18 de novembro de 2015

O fundamental papel dos pais na psicoterapia com adolescentes

Acompanhar adolescentes é um desafio, por vezes, complexo e trabalhoso no que tange a dedicação, mas encantador no seu desenrolar e nos resultados. Digo isso porque estes jovens costumam chegam ao consultório não querendo saber da terapia, são trazidos por pais ou cuidadores preocupados com o que estão vendo em seus filhos. E, por conta disso, iniciar o tratamento é a primeira barreira a ser vencida, entre tantas várias que vão surgindo ao longo do processo.
Tenho enfrentado, junto com alguns jovens, situações nada agradáveis que, normalmente, são resultantes do que foi se estabelecendo e formando ao longo da história de vida do jovem em sua família, escola e meio.  Fatos difíceis para quem está vivenciando, mas que estão plenamente justificadas em percalços no nascimento, nas relações familiares, no que os pais conseguiram orientar ou viver com seu filho.
Toda terapia tem seu processo, que varia de jovem para jovem e que se assemelha em alguns pontos quando se trata de um grupo tão específico. No caso da adolescência esta deve passar por um tipo de revisão das fases do desenvolvimento infantil com o jovem através de dinâmicas diversas e as vezes com os pais como convidados, para que estes possam se olhar e entender o que também precisam rever. É preciso criatividade e ousadia para isso, mas a técnica da Gestalt ajuda.
O fato é que a adolescência é a fase da revisão de tudo que aconteceu antes, neste momento se reeditam marcas, dificuldades, bloqueios e o que o jovem faz, na grande maioria das vezes é “gritar” por socorro.  E isso é uma das coisas que me encanta no trabalho com adolescentes: eles gritam! Não só verbalmente, mas em ações.  Eles dão demonstrações do que não está bem, pedem socorro esperneando ou se fechando,  “batendo a cabeça” como eu digo ou em aparentemente  “ridículos” ou desastrosos erros. E muitos deles se entocam em seus mundos deprimidos e sem ação, sendo isto também um tipo de ação.
É preciso ler! Olhar para o seu filho e entender o manifesto, mesmo que incômodo para os pais e este é um desafio para quem está junto, seja na família, escola ou terapia.
Vejo muitos dos “meus adolescentes” sofrendo quando chegam ao consultório, mesmo sem dizer. Ofereço presença, compreensão, respeito ao seu jeito de olhar e estar podendo ser. Com o tempo e com confiança o trabalho se inicia. Oriento aos pais a tentar fazer o mesmo, pois este é sempre o melhor caminho. Depois disso é preciso compreender o que está acontecendo e ver se ele consegue perceber isso de alguma forma, um segundo desafio que as vezes leva um tempinho e nem sempre se dá sem um ponto de reviravolta, que aprendi a nominar de ponto de embate terapêutico. Algo que só o tempo acompanhando jovens me mostrou como tão importante e tão difícil de vivenciar para todos os envolvidos.
Demorei a entender o que significava isso quando ouvi a sábia terapeuta gestaltista Jean Clark Juliano defender como o grande ponto do tratamento.  Trata-se de uma “luta” a favor da reorganização, luta que fica mais difícil quando eles se armam de suas forças e tentam ir adiante e os pais, sem se dar conta, por impedimentos diversos não permitem.
Porém existe algo de muita vida no ser humano e este algo briga a favor da saúde do jeito que der para brigar. Sendo assim as vezes vejo alguns jovens fazerem crises de estremecer pais e, com a ajuda deles próprios, quando brigam juntos, o jovem sai da crise e tudo se reformula. Depois disso o tratamento costuma mudar de figura, iniciando um movimento da identidade liberta.
Escrevo estas linhas para os pais que estão no processo e corajosamente se envolveram como companheiros de batalha, entram na briga. Reforço a sua importância, os  parabenizo por sua força e coragem de se rever junto com os filhos e efetivamente ajuda-los a sair do seu “turbilhão”. Vejo alguns jovens melhorando muito por conta da efetiva presença dos pais como parceiros em suas batalhas! 
Na presença verdadeira se pode aprender a andar só, com a certeza e segurança de não estar só em sua "luta" e isto é fundamental para o que se precisa fazer e para o colorido do adulto que vem surgindo.

15 de novembro de 2015

Os perfis de personalidade na Medicina Tradicional Chinesa e a Tensão pré-menstrual como forma de compreensão.


MADEIRA, FOGO, TERRA, METAL e ÁGUA
Estes são os Cinco Movimentos Naturais da Medicina Chinesa, que estão associados a perfis de personalidade. Estudo que desenvolvo a alguns anos e que se tornou uma ferramenta de trabalho -  para que na psicoterapia as pessoas possam se conhecer em seus jeitos de ser, adoecer e estar de bem com a vida. 

Esta série propõe que você descubra o seu perfil e aprenda a lidar com a sua TPM! Hoje estaremos falando da mulher do tipo Madeira e nos próximos vou trazendo os outros perfis. 

Receita mágica para a TPM? Que nada! Sem ilusões meninas, para os orientais, velhos conhecedores das coisas do ser humano,  não existe regra única e nem receita de bolo e sim muita observação e conhecimento de sí.  Cada uma de nós tem seu tipo de movimento natural que contempla, não só o seu ciclo menstrual, como o seu jeito de sentir, se relacionar, se expressar e, também de “adoecer”.


Na TPM – Uma mulher que fica mais irritada e impulsiva, do tipo “ventania”, está no sistema do Fígado/VB; outra mais voraz, comilona e que tende a encher a cabeça de preocupações está no sistema do Baço/Pâncreas/E,  aquela que fica chorosa e sensível pelo menor motivo e sente-se sem ânimo ou até deprimida está no sistema do Rim/B e aquela que fica critica cortante e demasiadamente exigente no sistema do Pulmão/IG. ( mas este ultimo está menos envolvido com a TPM, portanto menos afetado)

A Mulher Madeira e sua TPM - Quando o vento está batendo forte não tem janela que contenha, ele se impõe, entra e até invade. Desta forma é a mulher MADEIRA com tensão pré-menstrual, não consegue conter seu vento interno.

Na perspectiva chinesa, o vento é uma característica muito positiva das mulheres Madeiras. O Elemento MADEIRA é ascendente, faz crescer, florir, colorir, confere movimento e impulso, sua energia é yang (para o alto). É representado pela primavera com o movimento de brotar e o poder do nascimento. As mulheres representadas por este elemento são rápidas, ágeis, impulsionam pessoas e equipes, lideram e são muito criativas, decididas, espontâneas.... Em desequilíbrio tendem a ter impulsos de raiva, problemas de fígado ou vesícula, tem sensibilidade nos músculos, tendões e olhos e enxaquecas muito fortes. 

Na TPM... Deus do céu.... Sofrem de alterações de humor e a irritabilidade que podem dispar a partir de um pequeno estímulo de descontrole. A ansiedade pela falta de controle das situações  pode consumir com a energia trazendo primeiro irritabilidade e depois até abatimento e apatia - para algumas acompanhadas de uma sensação de depressão. Sem falar nas terríveis dores de cabeça laterais, estimuladas pelo fígado ou cólicas terríveis.  

Regrinhas básicas para prevenir... No período pré-menstrual coma menos carne e mais verduras e legumes bem clarinhos, nada de pimentas e de chocolates, eles são muito yangs e aumentam a pressão. Chá de cidreira, camomila e artemisa. Cuide do seu fígado sempre. Dormir mocinha – você é do tipo Fígado e este precisa de descanso. Outra: tenha consciência da tendência a irritabilidade e use a regra dos 5 – conte sempre até 5 antes de dizer algo neste período ou exercite a frase: Desculpe-me. E não deixe de falar e expor o que lhe incomoda, porque isso vai sair de qualquer forma e na TPM de um jeito desmedido. Se você é Madeira precisa treinar a melhor forma de comunicar o que sente. 

Para os companheiros. Como lidar com esta ferinha que está dentro e fora?
Para os homens que convivem com elas recomendo a sabedoria da “ARTE DA GUERRA”, perceba o inimigo e faça sem fazer... tente escutar e guardar para conversar depois. Tente entender os acessos de irritabilidade ou “grosseria” eles são quase  involuntárias neste momento. O melhor agora é concordar mesmo sem concordar.
Converse com sua companheira  e combine um sinal que sinalize o excesso, este pode ajuda-la a se retira para se acalmar e logo passa. DISCUTIR neste momento é PIOR, mas o assunto deve voltar após a menstruação chegar, para que não se acumule e volte de um jeito ruim.
E não a deixe com fome ou sono! Isto pode desencadear um problema e tanto... É um exercício de tolerância e tanto!

Tratamento O mais indicado dentro da perspectiva da Medicina Tradicional Chinesa  contempla uma avaliação geral do tipo de perfil e desequilíbrio do seu sistema. Depois disso, na maioria das vezes, recomendo auriculo-terapia e ajuste alimentar, conforme a natureza dos alimentos. Se necessário acupuntura e algumas boas conversas para colocar as “coisas no lugar” e aprender a lidar com a impulsividade e forma de comunicar o que deve ser comunicado, mas sem descontrole.

É isso aí... Na próxima terça-feira teremos a TPM da mulher TERRA e seu perfil de personalidade. Acompanhe!

9 de novembro de 2015

O tédio sexual nos casamentos


Tenho me dedicado a entender o tédio que acompanha a vida sexual de casais de longa data, um vilão que faz com que muitas pessoas se sintam desmotivadas com seus casamentos. Meu interesse foi crescendo na medida que aumenta o número de pessoas procurando soluções para suas frustrações na vida sexual e sofrem com tristeza a falta de satisfação de viver com quem já foram tão satisfeitos.
   
Muitos chegam esgotados com a situação e as ideias para solucionar o problema passam pela separação ou busca de mais motivação e brilho em suas próprias vidas fora do casamento, a partir de relacionamentos extra-conjugais. Vejo nisso alguns equívocos, muita confusão e um tanto de consequências que necessariamente não tem sido positivas.

É verdade que nestes temos aqueles casais que o casamento acabou mesmo, cada caso é único e particular. Por isso o meu primeiro olhar volta-se para os reais motivos da falta de sexo e de animo em compartilhar a vida. As causas podem estar escondidas em inúmeras outras razões que não estão relacionadas a não gostar e não ter prazer com o parceiro, mas atingem o sexo e a boa vida a dois.
   
Sou psicóloga, mas também uma investigadora dos pequenos e grandes movimentos que atingem a vida das pessoas.  Gosto de pensar e estimular a busca de soluções criativas saudáveis para aqueles que acompanho e para isso é preciso entender o que acontece.  Ando conversado com a mulherada e com alguns corajosos homens, que falam de sexo, sempre em busca de depoimentos que me levem a estudos mais profundos sobre este comportamento que também é social.
   
O que tenho constatado em muitas mulheres é que elas tem pensado em buscar uma solução para o tédio dos seus casamentos a partir de um caso extra conjugal e cada vez mais.  Algumas relatam que já tentaram de tudo em casa, mas não tiveram sucesso e que não sabem o que fazer com o problema do distanciamento sexual e até afetivo.

Muitas destas pensam que seus companheiros já o fazem, pois é sabido que os homens, ao longo da nossa história, solucionavam o tédio sexual do casamento buscando sexo fora. Portanto elas querem fazer o mesmo, mas esta é uma novidade para as mulheres que atualmente se sentem mais autorizadas a prática, mas perdidas na vontade e na forma de fazer.
   
Mesmo com todas as conquistas que as mulheres tem conseguido em relação a igualdade de escolhas, direitos etc., é inegável que existem diferenças significativas no jeito de se relacionar de homens e mulheres. Estas sem dúvida se justificam quando olhamos para as nossas influencias culturais, especialmente do romantismo. Homens e mulheres ainda, digo ainda porque não sabemos o que vem das novas gerações, são diferentes em seus jeitos de fazer escolhas sexuais e relacionais.
   
Desta forma “trair” é algo muito diferente para ambos os sexos. Homens normalmente buscam sexo casual e o mais distanciado possível afetivamente; mulheres buscam casos que contemplem algo que falta além de sexo, algo que entendem que deva acompanhar o sexo. Para umas um tipo de encantamento perdido, para outras o que lhes façam sentir, desejadas, importantes, valorizadas ou a própria afetividade perdida “fora da cama”.
    
Portanto buscar saciar a vida sexual fora do relacionamento pode ser uma armadilha para algumas desavisadas que optam por “trair”, elegendo alguém que contemple suas faltas que não necessariamente são só sexuais. Há um grande risco de se envolver em uma enrascada, que por vezes acaba em término do casamento e, não necessariamente em uma nova relação. Gerando mais frustração.

Já os homens que tenho conversado me parecem muito preocupados em perder suas companheiras por não saber o que fazer com o tédio sexual que abate o casal. Pois suas companheiras não são as de antigamente e se queixam, brigam e querem mais. O fato é que quando estes se sentem ameaçados pela perda vão em busca de soluções, mas só quando o esgotamento já é imenso ou quando algo “grave” já aconteceu e aí é um pouco mais difícil de ajudar. Os homens parecem lidar melhor com a falta de sexo com suas esposas, mas andam perdidos tanto quanto elas e tendem a negar o problema.
Portanto buscar sexo fora de casa não soluciona o tédio sexual de um casal? Pode solucionar o tédio sexual de quem faz, por quanto tempo depende da forma que faz como, porem pode ser um risco para a relação.  Mas isto é muito particular.

O fato é que as pessoas querem satisfação, querem estar contempladas sexualmente e estão certas! As mulheres tem gritado o problema e estão certas. Então o que fazer com a falta de ânimo com o companheiro/a? Sendo este companheiro alguém que vale apena investir e seguir junto. 
Reforço, cada casal tem suas particularidades e dificuldades, mas tem solução para aqueles que percebem que vale a pena investir na relação e não querem arriscar a perder o todo restante de bom que tem com seus companheiros.

Tenho discutido bastante em meus bate-papos e na terapia individual e de casal com os que me procuram. Sugiro olhar os seguintes temas abaixo. Estes fazem parte das confusões comuns a muitos e acabam interferindo na manutenção do prazer a dois ao longo do tempo.

Fazer amor é diferente de fazer sexo! Amor se faz em qualquer momento: vendo um filme juntos, em saídas do casal, em cuidar um do outro, dar carinho, respeitar, ouvir, ser atencioso, etc., e alimenta a importância do outro, a afetividade. Se isto é feito fora da cama não precisa ser feito na “cama” e se pode fazer sexo.  Sexo é desfrute dos corpos, excitação e estímulo de prazer nos corpos, na ideia e na fantasia erótica, é brincar, se soltar e permitir sentir, é gozo individual ou a dois, que para muitos depende de se sentir bem com a pessoa, portanto amado. Entendem a diferença? E onde quero chegar?  Isto é mais fundamental do que possa parecer.

Outra questão fundamental para os casais de longa data é diferenciar desejo e excitação.  Desejo costuma acompanhar novidade, falta,  consumo até e é basicamente visual. Você deseja o que não tem, algo que quer ter e quando se tem este desejo tende a  desaparecer, por estar saciado ou diminuir muito. Por isso manter o desejo ardente em uma relação de longa data é algo quase impossível. Manter o desejo acesso já é difícil, quando o morar junto traz uma série de atravessamentos da convivência e rotina. Portanto aconselho aos casais a trocarem o foco. Pulemos para a valiosa excitação, esta é muito mais fácil de conseguir e tem um efeito tão poderoso quanto ao do desejo. A excitação é basicamente tátil e por isso muito estimulada no toque físico, para algumas pessoas na fala, no cheiro, nos sons. Cada pessoa tem seu estímulo de excitação e seu jeito de querer ser excitado que pode ser explorado criativamente. Pule o desejo e descubra o quanto tudo pode começar se permitindo excitar e ser excitado. Desta forma um casal pode ir longe.
   

Portanto quando se fala de sexo na vida a dois é preciso estar sempre descobrindo, outras formas, outras possibilidades, mesmo que sejam os mesmos atores. As pessoas mudam, mas se o saldo for positivo vale a pena tentar limpar a sujeira que o tédio trouxe e as mágoas provocadas.