18 de maio de 2016

Diálogos dependem de escuta


Assistir a casais que falam não se escutando e não se entendem é algo comum na terapia de casais, tanto quanto os desencontros de fala registrados pelos meus pacientes jovens e seus pais. É impressionante como os diálogos podem ficar ruins em um relacionamento. Tenho estado atenta a eles e batendo na tecla da importância da escuta.

Os adolescentes se queixam de não serem ouvidos, alegando que muito dos seus distanciamentos acontecem por isto. Dizem: Eu fico quieto, eles pedem pra eu falar, mas seu eu falar eles só brigam e entendem tudo errado.  Então eu não falo. Temos aí algo a dar crédito e investigar.  

Desta forma, passei a fazer isso e trago alguns padrões de comportamentos a serem observados por quem deseja melhorar suas interações relacionais.  Comece prestando atenção  em como a  maior  parte das pessoas que apresentam dificuldade em seus diálogos estão mais determinadas a dar contrapartida do que a ouvir.  

Mas porque isto acontece? Por vários motivos, veja alguns abaixo.

Nos diálogos de casais o mais frequente motivo está na dificuldade de dar espaço as diferenças. Quando isto acontece a escuta se torna defensiva e se aciona uma contraposição que, não raramente, já se automatizou por conta de hábitos já conhecidos. Neste caso as tentativas de defender as próprias opiniões se sobrepõe a escuta.  Disto surgem uma série de problemas que incluem longas discussões, deboches ou até mesmo o calar-se e o resultado pode ser catastrófico.

Já nos diálogos entre pais e filhos o campeão das dificuldades de escuta é a ansiedade por parte dos pais de dar o próprio parecer, palpitar. O propósito é ajudar, corrigindo “erros”, tropeços etc...mas o efeito é contrário, é de desvalidação. Outro problema tão ruim quanto está na tentativa de aliviar a angustia do filho, sem dar tempo para que este efetivamente a expresse. Um tipo de acolhimento que não acolhe, ao contrário costuma gerar sensações de banalização da experiência.

E por fim temos ainda um frequente problema de escuta presente nas em casais, pais e filhos, colegas de trabalho. Isto porque se refere mais a relações de longa data ou de grande intimidade. Trata-se do fenômeno da “escuta contaminada”. Acontece quando o interlocutor julga o que o outro vai dizer antes do termino e se mune de pré-conceitos e razões para reagir ao que pensa que será dito. Um vilão que gera muitos prejuízos.

Bem, aí você já ao que observar em seu próprio comportamento, quem sabe, para refletir em como promover mudanças. Lembre-se que quando um muda o outro tente a mudar também, mas alguém tem que iniciar.

Dialogar se aprende, escutar também e, para isso, é preciso dar tempo a fala e do outro. Uma boa coisa é tentar não adivinhar o que será dito, muito menos tentar prever o que o outro está pensando. Essa previsão não existe, mesmo que você conheça bem seu interlocutor não será ele na integra e sim um pouco de você.

Quem efetivamente escuta tende a conseguir promover diálogos claros e limpos. Quando isso acontece temos pessoas que podem ter efetividade na compreensão, no acolhimento, na troca de opiniões, quem sabe, uma maior flexibilidade com as diferenças. Grandes passos para a construção de interações gratificantes! 

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