18 de maio de 2015

Mantendo os sonhos

Uma pessoa recém separada me dizia: o que mais me dói acho que é a perda do que estávamos construindo juntos.   Neste momento ele  ainda não sabia que esta perda podia  ser trabalhada, pois  era a perda da pessoa com a qual ele havia  compartilhado os sonhos  e não a perda dos seus sonhos.   E isso faz muita diferença.

Em casos como este é importante se dar o tempo do “luto”, se deixar sentir a perda da pessoa e do cenário que havia. Tudo passa!  Algumas pessoas se vão, mas deixam muito na sua passagem e isso ninguém perde.  Os cenários se modicam, mudam, mas muitas coisas podem ter continuidade. Tudo depende de como a pessoa se permite deixar ir e refaz.

É fundamental saber que os sonhos e planos não precisam ser deixados de lado, que eles podem ser adaptados e seguidos sem o outro.


"Entre a Áustria e a Itália, há uma parte dos Alpes chamada Semmering. É uma parte incrivelmente difícil de subir, muito alto das montanhas. Eles construíram um trilho nestes Alpes para ligar Viena e Veneza, mesmo antes de existir um trem que pudesse fazer a viagem. Mas eles construíram porque sabiam que, algum dia, o trem chegaria".
(do filme Sob o Sol da Toscana)


Seguir em frente é o mais importante,  o complemento vai surgindo na construção da estrada...

6 de maio de 2015

MÃES modernas suficientes

Frequentemente recebo mães culpadas em meu consultório. Mulheres que se culpam e sofrem, por não se avaliarem boas mães e procuram ajuda. O que eu faço? Escuto, acolho e vamos as releituras e adequações a mulher mãe que está ali, na sua versão mais moderna e humana.

Nas linhas abaixo escrevo sobre as principais questões que vejo angustiar a aquelas que sempre deram um lugar especial a sua carreira profissional e são mães.

Aí vai...

Os princípios básicos do bem cuidar todas sabem, estamos falando de mulheres bem informadas: a importância da figura acolhedora, o papel do vínculo afetivo, do cuidado com presença, o aprendizado da confiança na possibilidade, o respeito pela necessidade, o papel do limite... Um pacote que não se esgota aí e que vai se constituindo no balanço das experiências comuns do dia a dia. 

As dificuldades normalmente estão nestas questões, umas mais fáceis outras mais difíceis, dependendo do perfil da mãe. O erro: em achar que deve dar conta de tudo e com perfeição! A solução: ações criativas, adaptativas a possibilidade e o compartilhar.

Em primeiro lugar... Mãe falha, erra e tem coisas que não consegue tão bem assim e tão facilmente!  

Bem, para o que você não der conta, comece sendo realista e pedindo ajuda, delegando! Dificuldade de delegar estressa, sobrecarrega e   diminui a qualidade da relação e do vínculo. Depois disso, vá se adaptando, buscando algo criativo seu que dê conta da dificuldade.

Saiba que a mulher atual, a que passou muito tempo se dedicando ao estudo, a carreira e a seu crescimento pessoal, pode enfrentar muita dificuldade em sair de si, exigência maior dos primeiros meses do seu filho. Nem toda a mulher consegue dar conta disto tão tranquilamente e algumas de perfil mais trabalhador sofrem muito.

Esta é uma questão muito frequente do consultório, você não é a única! Mas tenha calma, tudo se aprende quando se tem vontade... Enquanto você se acostuma, lembre-se em voltar-se ao pai ou outros próximos, sem culpa divida mais e se permita afetar aos poucos pelo prazer de sair de si e voltar-se ao filhote.

MAS... deixe o pai fazer do jeito dele! Muitas vezes um jeitinho diferente pode ser milagroso nessas horas. E se você é do tipo chefe isto será um desafio a ser aprendido!

Em segundo lugar... Excesso de exigência.
A mãe moderna quer acertar em tudo, afinal leu e se preparou...Aí se cobra e se enche de fantasmas. Aprenda a flexibilizar! Lembre-se do seu possível! Tenho certeza que você tem uma super habilidade para uma porção de coisas e outras menos. Você é humana!

Em terceiro lugar... Atenção as adaptações!
Esta mulher que também é mãe, no inicio teve que aprender a se esquecer um bocado de sí... mas um dia se dá conta que passou a ser a  mãe do fulano/a, que está deixando a profissão e a identidade de lado e passou a sentir falta “não sei do que”. Ok é hora de voltar-se para o meio termo! Algo mais equilibrado. Não deixe de lado a mulher que você sempre foi, a conta vem mais tarde. Busque se adaptar, hoje é diferente de ontem... Abandonar-se totalmente é um grande erro!

E assim poderíamos ir muito mais...
Mas por ultimo chamo a atenção para a mulher.
Mãe pode ter desejos próprios, pode ter amigos e querer fugir de casa em muitas situações, ficar de “saco cheio” e isso não é pecado!

Você pode e deve ter tesão, querer continuar crescendo profissionalmente, participar do mundo, se sentir algo além de mãe,  sem medo de estar abandonando o seu papel. Tem uma porção de coisas que não traumatizam e só dão qualidade a relação e ao vinculo mãe e filho. Tudo é uma questão de bom senso e equilíbrio!

E, por fim, desejo a toda a mãe leitora um Feliz Dia das Mães repleto de tranquilidade e satisfação!