27 de março de 2015

Aprendendo com a solidão

Esta semana acompanhei algumas pessoas que estão no auge do seu resgate pessoal. Após o término de uma relação o movimento mais costumeiro é entender o que passou, se resgatar e aprender com os erros e com a solidão. 

Nestas situações temos a oportunidade de verificar que a solidão pode ser boa e mais, que ficar sozinho não é vergonhoso! Ao contrário, nos dá dignidade. 

Além disso, é através da qualidade da solidão que nos aprontamos para viver relações saudáveis, onde a palavra de ordem possa ser parceria e não complemento de necessidades. 

Quanto mais uma pessoa for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação  afetiva.


Todos nós devíamos ficar sozinhos de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno, se possibilitar ser e entrar em contato com nossos próprios desejos, forças e escolhas.

Na solidão, se pode entender que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro de nós mesmo e não a partir do outro.

E se nos couber novamente uma relação, porque não uma relação nos novos moldes que estão sendo propostos por ai? Relações menos projetivas e idealizadas,  sem tantas críticas ao que o outro é ou não é,  com menos cobranças e controles sobre o que se esperava... E com atenção e respeito ao outro e a si mesmo.

Um apanhado de idéias minhas 
e do texto Sobre estar sozinho de Flávio Gikovate

14 de março de 2015

Abrindo os olhos para a vida


São nas experiências que nós nos testamos e confirmamos. Quando uma situação nos toca, seja por ser prazerosa ou por acompanhar algum tipo de validação pessoal, esta faz sentido e nos faz sentir vivos!

Uma paixão pode ser o melhor exemplo disso. Esta, normalmente, é uma situação que nos afeta bastante.   Mas por que? Porque na paixão ou em um romance nós nos permitimos sentir com mais facilidade, muito por achar que a outra pessoa, e não nós, é a responsável pelo todo que estamos sentindo.
Vejam como é comum o erro de atribuímos a capacidade de “dar brilho a vida” a outra pessoa, mas esta capacidade nos pertence e não ao outro.


Esta mesma potência está em muitas outras experiências que a vida nos oferece e que nós, muitas vezes, fechamos os olhos para elas. Olhem a foto ao lado, o momento foi clicado por um amigo. Será que foi emocionante? 


No surf, para os amantes da prática, não há nada melhor que uma onda perfeita;  no “lugar” onde a música pode levar aquele que mergulha em sua melodia; no tanto da apreciação da arte, do belo, do poético que está em uma cena qualquer cotidiana;  no estudo de algo novo, que muda os sentidos de um saber;  nas simples pequenas coisas do dia a dia em família, nos sabores, no gozo...



Porem é preciso driblar o medo que nos impede de estarmos disponíveis para viver plenamente. 




Eu tenho feito minhas reflexões a respeito e percebo o quanto todos nós nos deixamos levar por algo que, de alguma forma, nos aprisiona e nos coloca nesta engenhoca mecânica de viver.

O livro Ensaio Sobre a Cegueira de José Saramago nos faz refletir sobre este medo de uma forma muito interessante.

 “O sistema que nos rege reduziu-nos à impotência” e precisamos nos esforçar para tornar a realidade diferente. É muito fácil ser pessimista, “nossa maior cegueira é não sabermos aonde nos levam e não mostrarmos nenhuma curiosidade em saber“, José Saramago.

Muito bom, me fez bastante sentido!


2 de março de 2015

Sofrência ou alegrias?


Para muitos de nós acabaram-se as férias e agora parece que realmente está se iniciando o ano. Eu particularmente adoro sair e adoro voltar. Este período de descanso parece uma visitinha ao céu, que permite recarregar as baterias para a jornada que nos espera na vida como ela é. Nestes dias de folga experimentei do livre e despreocupado tempo das coisas com os meus queridos, foi muito bom. Mas de volta ao meu bom dia a dia, sinto alegria em retomar tudo.

É verdade que aqui não é o céu, tem muito o que fazer e no tempo do relógio,  então o jeito é nos esmerarmos em fazer dos nossos dias algo bom e o mais “colorido” possível.  Para mim, só assim tem sentido. E nestes momentos é que eu penso: todo limão pode se transformar em uma boa caipirinha! Mas há que se querer!

Na quarta-feira quando cheguei tinha uma pilha de jornais na porta de casa. Separei o que poderia me interessar mais e, diante de vários temas, dois me chamaram a atenção. Uma matéria sobre o nova febre do ritmo Sofrência e a estória do vestido que troca de cor conforme os olhos que o contemplam.

Para quem não se inteirou, sofrência trata-se de um neologismo criado a partir das palavras sofrimento e carência, mas está estourando como ritmo musical que dá voz a dor. Não é o meu estilo, mas nada teria de ruim falar de dor, se não fosse pela sua exaltação a vítima sem escolha que está em nós.
 
Quanto ao vestido azul e preto ou branco e dourado, este muda de cores conforme o seu observador. Eu não posso entrar no mérito das causa deste fenômeno, li varias explicações, mas gosto da ideia de que “cada um vê com os olhos que tem”.  E isso eu verifico dentro e fora do consultório.

Mas o que tem estes dois temas em especial? Os dois dependem de quem os interpreta e de como o faz. E isso é apenas uma pequena amostra de como somos regidos pelo que olhamos, ouvimos e percebemos.

Da escolha pela vítima carente e sofredora a como você lê e entende as diferentes situações de sua vida, tudo passa pelos seus filtros. Filtros que estão recheados dos seus conceitos e crenças de vida e que o levam para estas e aquelas escolhas, estes e aqueles caminhos. E isto é fato.

Sendo assim, o melhor é tomarmos ciência disto e de que sempre podemos fazer releituras, pois a vida se atualiza e nós mudamos, as pessoas mudam. Porque não estar atento e rever aqueles conceitos que podem nos impedir de achar que voltar das férias pode ser tão bom como sair?

Se você escolher pela dor, pode ter certeza que assim será e você será o seu deus que determinará isso. Se for o inverso da mesma forma será, só que este deus que está ai dentro de você estará mais de bem com o que constrói para si, para os seus e o seu mundo.
 
Pois que seja conforme a suas escolhas. E se precisar de um empurrãozinho para algum tipo de escolha diferente, pode me procurar que eu ajudo.