17 de outubro de 2016

Falando de tolerância - na sexualidade


A estas alturas desta série você já percebeu que ao falarmos em tolerância estamos falando também de aceitação.  Venho dizendo: a aceitação das diferenças é o que nos permite mais facilmente tolerar.

Quando falo em diferenças na sexualidade estou falando em diferença no jeito de se comportar, no que é ou não erótico para cada um, falo de fantasias, das escolhas e de um mundo próprio que envolve as opções sexuais. Tudo muito particular e construído ao longo de experiências únicas, compartilhadas ou não.

O fato é que na esfera sexual os medos são gigantes, as pessoas costumam se sentir especialmente ameaçadas por diferenças sexuais. Isto acontece por estarmos tratando do universo do desejo e este é misterioso para nós. Ninguém sabe muito bem porque deseja algo deste ou daquele jeito, porque se senti assim e, menos ainda, se tem ou não controle sobre isso. O que é complicado para os “controladores de plantão”.

Além disso, para algumas pessoas, trata-se de uma área truncada em suas vidas e de certa forma angustiante, seja por dificuldades em ser espontâneo, por se sentir preso a padrões, por se achar errado, confuso...E, diante disso, pensa que o melhor é evitar e até reagir ao que fica muito fora do padrão escolhido.

Então conviver com o diferente passa a ser desafiador. Quem está seguro das suas escolhas e convicções não teme tanto o que o outro é, mas pode querer se opor a diferença de valores contidos no jeito do outro. As vezes algo no comportamento diferente nos foi afirmado por muito tempo como ruim, feio etc.. e, talvez fosse nos valores de um determinado grupo, mas ainda é? E para você? Por que? Questionar se faz necessário.
   
Se seu companheiro ou sua companheira não é aquele modelo de “recato” esperado ou  ao contrário é “travada/o” em demasia, se tem algum tipo de comportamento que de longe você um dia imaginou em compartilhar e agora resiste mesmo sem saber porque,  se sua filha não está agindo da forma que você idealizou para ela, se seu filho escolheu namorar um menino... Isto tudo pode gerar tremendos desconfortos e reações fortes. Mas você pode escolher encarar o desafio e trabalhar possíveis aceitações, aprendendo inicialmente a permitir-se tolerar para poder experimentar conviver e, quem sabe,  chegar a conclusão que não é tão ruim assim.
   
Portanto fica a dica:

Na busca de uma vida equilibrada e saudável,  facilita reconhecer as suas convicções e o que lhe faz bem. Se isto estiver ok é importante tentar aceitar o que faz bem ao outro, se permitindo observar e se deixar avaliar aos poucos, sem tanto medo.

Se precisar converse com pessoas em busca de clarear o que é necessário e reflita sobre mudanças, sobre o que ainda está válido ou não para você,  seu casamento, sua família e o mundo. Adaptações ao novo sem agressões próprias sempre são possíveis, promovem ressignificações e fazem muito bem.
Claudia Guglieri Psiciloga - 

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