6 de agosto de 2013

Acomodação de adulto

Um dos principais problemas enfrentados no mundo adulto é a acomodação, repleta de insatisfação ou em simples apatia e entrega diante da vida.

A nossa conhecida preguiça, que quando olhada com mais profundidade pode ser considerada uma fuga, um ajuste criativo ou um comportamento de perfil de caráter. Fenômenos que a psicologia se dedica a estudar.

Mas hoje quero observar a preguiça como algo vivido e repetido na vida adulta, com intensidade aparentemente leve, mas constante. Um movimento, ou melhor, não movimento que mantem o comum estado de acomodação. Algo sorrateiro que simplesmente vai se estabelecendo no cotidiano das pessoas e que, por parecer o mais normal do mundo, não é questionado.
  
Acho que tudo se aprende e se entregar a acomodação é mais uma destas coisas aprendidas e repetidas. Quando a pessoa, de alguma forma, entende que chegou a um ponto que deveria para, mas de um jeito que pode ser negativo. Negativo quando impede de continuar com brilho nos olhos, com animo e disposição para experimentar, seja lá o que for e der colorido ao cotidiano.
    
Não me impressiona que a adolescência esteja sendo tão cultuada e se estenda por tanto tempo, não permitindo que muitos jovens se tornem adultos e que alguns vários adultos continuem agindo como tais. Os adultos tem dificuldade para serem adultos e continuarem se  renovando, se alimentando de o que lhe dá prazer e sentido. Por que? Por inúmeros porquês e cada um vai saber justificar bem o seu.

Ontem mesmo eu tentava ajudar uma mãe preocupada com o seu filho adolescente, aparentemente viciado em jogos no computador, nós víamos a questão da fuga do menino.  Quando esta se foi, recebi uma mulher que se queixava do mesmo comportamento do seu marido, só que nas redes de relacionamento. Observamos, neste caso, a nítida fuga que representava gratificação no outro.
Porem, não se trata do objeto em si, nós poderíamos estar falando aqui do controle remoto da TV, da novela, de alguma trilogia romântica de sedutores, dominadores ou vampiros  estupendos. Ações que costumam levar a realidade a caminhos sem volta e mudanças desnecessárias, com perdas significativas.
  
O problema é ficar ali parado, repetindo o conhecido, fugindo e esperando um resgate mágico que vem de fora, quando o verdadeiro resgate está dentro, está na própria pessoa. Quando a solução vem de fora, normalmente, trata-se de uma distração de algo interno maior e não resolve.
  
Se reinventar, dar colorido a vida, nas pequenas coisas que seja, buscar o que se tem para aprender ou reviver exige um tipo de esforço, mas que vale muito a pena.
  
Veja bem, não precisa mudar de emprego, pois é bem possível que você esteja se fechando para o que ainda pode desenvolver em você dentro da sua área. Muito menos trocar de esposa ou marido, se a “salvação” não está fora e nem em ninguém, está em se reinventar na sua relação.

Desacomode-se! Reaja! Olhe por outro ângulo, eu tenho certeza que aí em você tem alguns segredos não revelados, nuances de habilidades, alguns desejos reprimidos e alguma coisa guardada bem de cantinho. 

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