17 de outubro de 2014

Alzheimer - acompanhando de perto

Hoje quero compartilhar com vocês um pouco do meu aprendizado destas ultimas semanas. Vocês devem ter notado a minha ausência no blog e ela tem uma boa justificativa.

Nestes últimos dias estive acompanhando a minha querida sogra que tem Alzheimer. Foram dias de muito aprendizado, pois conhecia a teoria mas nada como a presença no dia a dia para ensinar.

Para quem ainda não sabe o mal de Alzheimer é uma doença neurovegetativa sem cura, mas atualmente com chances de  controle. Seu sintoma maior e mais comum é a perda da memória, mas a doença compromete o pensamento, a orientação de tempo e espaço e o comportamento.  A pessoa afetada parece uma criança que ainda não desenvolveu uma serie de aprendizados. A diferença é que estamos falando de um adulto criança, que reage a algumas coisas que uma criança não reagiria, especialmente as orientações de rotina.

Com ela na minha casa tive a oportunidade de sentir de perto o que acontece com a minha sogra:  a sua desorientação, a  necessidade de auxilio permanente para as mínimas coisas e o seu esquecimento de fatos e das pessoas com quem conviveu e amou ao longo da vida. Vi a sua alegria em ser atendida com carinho e, mais ainda, em ser escutada. E como é importante ouvir! Seja lá o que for. Pude observar o seu grande ajuste criativo, representado pelas saídas da realidade. Uma ação tão necessária para a sobrevivência em meio a tanto esquecimento.

Não é simples para os familiares. É difícil ver aquela pessoa, com quem se compartilhava a vida e trocava ideias, se esquecendo e perdendo estes registros. Por vezes tão sem conexão com os fatos reais. É difícil não saber lidar com coisas como as frequentes necessidades de repetições e perguntas inesgotáveis do mesmo. Também as teimosias em pequenas coisas e “brabezas” com quem tenta orientar e cuidar de uma forma que não é a esperada pelo doente.

Com a minha sogra eu realmente vi o quanto é  preciso aceitarmos o fato e entendermos o processo. Só assim conseguimos a fundamental paciência para lidar com estas pessoas que hoje dependem tanto da nossa compreensão e apoio.

E já que a informação é tão vital para a saúde de todos os envolvidos deixo para vocês a dica de um livro de fácil leitura.  


“ Quem, eu?” escrito por Fernando Aguzzoli. Um rapaz de 22 anos que acompanhou de perto a doença da sua avó, dona Nilva e fez isso de uma forma exemplar. 
Neste livro você irá encontrar esclarecimentos de psicólogos, psiquiatras, neurologistas, geriatras e até advogados e arquitetos. “Todos falam sobre questões bem pertinentes para os pacientes a para a família. Os textos descrevem situações engraçadas, aventuras até fantasiosas – características de um paciente com Alzheimer – e, ao mesmo tempo, cheias de sensibilidade e amor.


Obrigada querida por me ensinar e parabéns a minha cunhada pela dedicação e presença constante. 

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