30 de junho de 2015

Devir nuvem - Por um amor leve

Compartilho um post muito bom dos, igualmente bons, pensadores do do Razão Inadequada -  Vinicius Lopes e Rafael Trindade. Vale a pena ler. 


"Sombra, silêncio ou espuma.
Nuvem azul
Que arrefece.

Amor – Secos & Molhados


Brincamos de descobrir as formas das nuvens… mas é exatamente isso: uma brincadeira. É uma realidade que inventamos, nos permitimos mergulhar neste hiato sem a promessa de partir e a desculpa para ter que voltar. Brincamos, porque há de se brincar. As nuvens não têm forma, não têm dever, elas têm devir. Nuvens não se deixam prender por barreiras, elas furam a cerca. Isso angustia? Mas elas vivem tão bem, leves e livres. O vento sopra as transfigura e as leva, fechamos os olhos e vemos claramente. Vemos isso e queremos ser elas, ou pelo menos sua companhia.

O devir nuvem é um conceito. Para que criar mais um conceito? Para o conceito nos criar? Ora, Deleuze já nos ensinou: conceitos nascem para responder uma pergunta: o que é o amor? Por isso fazemos de nossa página um Berçário de Ideias e mantemos um dicionário de conceitos sempre à mão. Por que devir nuvem? Para encontrar um novo amar, um novo há mar. Devir nuvem é um deixar-se levar para o alto, percorrer grandes distâncias sem esforço, mas mantendo a elegância. A nuvem dança com a terra e com o vento. Devir nuvem é atravessar um corpo sem órgãos azul turquesa.

Pense em uma nuvem igual ao corpo deste texto. Cada letra é uma partícula minúscula que o compõe. No devir nuvem, cada letra é uma molécula d’água, mas com sua singularidade. Podemos ser gelo, água ou nuvem:
  • Devir gelo: o amor gelo é um dos mais tristes. nãoháespaço, tudoestáapertado. Como é triste o amor onde as moléculas não tem espaço para se mover. Elas colonizam o espaço, elas roubam toda energia ao seu redor. Amores podem ser como vampiros (múmias, mortos vivos e outras assombrações estão nesse conjunto). Tudo é duro, denso. Amores como este podem roubar o tempo, roubar vidas, roubar intensidades, o calor, o charme. Quando percebemos, estamos sufocados, cadê o ar? Não, não queremos que o mundo termine em uma grande calota polar de sentimentos frios e egoístas.
  • Devir água: estamos em um ponto de grande fluência. Como um fluxo de palavras, um rio é um bom lugar para o amor mergulhar. (Já imaginou pular de cabeça em um lago congelado?). “Queremos fluir. Cansamos de ficar na margem olhando o rio, queremos ser o rio” (veja aqui). Mas por que o rio é um exemplo perfeito? Porque o amor nunca segue uma linha reta, porque ele se alimenta do gelo e das nuvens, porque ele deixa vida por onde passa. O rio não pode parar, este é sua bênção e sua maldição, seu medo e sua esperança. A temperatura de nosso planeta favorece a água em estado líquido, para nós isso também é possível.
  • Devir nuvem: quanto mais energia investimos em matéria de amor, mais suas moléculas ficam  s  o  l  t  a  s, ganham mais espaço para se m o v i m e n t a r, se aquecem e levantam voo. Quando colocamos um espaço entre uma letra e outra no meio da própria palavra, estamos deveras, permitindo que elas voem e sejam outras. Amor e  a m o r, são sentimentos diferentes.
  • Mas isso não é ruim?  Talvez, em momento de dificuldades poderíamos dizer “como gostaria de congelar o amor“. Mas a fraqueza costuma colocar palavras em nossa boca. Por que não dizemos: “que vontade de voar junto“? Queremos um amor que nos coloque na superfície mais lisa da terra. Pra isso é mister ser poeta e caçar para calçar as letras das nuvem, as tais gotículas que a compõem. Um poeta não quer compreender o amor, ele só quer amar e ser amado… Não somos lesmas para nos arrastar pelos vales da rotina. As nuvens dançam com elegância, dão voltas e piruetas. O mundo lhes pertence!

Amar é estar em relação. Amar é uma aposta musical, amar é um ritornelo. Mas temos andado muito carregados. Muito pesados, levamos conosco todos os conselhos paternos, toda educação sexual, todos os preconceitos, todas as novelas das 8.
Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão” – Mário Quintana
Muita bagagem… a liberdade não veste camisa de força. O espírito de gravidade (tão bem analisado por Nietzsche) é o maior inimigo de um devir nuvem. Amar seria prometer dar aquilo que não temos. Por hoje, prometemos nuvens!

Pode ser pouco… mas só queremos encontrar alternativas para a miséria sexual na qual nos afundamos. É possível que nossas relações nos ensinem novamente a voar? É possível amar sem arrastar seu amor como uma bola de ferro? Queremos devir nuvem! Ora… é sempre um perigo congelar-se, é muito bom fluir como um rio, mas queremos ora ou outra devir nuvem. Abraçar o outro como se o levássemos para dar uma volta pela vida, pelo céu, pela alegria, pelo amor.


http://razaoinadequada.com/2015/06/29/devir-nuvem-por-um-amor-leve/

26 de junho de 2015

Mulheres mais velhas em alta, desfrutando da sua sexualidade

No Brasil envelhecer está relacionado a ideia de contenção, de restrições e limitações. Não pode isso, não pode e não pode... 

Mulher velha de cabelos compridos é ridículo! Um coroa se sacudindo  em uma pista de dança na balada, nem pensar! E muito mais... 

Mas quem disse? Nós dissemos. Nós criamos e depois alimentamos e mantemos estas ideias, disse Inês de Castro no áudio que me motivou procurar a fonte da informação para compartilhar com vocês. 


Vejam o trabalho realizado por Iris Krasnow

Segundo Iris Krasnow, professora de Jornalismo e Estudos Femininos que entrevistou 150 mulheres entre 20 e 90 anos sobre os seus segredos mais íntimos, a surpresa e revelação está em descobrir que mulheres mais velhas são mais aventureiras e mais confiantes da sua sexualidade que as jovens que estão em fase de "envolvimento" ou namoro. "É a era da senhora", diz ela.
Krasnow abordou o assunto de vários ângulos, indagando sobre a atividade sexual em diferentes fases da vida: depois da faculdade, da maternidade, da menopausa e da viuvez e publicou no livro Sex After...: Women Share How Intimacy Changes as Life Changes ("Sexo depois dos...: Mulheres compartilham como a intimidade muda com as mudanças da vida", em tradução livre).
Suas entrevistadas eram de diferentes idades, classes sociais, raças, culturas e religiões. Mas o fator comum é que relatos de sexo bom estavam sempre ligados ao desenvolvimento de intimidade e conexão emocional.
"As pessoas pensam sobre o sexo até o momento em que morrem", disse Iris Krasnow, em entrevista à BBC Mundo (serviço espanhol).
E, de acordo com o que dizem, não estão só pensando, mas também praticando e se divertindo. "A era da mulher de 78 anos, frágil, enrugada e seca é coisa do passado", disse a autora.
Ela acrescentou que as mulheres entre 80 e 90 anos estão na faixa etária que mais cresce dentro da população idosa, em muitos países ocidentais. O que estamos vendo agora é não só um aumento na longevidade, mas o aumento da atividade sexual neste setor da sociedade.
Este crescimento da expectativa de vida vem com melhores remédios, mais vigor, mais exercício, melhor dieta e saúde - o que resulta numa população de terceira idade mais sexual e saudável do que antes.
Igualmente arcaico, indica Krasnow, é o mito de que as mudanças fisiológicas, como a menopausa, cirurgias de câncer ou histerectomia (retirada do útero), não permitem o desenvolvimento da atividade sexual saudável.
"Uma das minhas entrevistadas fez uma histerectomia aos 30 e, depois disso, melhorou sua vida sexual", deu como exemplo. "Também inclui no livro as histórias de mulheres de 90 que estão iniciando relacionamentos", destacou.
Segundo a especialista em Estudos Femininos, a alegada incapacidade das mulheres permanecerem sexualmente ativas na velhice é um mito perpetuado por homens mais velhos que querem firmar sua juventude e, com a ajuda de Viagra, buscam relacionamentos com mulheres mais novas.
Embora não seja necessariamente defensora do uso de medicamentos, que podem ter efeitos colaterais graves, a acadêmica argumenta que hoje há acesso a uma gama de opções de tratamentos, desde os hormonais e lubrificantes aos antidepressivos, que podem devolver o entusiasmo e a capacidade de desfrutar do sexo.
Um aspecto importante é a boa saúde, conseguida através de atividade e dieta adequadas. Outras são a preocupação com a beleza física e o estado emocional.
As pessoas que vivem um estilo de vida sedentário e comendo demais não só se sentem mal, como não gostam como se vêem, afirma Krasnow.
"Alguém com sobrepeso geralmente têm outros problemas, come para preencher um buraco em sua alma", disse ela. "Se você estiver com sobrepeso, certamente não tem boa circulação e não há irrigação para os órgãos genitais. Sexo é a irrigação", observa.
Sexo, por sua vez, prolonga a vida, assegura a pesquisadora. "Fisiologicamente, mantém o coração andando, as entranhas andando, o corpo andando, a vida andando".
Mas o mais importante no desenvolvimento de uma boa prática sexual é a conexão emocional. O sexo é melhor quando há uma emoção igualmente profunda.
Krasnow chegou a essa conclusão depois de entrevistar milhares de casais ao longo de mais de três décadas.
"Tudo parte de uma química sexual, explica, e, se essa química converte-se em compromisso e amor, o casal tem uma boa chance de sucesso e uma vida longa juntos. E se os dois estão de acordo com a evolução sexual de ambos, tudo fluirá bem", nota.
"Se você escolhe um parceiro desejado e sua mente pode se adaptar a um corpo envelhecido, sexualmente qualquer coisa é possível", acrescenta.
Nem tudo tem que ser sexo na cozinha ou de alta intensidade, Krasnow explica. Pode ser uma boa sessão de amasso ou uma massagem lenta e concentrada.
"O que pode ser melhor que isso? Sexo é o vínculo que temos com a nossa juventude. Nos mantém feliz, jovens e vivos".

18 de junho de 2015

Reinventando as relações

A partir dos anos 60 muitas das  regras estabelecidas para as mulheres, a milhares de anos, começam a mudar e  homens e mulheres se veem perdidos, em uma avalanche de novidades. As libertadoras mudanças que se iniciavam nestes anos, e ainda engatinham hoje, nos trouxeram muitos ganhos, mas também muita necessidade de adequação. 

Cada vez mais observo o quanto, por conta destas mudanças, muitas pessoas precisam rever suas formas relacionais e seus jeitos de estar amorosamente e sexualmente.
Mudaram as organizações familiares e relacionais. Um bom exemplo disto esta na atual independência da mulher para ter filhos. Isto traz uma grande mudança nos nossos valores.  É compreensível que mulheres e homens estejam perdidos e confusos em seus papeis e desejos.
Tudo está  muito rápido. Muitas vezes estamos desejando algo que faz sentido e parece lógico, mas que ainda não está internalizado e o sentimento não acompanha, dai surgem os conflitos.  
Então me pergunto: como isso tudo influencia as nossas vidas,  nossas relações amorosas, nossos papéis nos casamentos, escolhas profissionais e a nossa vida sexual? Vejo que mais do que nos damos conta.
Ao receber pessoas em crises em suas vidas amorosas e sexuais sugiro olharmos estas mudanças, entendê-las em seu processo sócio-cultural e em como estas afetam a pessoa que está ali, com seus histórico de experiências, crenças, valores.
Os valores sexuais se transformam. As crenças vindas do romantismo, cujo mando era sexo com amor vem se desconstruindo dando espaço para momentos de amor e momentos de sexo separados, mas isso é uma novidade.  São questões relevantes a se discutir, entender e, quem sabe, rever.
Elas estão presentes no tédio que acompanha a vida sexual de muitos casais, mas isso pode ser compreendido e, de um jeito ou de outro driblado. Nem tudo é tão pessoal como parece.  
As pessoas que recebo costumam se surpreender com o poder que as pequenas mudanças no cotidiano tem em suas vidas amorosas e sexuais.
E eu gosto de enfatizar que amor se faz em muitos momentos não só na hora do sexo e quando este está saciado ele nem precisa aparecer no sexo. Interessante, não?
Estas e outras questões são muito relevantes para as novas leituras dos dias de hoje. É bom poder se reinventar usufruindo da conquistada liberdade, mas sem perder o seu equilíbrio e leveza. 

8 de junho de 2015

Estímulo ao desfrute

Meninas e meninos está aí o dia dos namorados,  a ordem dos dias que se seguem é permitam-se!

E porque não? Se o encantamento está presente, usufrua, se não está, seja criativo, crie encantamentos, o que vale é ter prazer.
  
A minha dica é esquecer o blá, blá, blá do politicamente correto, do certo e errado, do que se está acostumado e aproveitar a data.
   
Se você está namorando, tem aí mais uma chance para o romance, é hora de deixar os coraçõezinhos flutuarem nas bolhas de um bom espumante e terminar a noite sobre lençóis especiais; se está encantado por alguém que só a troca de olhar lhe dá calafrios pelo corpo, coragem é a deixa para um sinal e se não for possível se permita desfrutar das sensações que acompanham as paixões platônicas, estas são ótimas; se o casamento for de longa data, aproveite para ousar, se deixe mergulhar no seu estilo mais sedutor e vá um pouco além... Vale tudo que possa agradar os desejos adormecidos. A ideia é ter prazer e aproveitar, se com romance melhor, se sem, pelo simples desfrute dos corpos.

E se as coisas não acontecerem como você previa,  aproveite para se divertir e dar umas boas risadas, porque sem rir tudo fica muito chato!