11 de novembro de 2014

Eu, você e os modelos éticos


Outro dia ouvi no rádio uma entrevista que me fez pensar.

“Oito em cada dez brasileiros concordam com a afirmação de que é fácil desobedecer às leis. O mesmo percentual também tem a percepção de que, sempre que possível, o brasileiro escolhe "dar um jeitinho" para burlar alguma regra”.

A entrevista relatou os objetos da pesquisa, apontou percepções e resultados e o que me chamou mais a atenção foram os altos índices  de  descumprimentos de regras e  valorização do velho “jeitinho brasileiro” de burlar a lei.

Mas, para mim, o mais relevante foi a observação de  que muitos entrevistados se referiam a influência de modelos  de desonestidade no seu comportamento e por consequência da  sociedade. Modelos como os da nossa classe política e muitos dos nossos líderes, disse a pessoa que falava da pesquisa.  Parece que estes modelos reforçam a crença de que é esperto quem tira vantagem.

Outro dado foi que a pesquisa mostrou foi a descrença nos modelos éticos e na punição.   Algo como, se eles podem porque eu não?

Para mim, que sei pouco  de história do Brasil, mas o suficiente para me remeter a uma leitura sócio-cultural: um padrão historicamente alimentado, iniciado nos nossos primeiros dirigentes, reis e rainhas portugueses.

A pesquisa questiona sobre delitos, mas é claro as pessoas confessam seus “pequenos delitos”:  atravessar fora da faixa de segurança,  estacionar na vaga de idosos, furar filas, burlar os impostos, buscar benefícios próprios... mas que a mim envergonham muito.
 
Quem um dia não os cometeu? Eu sim, e você provavelmente também e esta talvez seja uma questão importante.  Por que os meus ou os seus são menos condenáveis?

Um tipo de comportamento que costuma me repudiar, especialmente ao perceber tentativas de tirar vantagens,  em situações que não as definem como as de direito.  Mas relativamente aceitáveis, dependendo do caso?

Bem eu sou psicóloga e o meu trabalho  é feito de leituras compreensivas e não pede, nem estimula julgamentos, deixo esta parte aos que se preparam para esta  tarefa.
 
Por isso o meu interesse com este texto é despertar. Para mim esta pesquisa serve para chamar a nossa atenção a questão e nos fazer pensar sobre a nossa parcela na manutenção destes comportamentos. Somos modelos também!

Teria eu mais direito de burlar a lei? Teria você, o seu filho e amigos o direito de ter mais vantagens?

Aqui o link para a pesquisa:

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