia até sono excessivo – durante quase todo o dia. /  Sensação de agitação ou languidez intensa. /  Fadiga constante. / Sentimento de culpa constante; / Dificuldade de concentração. - Idéias recorrentes de suicídio ou morte.
Devem ser observados outros pontos importantes: os sintomas citados anteriormente não devem estar associados a episódios maníacos (como na doença bipolar); devem comprometer atividades importantes (como o trabalho ou os relacionamentos pessoais); não devem ser causados por drogas, álcool ou qualquer outra substância; e devem ser diferenciados de sentimentos comuns de tristeza. Geralmente, os episódios de depressão duram cerca de vinte semanas (17).

2- Depressão Crônica (Distimia): A depressão crônica leve, ou Distimia, caracteriza-se por vários sintomas também presentes na Depressão Maior, mas eles são menos intensos e duram muito mais tempo – pelo menos 2 anos.
Os sintomas são descritos como uma “leve tristeza” que se estende na maioria das atividades. Em geral, não se observa distúrbios no apetite ou no desejo sexual, mania, agitação ou comportamento sedentário. Pensamentos suicidas não são comuns. Talvez devido à duração dos sintomas, os pacientes com depressão crônica não apresentam grandes alterações no humor ou nas atividades diárias, apesar de se sentirem mais desanimados e desesperançosos, e serem mais pessimistas. Os pacientes crônicos podem sofrer episódios de Depressão Maior (estes casos são conhecidos como depressão dupla. Organização Mundial de Saúde (2004)

3 – Depressão Atípica: as pessoas com esta variedade geralmente comem demais, dormem muito, sentem-se muito enfadadas e apresentam um sentimento forte de rejeição. Organização Mundial de Saúde (2004)

4 – Distúrbio Afetivo Sazonal (DAS): este distúrbio caracteriza-se por episódios anuais de depressão durante o outono ou o inverno, que podem desaparecer na primavera ou no verão – quando então tendem a apresentar uma fase maníaca. Outros sintomas incluem fadiga, tendência a comer muito doce e dormir demais no inverno, mas uma minoria come menos do que o costume e sofre de insônia. Organização Mundial de Saúde (2004).

5 – Tensão Pré-menstrual (TPM): há depressão acentuada, irritabilidade e tensão antes da menstruação. Afeta entre 3% e 8% das mulheres em idade fértil. O diagnóstico baseia-se na presença de pelo menos 5 dos sintomas descritos no tópico Depressão Maior na maioria dos ciclos menstruais, havendo uma piora dos sintomas cerca de uma semana antes da chegada do fluxo menstrual, melhorando logo após a passagem da menstruação. Organização Mundial de Saúde (2004).

6 – Pesar: os sintomas de pesar e da depressão possuem muito em comum. Na verdade, pode ser difícil diferenciá-los. O Pesar, contudo, é considerado uma reposta emocional saudável e importante quando se lida com perdas. Normalmente é limitado. Nas pessoas sem outros distúrbios emocionais, o sentimento de aflição dura entre três e seis meses. A pessoa passa por uma sucessão de emoções que incluem choque e negação, solidão, desespero, alienação social e raiva. O período de recuperação consome outros 3-6 meses. Após esse tempo, se o sentimento de pesar ainda é muito intenso, ele pode afetar a saúde da pessoa ou predispô-la ao desenvolvimento de uma depressão propriamente dita. DSM (2015).


Leia todo o estudo da colega Renata Marcondes em: http://www.centrobrasileiro.com.br/site/?p=3838

17 de março de 2017

Transtorno do pânico - tratamentos com psicoterapia e acupuntura


O transtorno do pânico é um dos transtornos de ansiedade que atualmente mais traz pessoas ao meu consultório. Isto porque há um crescente número de casos e também pelo meu estilo de trabalho e formação em psicossomática.

As pessoas com TP costumam me procurar muito assustadas, por conta do nível desorganizador do problema. Sendo assim a minha primeira ação é emergencial, está voltada a recuperação do estado de equilíbrio e segurança do paciente.

O transtorno do pânico se manifesta de forma muito intensa, dando ao paciente a nítida sensação de que pode morrer ou enlouquecer durante a crise.  O medo é fortíssimo e os sintomas físicos, que podem incluir palpitações, falta de ar, dor no peito, tremores, sudoreses, entre outros... são realmente apavorantes. Além disso, um ataque de pânico, tem seu ápice em até dez minutos, sem ter nenhuma justificativa aparente. É tudo muito rápido, deixando o paciente com uma enorme sensação de impotência, muito difícil de lidar se não tiver a devida orientação.
Por conta destas questões, acabei desenvolvido uma forma de trabalhar que compõe um conjunto de ações. As primeiras são as tidas como emergenciais: ajudar o paciente a aprender a lidar com os ataques e recuperando a confiança em sí; reequilibrar seu sistema energético e fortalecer a sua capacidade de resolução de problemas.

O tratamento segue aprimorando o diagnóstico. Cada caso é um caso e por isso terá sua própria indicação de tratamento: com o uso de medicação tradicional e psiquiatra de apoio ou não, com técnicas da Medicina Tradicional Chinesa ou não, com psicoterapia breve ou de longa duração. Isto é muito particular. Mas em todos os casos é necessário o uso de um conjunto de procedimentos informativos e técnicas que ensinam como lidar com as crises.


A Síndrome do pânico a partir da Medicina Tradicional Chinesa

Muitas pessoas me procuram querendo saber como funciona o tratamento que usa a Medicina Tradicional Chinesa. O uso das técnicas orientais tem se mostrado muito eficiente. É possível usar a acupuntura, a auriculo-terapia,  orientações de mudança alimentar na abordagem chinesa tradicional, fitoterápicos. Sempre a partir do diagnóstico. Porem eu, normalmente,  uso uma combinação de técnicas orientais e procedimentos da psicologia.
 
De acordo com a Medicina Tradicional Chinesa (M.T.C), a Síndrome do pânico está relacionada a uma associação de deficiências energéticas que acabam comprometendo todo o equilíbrio físico/psíquico/energético.  Nesta abordagem não existe divisão de corpo e mente portanto tudo que afeta a um age sobre o outro, em um conjunto de sistemas que compõe o que se chama fisiologia energética, que regula o equilíbrio e a saúde integral de uma pessoa. 

Na Síndrome do pânico os ataques começam a ocorrer quando há  o esgotamento da energia Jing, que é a essência da energia do Rim.  Entre os cinco elementos, é o órgão que se relaciona com o medo e o pânico e está representado pelo elemento Água. Esta deficiência normalmente é resultante de um conjunto de desequilíbrios que a antecedem e o bom diagnóstico destes é o que determinará o sucesso do tratamento, porem a deficiência de energia do Rim interfere  nos demais sistemas e reforça a síndrome.


Para entender melhor leia este texto, escrito pela fisioterapeuta, acupunturista Flávia Gomes, ele explica de forma muito criativa.

Imagine uma casa com todas as luzes acesas, chuveiro ligado, todos os aparelhos elétricos ligados...  O que vai acontecer depois de um tempo? Uma queda total de energia com o desarmamento do disjuntor.  Se você ligar o disjuntor novamente ou fizer uma ligação direta e não desligar os aparelhos, irá ocorrer uma queda de energia ou um curto-circuito e a casa pode até pegar fogo.
Fazendo uma analogia com o corpo humano, onde o organismo e os neurônios estão sobrecarregados, ocorre a síndrome do pânico, que poderíamos considerar como uma espécie de apagão.  O objetivo é proteger o organismo em estado de estresse, que leva a um alerta máximo; e não deixar os neurônios "torrarem".  Ou seja, a síndrome do pânico corresponde à queda do disjuntor.
Continuando a analogia entre casa e corpo humano, os remédios equivalem a fazer uma ligação direta para manter a casa em funcionamento.  O combate efetivo seria desligar os aparelhos que não precisam estar ligados e, no caso do corpo humano, combater os fatores de estresse e preocupação que geraram a síndrome do pânico.  Para isso é necessário:  relaxamento, yoga, atividade física moderada, meditação, dieta e sono regulares, psicoterapia, acupuntura.  Enfim, mudanças de hábitos de vida para que ocorra uma melhor qualidade de vida.


O Transtorno do pânico a partir da visão da psicologia e medicina ocidental

Como o transtorno de pânico costuma se manifestar? O transtorno do pânico (TP) é caracterizado pela presença de ataques de pânico recorrentes que consistem em sensação de medo ou mal-estar intenso acompanhada de sintomas físicos e cognitivos e que se iniciam de forma brusca, alcançando intensidade máxima em até 10 minutos. Os ataques costumam despertar o medo de que novos ataques aconteçam e com isto tendem a iniciar um círculo de retroalimentação do problema.
Quais são os prejuízos? Além do sofrimento psíquico e do prejuízo funcional vivenciados pelos pacientes com TP, ele está associado a uma série de outros desfechos que acabam  justifi cando  seu tratamento como um problema de saúde pública. Pacientes com TP têm maiores taxas de absenteísmo e menor produtividade no trabalho; maiores taxas de utilização dos serviços de saúde, procedimentos e testes laboratoriais; um risco aumentado, independente das comorbidades, de ideação de suicídio. Estes entre outros são o suficiente para trazer bastantes prejuízos a vida de uma pessoa.
Suas possíveis causas. Estudos prévios têm associado experiências traumáticas na infância ao desenvolvimento do TP na idade adulta. Eventos estressantes na vida adulta estão fortemente relacionados ao desenvolvimento de transtornos de ansiedade e ao TP,  sendo que cerca de 80% dos pacientes relataram estressores de vida nos 12 meses que precederam o início do transtorno. Cerca de 90% dos pacientes com TP experienciaram transição de papéis e  40% tiveram perdas no ano que antecedeu o início do TP. Fatores socioeconômicos como etnia, estado civil, grau de escolaridade e renda não parecem ser fatores de maior importância na associação com o TP. O tabagismo e a dependência de nicotina na adolescência têm sido implicados como fatores de risco para o TP na vida adulta, mas a causalidade dessa associação ainda é questionável.

Leia mais em  - Transtorno do pânico Panic disorder.  Por Giovanni Abrahão Salum1, Carolina Blaya2, Gisele Gus Manfro3

8 de março de 2017

Feliz dia das mulheres! Parabéns a todas que decidem...


Quero dar parabéns a todas que acompanho. Afinal vejo o quanto uma mulher pode, quando decide fazer mudanças, quando decide suportar, quando decide ir mais ou simplesmente ficar onde está.

Parabéns mulheres pela garra, força e permissão para se tornar critica e ativa.  Pela manutenção da capacidade de estar presente em casa, mesmo estando lá fora! Isso exige muito.

Parabéns pela determinação em crescer, neste mundo que ainda tenta ser muito "masculino" e que tenho esperança de um dia se equilibrar.

Se é oportuno comemorar o dia da mulher? Depende do que comemoramos. 
Eu gosto da oportunidade de lembrar a todas que podemos! Seja lá o que decidirmos!

Feliz dias de conquistas...
E que assim seja!

6 de fevereiro de 2017

Dúvidas sobre depressão na adolescência e seu tratamento com acupuntura.


É possível que meu filho adolescente tenha depressão e eu não esteja identificando? Sim, é possível porem é necessário ter cuidado com este diagnóstico. Atualmente a maioria das pessoas tem ideia de como a depressão se manifesta, porém a adolescência é uma fase que pode trazer a tona muitas características semelhantes com as da depressão, que são bem normais para a fase.


Na adolescência é comum e tido como normal a variação de humor, a acentuada introspecção, o aumento do recolhimento e da apatia. Também a falta de vontade de estar com a família. Eventos de irritabilidade podem estar bem presentes e até ser rotineiros, muito semelhantes aos da depressão. Crises de choro, explosões ou um tipo de silêncio que podem ser incompreensíveis para muitos pais. Isto confunde muitas pessoas e perturba pais atentos e cuidadosos.
  
Porem profissionais da adolescência tem suas características bem presentes quando avaliam possíveis problemas. E esclarecem quanto a observação do grau de intensidade  dos sintomas que estão se manifestando e o que se refere a conhecida crise normativa que acontece na fase. Tudo isto pode ser feito estabelecendo pontes com as particularidades do jovem em questão.

Atualmente se discute bastante a crise normativa, e com esclarecimentos, muitos equívocos podem ser evitados. Porém tenho acompanhado alguns casos nos quais a depressão se manifesta e que a intervenção e o tratamento levam em conta o quadro depressivo que se apresenta.

A depressão, independente da fase do desenvolvimento, pode se desenvolver lentamente, silenciosamente ou abruptamente, acompanhada ou não de sintomas físicos psicossomáticos. Os sinais podem ser diversos dependendo do caso. Existem critérios diagnósticos para identificá-la e quanto mais cedo identificar e tratar, melhor, como a maioria dos problemas.

Na Medicina Tradicional Chinesa a depressão é vista como um tipo de desequilíbrio em determinado sistema energético. Isto engloba questões emocionais, orgânicas e situacionais que estão agindo de tal forma que o paciente não está conseguindo manter um estado saudável de equilíbrio. Sendo assim, o psicólogo acupunturista avalia a situação de desequilíbrio e usa das técnicas que entender mais adequadas, incluindo, é claro, seu aporte teórico de  psicólogo.

Desta forma torna-se possível e eficiente o tratamento. Contudo a avaliação é que determinará se o paciente precisa ou não de intervenção de medicamentos tradicionais ocidentais.  Isto deve ser bem avaliado. Eu mesma posso optar pelo uso da acupuntura associada a psicoterapia, porém cada caso é um caso. Em alguns casos mais graves,  costumo optar por iniciar estabelecendo o paciente com medicamentos ocidentais tradicionais, em trabalho conjunto com um psiquiatra da minha confiança, e depois de um tempo e de melhora significativa, ir aos poucos substituindo a medicação por acupuntura ou outras técnicas. Desta forma já tive muitos casos bem sucedidos.

E quanto a acupuntura na cura da depressão? A acupuntura  funciona muito bem como terapia de apoio, um recurso auxiliar junto com fitoterapia chinesa, dietética, auriculoterapia e outras técnicas da Medicina Tradicional Chinesa. Porém minha experiência clínica de alguns anos registra que a psicoterapia é a principal técnica e mais eficiente para tratamento da depressão, esta é o que realmente cura e faz mudar o quadro, na maioria dos casos. Nada como uma boa psicoterpia que ajude o paciente a aprender a lidar com suas questões diversas, que resignifique o que não está bem, que o ajude a promover algumas mudanças. Isto é o que propicia bases sólidas, que tornam uma pessoa forte e capaz de gerenciar seu equilíbrio.