30 de agosto de 2015

Um pouco de delicadeza



"Um encontro pouco comum, entre o amor e a ternura, não tinha outra coisa. Tinha nome de flor e vivia entre as palavras. Adjetivos rebuscados, verbos que cresciam como a grama, alguns ficavam. Entrou suavemente desde o córtex até o meu coração.

Nas histórias de amor há mais que amor. Às vezes não há nenhum 'eu te amo', mas se amam.
Um encontro pouco comum. Eu a conheci por acaso no parque. Ela não ocupava muito espaço, era do tamanho de uma pomba com as suas penas. Envolta em palavras, em nomes, como o meu. Ela me deu um livro, e outro, e as páginas se iluminaram. Não morra agora, há tempo, espere. Não é a hora, florzinha. Me dê um pouco mais de você. Me dê um pouco mais de sua vida. Espere.
Nas histórias de amor há mais que amor. Às vezes não há nenhum 'eu te amo', mas se amam."



Estas são as palavras são do final do filme "Minhas tardes com Margueritte" de Jean Becker.
Um filme sobre pessoas comuns, coisas do cotidiano. Uma história sobre o encontro inesperado de Germain (Gérard Depardieu), um homem aparentemente rude, solitário e iletrado e uma senhora de 95 anos, Margueritte, (Gisèle Casadesu) que vive numa casa de idosos e que é encantada pela experiência da vida e, sobretudo, pela literatura.

Muito bonito! De uma sensibilidade e delicadeza encantadora. 



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