15 de setembro de 2016

Falando de tolerância – para casais.


Um dos grandes problemas dos casamentos está  na aceitação das diferenças. Aceitar que o outro pense diferente, faça outras escolhas e principalmente haja de forma diferente. Recebo casais que se encontram em conflitos até mesmo para fazer pequenas coisas juntos. Estão esgotados com o que tomam por implicâncias e magoados pelas discussões. Chegam acreditando que já não tem mais coisas em comum e não combinam mais. O que pode ser é um equívoco.

Ao longo da vida a dois as pessoas vão mudando, as necessidades e vontades vão mudando e com isso as expectativas, anseios e exigências. A vida acontece em fases e o casal passa por estas fases. Além disso, todo casal tende a se misturar sem se dar conta. Lá pelas tantas um ou os dois começam a sentir falta do que foi sendo deixado de lado para dar lugar a outras importâncias da ocasião. Mas as ocasiões passam, a fase muda. Neste processo as diferenças começam a emergir, se destacam, algumas vezes lutando para ter vez. E, com clareza ou não do que está acontecendo, a pessoa passa a agir diferente e o outro tende a reagir a isto.

Ao diagnosticar este problema a proposta é destacar as diferenças e trabalhá-las. Clareando os desejos que se manifestam, compreendendo o porquê dos incômodos e encontrando formas de lidar com tudo isso. Neste processo a grande mestre é a tolerância!

Trata-se de um rico e especial trabalho em que o casal pode rever o relacionamento a partir de novas compreensões do outro e de si mesmo. Todo casal pode se reinventar dando espaço aos desejos que reaparecem ou as novidades que vão surgindo.

Como este trabalho é realizado?
Na terapia de casal e em casos que envolvam dificuldades relacionais costumo usar uma técnica que venho desenvolvendo ao longo de 15 anos, um método que une conceitos de filosofia oriental e de Gestalt-terapia.

Trata-se da identificação de  perfis de personalidade (baseados na teoria dos Cinco Elementos da Medicina Chinesa) e do uso de exercícios e fundamentos da Gestalt-terapia. Uma composição que ajuda a entender as individualidades e suas dinâmicas relacionais. 

Com casais primeiro é necessário baixar as guardas, especialmente para o que é visto como “ataque” as diferenças. Algo bem interessante da terapia tem sido mostrar o perfil de personalidade que cada um funciona, as formas que esta pessoa elege para se expressar, o que tende a lhe afetar mais, o que lhe move, suas dificuldades etc... É especialmente positivo acompanhar o quanto cada um vai mudando o olhar sobre os jeitos do outro.

Paralelo a este processo, vou tratando as  dificuldades   que vão   aparecendo quanto as autenticidades que afetam ao outro. Sempre propondo combinações que contemplem as possibilidades de cada um e seus anseios, de forma saudável para o casal.

Para tudo isto, constantemente proponho exercícios que possam identificar os jeitos que cada um lida com as situações,  relacionando as experiências do dia a dia do casal. Esta técnica ajuda a ampliar as percepções e repensar formas de agir, ampliando a tolerância do que antes parecia intolerável.

Bem, aqui temos uma pequena parte do todo da terapia de casal. Cada casal é único e tem suas particularidades e então o trabalho será único. Mas algo é comum a maioria, a necessidade de regatar a tolerância e de equilibra-la.
   
Portanto fica a dica: O que seria dos nossos relacionamentos sem uma boa dose de tolerância? E o que seria da nossa autenticidade sem o equilíbrio dela? 

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