29 de julho de 2016

E quem não gosta de música?


Eu adoro, para mim trata-se quase de uma companhia. O que mais me encanta na música, perdoem-me os seus artistas, é o seu poder sobre o humor. E não estou falando só do potencial terapêutico, mas de uma grande fonte de prazer e distração.  
Não sou grande entendida do assunto, muitos de nós não somos, mas podemos aprecia-la sentindo e aí está a sua grande riqueza. Cada um com suas preferencias: da sofisticação do Erudito, a liberdade do Jazz, passando pelo tom dramático erotizado do Blues, da arte da Bossa Nova, da fácil MPB até a atual febre do Funk brasileiro, ela sempre nos provoca algo.
Música tem o dom de afetar a quem escuta e terapeuticamente nem se fala. Por estes e outros tantos motivos sou uma defensora da presença dela nas escolas como estudo, em clínicas geriátricas, de reabilitação, hospitais e indico aos pacientes,  para tornar o dia a dia mais “colorido”.
Uma das recorrentes sugestões que faço aos pais é da inclusão desta na educação dos filhos, ou melhor, que esteja presente a partir da gestação. Inúmeras pesquisas destacam seus benefícios na primeira infância, em todas as fases.
Em um seminário sobre música e medicina na Faculdade de Medicina de Harvard, em março de 2015, discutiu-se o quanto fazer música é uma ferramenta de reabilitação notável, uma vez que não só conecta o som com o sistema motor, mas também o une a um estímulo emocional e isso estimula áreas de prazer e recompensa no cérebro.
Outra pesquisa realizada pelo Dr. Nadine Gaab, professor de pediatria na Harvard Medical School e pesquisador-chefe nos laboratórios do Hospital Infantil de Boston em neurociência cognitiva, sugere que os pacientes músicos apresentaram melhor função executiva, memória de trabalho, flexibilidade cognitiva e fluidez verbal do que os não-músicos.
De acordo com Abrams, um dos participantes da pesquisa, infelizmente hoje em dia muitas escolas estão eliminando a música, de seus currículos.  Segundo ele, excluindo a educação musical “nos excluímos de uma parte fundamental de nossa humanidade.”
“As artes não são uma matéria”, disse ele. “Elas são como a comida. São necessárias para o ser humano. São totalmente parte de uma pessoa. Os cuidados com a saúde nos ajudam a permanecer vivos e fisicamente funcionais, mas queremos apenas nos manter vivos e funcionando? Precisamos de experiências significativas. Temos de ver a beleza de entrar em relações uns com os outros. É disso que se trata.”

Leia mais sobre a pesquisa realizada pelo Dr. Nadine Gaab, no link abaixo

12 de julho de 2016

O super-herói das mudanças - A criatividade!

Já a alguns anos venho me dedicado as dificuldades que envolvem mudar. Não fazemos psicoterapia para mudar, antes disso uma boa terapia deve ajudar a reconhecermos reais desejos e jeitos de ser. E, se neste reconhecimento forem percebidos impedimentos de autenticidade, anseios e sofrimentos, aparecem as necessidades de mudanças.

Em um processo de psicoterapia, normalmente, as mudanças vão acontecendo aos poucos, nas pequeníssimas questões que vão dando espaço a outras possibilidades no pensar, sentir e se experimentar. Quanto mais  nos “aproximamos” de nós e experimentamos esta aproximação, mais nos ousamos a fazer pequenas mudanças. E vale a pena!

Mas para muitas pessoas fazer mudanças é algo complicado, além disso ainda temos as questões que não podemos mudar. Aquelas questões tão profundas das fases iniciais da vida ou vividas com tamanha intensidade que resistem ao desejo de transformar. Para estas a proposta é aprender a lidar com elas. E então reafirmo que a melhor forma é se conhecer e aprender a manejar criativamente o que teima em estar presente.

Quando nos conhecemos, aprendemos a identificar estímulos externos que desencadeiam desequilíbrios, leituras errôneas das situações e repetições indesejadas. Complicado? É, ao descrever aqui parece, mas na troca terapêutica, falando sobre acontecimentos do dia a dia, fica bem mais fácil.

Então quando mudar é necessário precisamos achar as formas para isso. E é ao que me dedico, apostando no acionamento do grande “super-herói” presente em todos nós, o potencial criativo que cada pessoa tem.

Em Gestalt-terapia, criatividade e saúde são funções que andam juntas. Criar é algo vital ao ser humano e ser criativo é um modo de ser que lhe é peculiar.  Segundo o renomado estudioso da Gestalt, Joseph Zinker, “O ato criativo é uma necessidade tão básica quanto respirar e fazer amor. Somos impelidos a criar”. 

Deste modo, o que nos impedirá de usufruir das possibilidades de ser criativo? Por que não usamos este recurso que quando crianças era tão natural, tão fácil e nos fazia tão bem? Porque nos tornamos adultos rígidos em demasia, com muitas dificuldades para o novo e para mudanças necessárias.


Estas e outras são respostas que procuro encontrar com as pessoas que acompanho, muito individualmente. Pense nas suas! Talvez o potencial criativo que está em você possa lhe ajudar a equilibrar harmonicamente o seu tanto de dever e de desejo. Assim, quem sabe, você poderá se permitir ousar mais e até achar novos jeitos para a sua vida. 
Claudia Guglieri - Psicóloga -