25 de agosto de 2016

Falando de tolerância – para pais de adolescentes


Até onde devo tolerar determinados comportamentos da minha filha adolescente? Esta foi a pergunta de uma mãe preocupada.

Aprender a tolerar trata-se de um exercício, talvez mais frequente e árduo para pais de adolescentes. A adolescência é a fase da reedição de tudo que não ficou bem resolvido nas fases anteriores. Os problemas enfrentados na infância voltam como uma oportunidade para melhorar. Daí vem a expressão: crise normativa da adolescência.

Então é necessário contextualizar, entender que comportamentos difíceis são estes e porque estão presentes.  Entendendo os porquês fica bem mais fácil tolerar e assim entrar junto no tratamento.

Me agrada traçar  uma estratégia para ajudar os adolescentes que acompanho e quando os pais participam, com o seu tanto de tolerância e aprendizados próprios, funciona muito melhor.

Mas até onde tolerar? Está aí uma boa pergunta que devemos nos fazer.

Vivemos um momento relacional de muita intolerância, mesmo que estejamos sendo chamados a atenção a todo tempo sobre a importância do respeito as diferenças, muitos de nós,  ainda não internalizaram isso como um valor fundamental,  estamos engatinhando,  fazendo ainda  pelo politicamente correto. E tudo bem! Já temos um avanço.

Tolerar a escolha do outro é difícil? Aquele jeito que não é o seu, aquela forma de responder, de reagir, de se afetar, de se emocionar tão distinta. Será que isso pode parecer ameaçador por não ter sido o que se elegeu como valores e crenças importantes? Sim, é mais ou menos por aí.

Mas será que para convivermos com diferenças precisamos abrir mão do que acreditamos? Não claro que não! Na maioria das vezes é possível negociar, achar formas e jeitos de respeito mútuo. Para tolerarmos diferenças precisamos estar certos do que somos, queremos, elegemos ... assim não nos sentimos ameaçados!

Portanto tolerar trata-se de uma arte, em que o equilíbrio entre ceder e aceitar é essencial.  Está é a grande arte dos relacionamentos.

Difícil? Um pouco com alguns grupos, algumas pessoas, em certos cenários em que vivemos. Mas gosto de pensar que é possível e que precisamos fazer a nossa parte para que isso aconteça.

No caso de  pais de adolescentes, vale ser o modelo. Um sábio adulto que exercita tolerância, respeito e a própria autenticidade e, desta forma, ensina a exercitar na prática.

Pensando assim, você pode ter certeza que saberá até onde precisa tolerar e fará bem o seu papel de pai ou mãe, presente e saudável.

2 comentários:

  1. Muito bom! E que sempre tenhamos muita paciência, pois é difícil!

    ResponderExcluir
  2. Muito bom! E que sempre tenhamos muita paciência, pois é difícil!

    ResponderExcluir