3 de julho de 2013

Filho adolescente? Quando conversar for difícil.


A adolescência é, para muitos pais, a fase mais difícil quando falamos em interações e diálogo com os filhos. O que acontece é que os jovens desenvolvem vários mecanismos para se proteger do que eles acreditam ser invasão e intromissão em suas coisas mais particulares, tornando-se especialistas em desvios, fugas e recuos.

Diante disso se comunicar não é fácil e, como a comunicação é a melhor fonte de informação sobre o que ocorre em suas vidas, isto torna-se um grande problema. Daí que, muitos pais, se angustiam por não saber o que está se passando com os filhos. Alguns dizem que nem tem ideia do que se passa na cabecinha deles e acabam adotando uma postura de cobrança de mais presença e os interrogam para saber o que acontece fora de casa. Porém isto é sempre algo muito incomodo e que, normalmente, não funciona, pois pode tornar-se uma batalha onde um tenta avançar e o outro se defende.

Nos bate-papos que realizo com os pais uma fala comum é: mas eu só quero trocar uma ideias e o meu filho/a não diz nada, só escuta e de repente pergunta: Terminou?

Um tipo de comportamento que desamina e dá a ideia de que existe um abismo entre pais e filho. Mas o que fazer nestes casos?
Em primeiro lugar eu diria que entender que este distanciamento é "normal"e até esperado. Eu venho tratando disso em muitos dos meus textos e conversas com pais, sempre na tentativa de desmistificar muitos dos comportamentos da fase, tranquilizar os pais e assim melhorar não só as interações, mas a compreensão do que acontece com os filhos.

É preciso ter claro que, em muitos níveis, este afastamento ocorre para que se possam realizar as diferenciações de identidade e que o tipo de relação que se estabelecer favorecerá a construção da noção de liberdade-responsabilidade, um dos maiores desarios dos jovens de hoje.

Portantgo, busque descobrir um bom jeito de conversar com seu filho tentando dar voz a ele, respeitando as suas ideias e especialmentte descobrindo jeitos de lidar com as "fantasias" e construções de valores dele - as vezes diferentes dos seus.

Acredite, só ouivindo e acolhendo as ideias deles é que você vai conseguir ser ouvido nas suas e, assim continuar ensinando. O momento é de ouvir mais do que falar e, com boas doses de paciência, tente desenvolver a "arte de observar". Em todas as fases a observação e o exemplo ajudam muito, mas especialmente nesta onde muitas tentativas de explicar são tratadas como discurso moralista. Esteja presente e observe; escute e demonstre. Ajuda bastante também conhecer os amigos e, nas chances, conversar com eles, muitas vezes estes são menos defensivos.

Abaixo eu seleciono algumas das perguntas que a colega, psicoterapeuta Blenda Mercelletti, sugere ao site MinhaVida para facilitar a comunicação e diálogo com os filhos.

Dê uma olhada, pois perguntar a opinião sobre qualquer assunto, mostrando que você só está "batendo um papo", pode criar um diálogo aberto e, até mesmo, orientar sem que seu filho sinta-se pressionado.

1. Como passou seu dia? De acordo com a psicanalista Blenda Marcelletti, os cuidados dever ser redobrados quando os pais conversam com os adolescentes.  Os adolescentes são excelentes observadores do comportamento do adulto. "Quando percebem que o interesse pelos assuntos é para aumentar o controle ou as proibições, eles costumam mentir, distorcer ou manter uma certa distância, evitando qualquer situação de proximidade". Os pais devem garantir que estão abertos para ouvir e essa pergunta aparentemente "banal", é uma forma de iniciar um diálogo sem se dirigir para um assunto específico.
2. Quais os amigos que mais gosta? O que eles tem que você admira? A vida social e a forma como o adolescente constrói suas amizades têm um enorme valor para ele. "Perguntando isso, os pais podem conhecer melhor os valores e as crenças que estão presentes no dia a dia do adolescente".
3. Qual a sua opinião sobre este assunto? É importante conversar sobre tudo limites, amizades sexo, drogas, gravidez, estudos e profissão. Os adolescentes dever ser orientados sobre tudo o que passará a fazer parte do seu universo de agora em diante e é previsível que ele seja orientado por quem já passou por essas experiências. Inicialmente, os filhos podem ficar constrangidos ao serem abordados por esses temas, mas os pais demonstrando calma, paciência e naturalidade com o assunto conseguirão "quebrar o gelo".
4. O que você faria se estivesse no lugar dos pais, da professora ou do amigo? Com esta indagação você conhece melhor os valores que seu filho está nutrindo. "Colocar-se no lugar do outro é um importante exercício para a cidadania".

Leia a entrevista com Blenda Marcelletti 

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