31 de dezembro de 2013

Jogo do I Ching para 2014



Nas trocas de ano eu costumo publicar o I Ching jogado para o ano que está chegando. Um hábito antigo que contribui para a minha reflexão de virada e, depois, acompanha meus aprendizados. No livro de ensinamentos  “O grande” refere-se as maiores aprendizagens do discípulo, é para este que devemos caminhar e a partir deste viver.
Fica o convite para que você faça também as suas reflexões e desperte para a luz das lições.

2013 foi o ano do Hexagrama 9 Hsiau Ch’u  -  A Força Submissa 

Este orientava sobre a nossa incapacidade em controlar as forças que vinham para quebrar - “o pequeno” – tudo aquilo que está impedindo o crescimento, que está obscuro ou, poderíamos dizer, impuro e falso. Um ano difícil, eu disse para aqueles que me acompanhavam. Houveram obstáculos e dificuldades, mas aqueles que se entregaram as mudanças, terminam vitoriosos.  No consultório o aprendizado se deu a partir da máxima: “É preciso trocar os óculos”.  “Tente olhar diferente, observe e reflita sobre a lição e faça a sua diferença”.
É não foi fácil para muitas pessoas, mas profundamente importante para o resto das suas vidas.

Mas, vamos ao jogo para 2014. Ontem ao terminar este jogo tive um alívio - “ O pequeno parte, o grande se aproxima”.  Aí vem um ano de Paz!

Após a disciplina e o primeiro contato consciente com as forças renovadoras do espirito, as forças negativas da personalidade são absorvidas pelo poder e grandeza do espiritual. Quando o “pequeno dá lugar ao grande” o espiritual fará sentir sua presença. Céu e Terra se unem – a Imagem é a PAZ.

Em 2014 Hexagrama 11 Tai  - PAZ – O Grande se aproxima

Com a entrada do novo ano a orientação é, a partir do que se experimentou, colocar  a criatividade a serviço da sabedoria para equilibrar o percurso. A suavidade será a ferramenta mais adequada. 

Ao limpar o obscuro, ao enxergar os erros, as falhas, as más escolhas, esbarramos na tempestade e tivemos a chance de limpar. A energia ainda é de refazer, porém agora com o presente que nos é oferecido. Dar continuidade ao crescimento e a vinda do novo, porém de forma mais harmônica e em paz.

A frase que usarei no consultório chegou a mim por uma querida pessoa que acompanho e caiu como uma luva para as construções que visualizo para este ano - “ A realidade que eu sempre quis”.

A realidade que eu sempre quis, refere-se  a possibilidade de construir caminhos mais libertos dos próprios aprisionamentos. No ano que se passou aprendemos a valorizar o tanto de bom que cada situação nos traz, trocamos o foco, do percentual de negativo para o percentual de positivo de cada experiência. Tivemos a chance de aprender a olhar. Agora vamos transpor este olhar construtivo para a realidade que vivemos e dar o tom que queremos a esta realidade.

A ideia é perceber a própria força para a construção da realidade que se quer. O Hexagrama recomenda passos de paz. Quando não nos centramos no amargo deixamos que o doce harmonize e traga o bom tempero. 

Para aqueles que querem saber um pouco mais, abaixo deixo alguns dos principais aprendizados para este ano. Estes foram retirados das leituras das linhas do Hexagrama Tai , fazem parte das orientações do mestre. 

Trabalhe as limitações com sinceridade e mente penetrante; suporte gentilmente os “incultos”, cada um vai até onde pode; atravesse o rio com decisão, vencendo a inercia e o medo; não negligencie o longínquo, não abrindo mão das metas pelas quais sempre lutou; atente-se ao entorno e não só aos companheiros, é ano de doar mais aos estranhos; manter-se perseverante e sem culpa por mudar; não use o exército agora, não é propício usar a força e a violência pois teste a sabedoria de se olhar mais; e quando você achar que está pronto, seja modesto, a humildade mostra que podemos estar completos, mas nunca prontos.

18 de dezembro de 2013

Para aqueles que acham que perderam “tudo” com o afastamento da pessoa amada.



Eu sei que ter que se afastar de quem se gosta é dolorido, mas nunca o fim do amor.  Acredite, pode ser o recomeço,  de uma nova forma de se amar. Sim, é verdade que quando amamos, amamos a nós mesmos e também a partes do outro.  A doce e cruel ilusão é acharmos que é só ao outro que amamos. Portanto, quando acontece o afastamento estamos nos afastando parcialmente do que amamos. 
Fernando Pessoa coloca isso com primazia neste poema.
Você fica com você! Com a vida e com o  “tudo” , mas um tudo de possibilidades novas.  
É triste e lindo se visto assim...


Nunca amamos ninguém.
Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém.
É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos.
Isso é verdade em toda a escala do amor.
No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio
de um corpo estranho.
No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado
por intermédio de uma idéia nossa.
(Fernando Pessoa)

16 de dezembro de 2013

Caminhada...





Amar e estar em paz com o que nos acontece talvez seja um dos nossos maiores desafios, mas é também uma das maiores sabedorias da vida.  Sabedoria porque sempre o mais beneficiado será você mesmo.

Pois bem, aí vai a minha dica para que esta caminhada difícil tenha inicio. Comece ampliando a sua consciência a respeito dos seus inúteis julgamentos. Quem somos nós para julgar?  Lembre-se da famosa frase, que é mais ou menos assim:  Que a tire a primeira pedra quem não tiver pecados. Pois bem, dê uma olhadinha para você mesmo e reflita... Depois tente aceitar as diferenças, nem todos precisam agir como você. O certo e errado sempre é muito relativo. Não esqueça de estar atento a se melhorar sempre e não o outro, porque cada um sabe a pedra que lhe aperta o sapato. Ou vai saber. E por fim, não se apegue ao ruim das experiências. Este vício nos impede de amar os outros e a vida!

E seja feliz. 

13 de dezembro de 2013

Aos 43 anos

Gratidão legítima é algo que vem com o amadurecimento. É preciso uma certa dose de aceitação, de compreensão da vida e dos que nos cercam para ser afetado por ela. Digo afetado porque o que sinto hoje, no dia em que completo 43 anos, é maior que o  sentimento de gratidão. Trata-se de um estado, que me traz paz, alegria e me enche de amor.

Hoje, ao acordar, eu me dei um feliz aniversário e uns parabéns pra você, antes até do meu marido, que sempre é o primeiro. Estava feliz e nem sabia que era uma afetação pela gratidão. 

O que me resta então é agradecer e tentar espalhar um pouco disso por aí. Agradeço aos meus amigos que estão próximos e distantes, pelo carinho. Agradeço mais... a possibilidade de amar e ser amada, de estar sempre aprendendo, especialmente,  a ver o bom das experiências. Isto me deixa aproveitar a cada coisinha do tanto que nos é oferecido. Agradeço por ter coragem de fazer "diferente" do mandato e, cada vez mais, com mais suavidade. Também ao percurso, nem sempre tranquilo, as vezes suado, mas sempre em frente. Agradeço aos que tem paciência comigo e também aos que não tem, mas não desistem de mim.

Por fim, sem nunca esgotar, aos meus pais que estão sempre tentando, a minha irmã Carla, incansável companheira. A vida que aprendi a amar!

2 de dezembro de 2013

Relacionamentos saudáveis

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.

O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A ideia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que historicamente, tem atingido mais a mulher.
Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino...

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.

Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração.

Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.


O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou.

Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.

A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado: Visa à aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades.
E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. 

Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.

A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa.

As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado.

Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o  que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.

Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.
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Sobre estar sozinho
 Flávio Gikovate