31 de julho de 2013

Como agir com estas criaturinhas que tem corpo de adulto, se dizem crescidos, exigem respeito pela idade, mas ainda se comportam de forma imatura? 
Aí vai mais uma contribuição para ajuda-lo nesta pergunta difícil de responder. 

Estou trazendo hoje algumas das mudanças cerebrais que mais interferem nestas questões. Porem não se esqueça que existem, para cada fase do desenvolvimento,  uma serie de similaridades, mas que cada um destes garotos e garotos é único em suas questões. O que o seu filho mostra está refletindo o tipo de cultura que ele está inserido, fala da organização da família, dos seus aprendizados infantis e, por fim do seu perfil de temperamento e personalidade.

Deixo mais uma vez o convite para os encontros abertos com pais. Estes são bem esclarecedores. Informe-se dos dias e locais no telefone (51) 33337052.

Aproveite a leitura!

10 fatos que os pais devem saber sobre o cérebro dos adolescentes.      

1- Período crítico de desenvolvimento
Vagamente definida como o período entre 11 a 19 anos, a adolescência é considerada um período crítico de desenvolvimento – e não apenas na aparência.
“O cérebro continua a mudar ao longo da vida, mas há grandes saltos no desenvolvimento durante a adolescência”, explica Sara Johnson.
E assim como um adolescente pode passar por um processo de crescimento desajeitado, ele pode também adquirir novas habilidades cognitivas e competências durante essa fase da vida, conta Sheryl Feinstein, autora da obra “Dentro do Cérebro Adolescente: Ser Pai é um Trabalho em Progresso”.
“Os pais devem entender que não importa quão alto o seu filho já está ou quão adulta sua filha se veste, eles ainda estão em período de desenvolvimento, que irá afetar o resto da sua vida”.

2 – Cérebro ainda florescendo 
Os cientistas costumavam pensar que apenas bebês possuíam uma superabundância de conexões neuronais, que são “podadas” em um arranjo mais eficiente ao longo dos três primeiros anos de vida.
No entanto, estudos de imagens cerebrais feitos nos últimos anos descobriram que uma segunda explosão de brotamento neuronal acontece logo antes da puberdade. O pico ocorre aos 11 anos para as meninas e aos 12 nos meninos.
As experiências de adolescentes – desde ler romances de vampiros até aprender a dirigir – moldam esta nova massa cinzenta, seguindo principalmente a estratégia de “use ou esqueça”. A reorganização estrutural continua até os 25 anos de idade, apesar de pequenas mudanças permanecerem por toda a vida.

3 – Novas competências mentais
Devido ao aumento da massa cerebral, o cérebro adolescente se torna mais interligado e ganha poder de processamento.
“Adolescentes começam a ter as habilidades computacionais e de tomada de decisão de um adulto, caso tenham determinado tempo e acesso à informação”.
Porém, no calor do momento, suas decisões podem ser excessivamente influenciadas pela emoção, tendo em vista que seus cérebros confiam mais no sistema límbico (o banco emocional do cérebro) do que o córtex pré-frontal, mais racional, conta Feinstein.
“Esta dualidade de competência do adolescente pode ser muito confuso para os pais”, comenta Johnson. Isso significa que, por vezes, os adolescentes fazem coisas estranhas como socar a parede ou dirigir rápido demais, mas quando perguntados da razão, eles não conseguem achar motivos racionais para seus atos.

4 – Birras adolescentes
Adolescentes estão no meio da aquisição de novos conjuntos de habilidades incríveis, especialmente quando se trata de comportamento social e pensamento abstrato.
Entretanto, eles ainda não são bons em usar essas novas capacidades mentais. E quem acaba sendo os cobaias? Principalmente, os pais. Muitos adolescentes veem o conflito como um tipo de autoexpressão e podem ter dificuldade para se concentrar em uma ideia abstrata ou para compreender o ponto de vista dos outros.
Assim como quando se lida com as birras de primeira infância, os pais precisam se lembrar de que o comportamento teen “não é uma afronta pessoal”, aconselha Johnson.
“Eles estão lidando com uma enorme quantidade de informações sociais, emocionais e cognitivas, e têm habilidades subdesenvolvidas para lidar com isso. Eles precisam de seus pais – as pessoas com o cérebro adulto mais estável – para ajudá-los, mantendo a calma, ouvindo-os e sendo bons modelos”, acrescenta Feinstein.

5 – Emoções intensas
“A puberdade é o início de mudanças importantes no sistema límbico”, diz Johnson, referindo-se à parte do cérebro que não só ajuda a regular o ritmo cardíaco e os níveis de açúcar no sangue, mas também é fundamental para a formação de memórias e emoções.
Parte do sistema límbico, a amídala liga as informações sensoriais às respostas emocionais. O seu desenvolvimento, juntamente com as alterações hormonais, pode dar origem a novas experiências intensas de raiva, medo, agressividade (inclusive para si mesmo), excitação e atração sexual.
Ao longo da adolescência, o sistema límbico está sob maior controle do córtex pré-frontal, a área logo atrás da testa, associada com o planejamento, o controle de impulsos e o pensamento de ordem superior.
Enquanto outras áreas do cérebro começam a ajudar a processar a emoção, os adolescentes mais velhos ganham mais equilíbrio nesta área. Até lá, porém, muitas vezes eles são mal-interpretados por professores e pais, diz Feinstein.
“Você pode ter todo o cuidado possível e ainda assim causar choro ou raiva porque eles simplesmente interpretam mal o que você diz”, completa.

6 – O prazer de ter amigos
À medida que os adolescentes se tornam melhores no pensamento abstrato, sua ansiedade social aumenta, de acordo com pesquisas.
O raciocínio abstrato torna possível considerar as perspectivas a partir dos olhos do outro. Os adolescentes podem usar esta nova habilidade para especular sobre o que os outros estão pensando deles. Em particular, a aprovação dos amigos tem se mostrado altamente gratificante para o cérebro adolescente, conta Johnson, e pode ser a razão pela qual adolescentes são mais propensos a correr riscos quando outros adolescentes estão ao redor.
“Crianças realmente se importam com parecer ‘legais’, nem é preciso uma investigação sobre o cérebro para saber isso”, disse ela.
Amigos também fornecem aos adolescentes uma oportunidade para aprender habilidades como negociação de compromisso e planejamento em grupo. “Eles estão praticando habilidades sociais de adultos em um ambiente seguro, e realmente não são bons nisso no começo”, conta Feinstein. Assim, mesmo que tudo que eles façam seja conversar com seus amigos, os adolescentes estão trabalhando duro para adquirir habilidades importantes para a vida.

7 – A percepção de riscos
“Os freios são acionados um pouco mais tarde do que o acelerador do cérebro”, compara Johnson, referindo-se ao desenvolvimento do córtex pré-frontal e o sistema límbico, respectivamente.
Ou seja, “os adolescentes precisam de doses mais elevadas de risco para sentir a mesma quantidade de emoção dos adultos”, explica.
Juntas, essas alterações podem tornar os adolescentes vulneráveis ​​ao envolvimento em comportamentos de risco, tais como uso de drogas, envolvimento em brigas, etc. Ao final da adolescência, aproximadamente dos 17 anos em diante, a parte do cérebro responsável pelo controle dos impulsos e pela perspectiva de longo prazo ajuda os adolescentes a refletir melhor sobre alguns dos comportamentos que eles tiveram no meio da adolescência.
Então, o que um pai pode fazer? “Continuar sendo um pai para seu filho”, afirma Johnson. “Como todas as crianças, os adolescentes têm vulnerabilidades específicas de desenvolvimento e precisam que os pais limitem o seu comportamento”, acrescenta.

8 – A importância (ainda) grande dos pais
Segundo Feinstein, um levantamento com adolescentes revelou que 84% pensa muito em sua mãe e 89% em seu pai. E mais de três quartos das adolescentes gostam de passar tempo com seus pais: 79% curtem a presença da mãe e 76% gosta de se divertir com o pai.
Uma das tarefas da adolescência é a separação da família, o que cria uma certa autonomia, observa Feinstein, mas isso não significa que os adolescentes não precisam mais dos pais – mesmo que digam o contrário.
“Eles ainda necessitam de algum apoio e procuram seus pais para fornecer esse apoio”, explica. “Um pai que decide tratar o filho de 16 ou 17 anos como um adulto está se comportando de forma injusta e condenando-o ao fracasso na vida adulta”.
Uma das melhores maneiras de ser um bom pai para um adolescente, além de ser um bom ouvinte, é ser um bom modelo, especialmente ao lidar com o estresse e outras dificuldades da vida. Os adolescentes estão constantemente tentando descobrir como superar esses novos desafios, e observar os pais nessas situações é natural.

9 – A necessidade (ainda) grande de sono
É um mito que os adolescentes precisam de menos sono que as crianças. Ambos necessitam de 9 a 10 horas por noite, embora a maioria não atinja a marca desejada. Parte do problema é uma mudança no ritmo circadiano durante a adolescência. “Faz sentido para o corpo do adolescente levantar mais tarde e ficar acordado até mais tarde”, diz Johnson.
Porém, devido aos horários das aulas, muitos adolescentes acumulam o débito de sono e “tornam-se cada vez mais prejudicados cognitivamente”, comenta Johnson. A privação de sono só agrava o mau humor e atrapalha a tomada de decisão. Além disso, o sono auxilia na reorganização crítica do cérebro adolescente.

10 – “Eu sou o centro do universo – e este universo não é bom o suficiente!”
As alterações hormonais na puberdade têm enormes efeitos no cérebro, uma das quais é o estímulo à produção de mais receptores de ocitocina.
Enquanto a ocitocina é frequentemente descrita como o “hormônio do vínculo afetivo”, a maior sensibilidade aos seus efeitos no sistema límbico também tem sido associada à sensação de autoconsciência, fazendo com que um adolescente realmente pense que todos estão olhando para ele. Segundo pesquisadores, esses sentimentos atingem o pico em torno dos 15 anos de idade.
Embora isso possa fazer com que um adolescente pareça egocêntrico (e em sua defesa, eles têm que enfrentar muita coisa acontecendo ao mesmo tempo), as mudanças no cérebro adolescente podem igualmente impulsionar alguns dos esforços mais idealistas enfrentados pelos jovens ao longo da história.
“É a primeira vez que eles estão vendo a si mesmos no mundo”, diz Johnson. Seu sentido de maior autonomia abre os olhos para o que está além de suas famílias e da escola. “Eles estão se perguntando talvez pela primeira vez que tipo de pessoa querem ser e que tipo de lugar querem que o mundo seja”, acrescenta.

Na integra no site

http://hypescience.com/10-fatos-que-os-pais-devem-saber-sobre-o-cerebro-dos-adolescentes/

25 de julho de 2013

Novas datas para os eventos abertos a comunidade



Em função das férias de julho o Bate-papo 
com pais de adolescentes foi transferido 
para o dia 09/08/2013

Confira as datas e inscreva-se 
Vagas limitadas!
Telefones - (51) 33337052 –  96757180


Bate- papo Com Pais - dia 09/08/2013
Tema: Filho adolescente? Quando a comunicação é difícil ...
Horário: 14hs
Local: Consultório Zona Sul - Rua Armando Barbedo 480 sala 503 , Tristeza.

Bate-papo Com Adolescentes - dia 08/08/2013
Tema: Fazendo escolhas, definindo caminhos ...
Horário: 14hs
Local: Clinica Yucatan – Rua Freire Alemão 366 , Mont Serrat.

Mais informações no celular - (51) 96757180

Todos serão muito bem vindos!
Aguardo o seu contato

23 de julho de 2013

Lembranças do frio


Ontem voltando do trabalho vi o frio nas ruas vazias de Porto Alegre e imediatamente me ocorreu que este pode ser uma delícia para quem tem conforto e bem difícil para quem não tem. Lembrei dos dias de frio da minha infância, em uma casa muito simples.

Eu sempre digo que o yin do frio estimula a introspecção e, agora com bom humor, me remeti  ao antigo chuveiro elétrico. Quem teve um chuveiro daqueles que quanto mais fechado mais quente ficava? Pois é, o da minha casa era um do tipo que o  banho era aos pingos e se o frio fosse muito  forte o jeito era recorrer a uma tecnologia de aquecimento na latinha. Nossa funcionava!

Lembrei também do longo trajeto até a escola as sete e trinta da manhã, pois naquela época as crianças iam andando para o colégio e eu nunca faltava,  adorava ir a aula. Mas nem tudo era tão ruim, agora escrevendo me vem água na boca com a lembrando das noites em que o jantar era pinhão – muito pinhão. Sem falar nas gemadas com leite quente, super eficientes e gostosas que a minha mãe levava para nós tomar na cama. E ninguém escovava os dentes depois, algo que me custou um pouco caro quando adulta.
  
São lembranças de invernos, umas muito boas e outras não. Mas eu sempre digo: a historia de alguém é o que faz este alguém ser a pessoa que é.  E quando esta história pode ser valorizada no seu todo muito aprendemos.
  
Tenha certeza, a sua história é o que da corpo a uma possível combinação especial que é você! Esquecer o que se foi, onde, como, os sentimentos nos distanciam de nós e do que de fato tem valor.  Por isso se você está ai agora lendo isso e se lembrando do bom e do ruim dos seus dias de frio seja grato e alegre-se, você está com você.

Por fim, ao entrar em casa ontem eu fiquei grata a la vida que me a dado tanto.  Havia fogo na lareira e uma sopa me esperando. Hoje ao sair do consultório devo passar em algum lugar para pegar pinhão, mas confesso que vou substituir a gemada por um tão mais cremoso chocolate quente, pois é bom saber mudar rsrsrsrs.

Curta o seu inverno do melhor jeito possível, pois este já faz parte. Gemada, pinhão, dormir de conchinha, reunir amigos, sopas, muita sopas de diferentes tipos, vinho tinto que delicia! E, é claro, não esqueça de passar adiante os agasalhos que estão em excesso, lá fora faz muito frio.  

15 de julho de 2013

Do livro O Significado da Felicidade

Encarada de forma tão confusa e aparentemente misteriosa, a questão da felicidade está longe da simplicidade. É extremamente complexa porque, de fato, é incrivelmente simples; sua solução está tão próxima de nós e é tão óbvia, que nós temos a maior dificuldade em vê-la; devemos complicá-la a fim de focalizá-la e sermos capazes de discuti-la.

Isso pode parecer um terrível paradoxo, mas diz-se que um paradoxo é apenas uma verdade de ponta cabeça para chamar atenção. Pois há certas verdades que têm de estar de ponta-cabeça para que possam ser notadas; geralmente elas são tão simples, que deixamos de percebê-las. Nossas próprias faces são um exemplo disso. Nada poderia ser mais óbvio e auto-evidente do que a própria face do homem, mas muito estranhamente ele não pode vê-la de forma alguma, ao menos que ele introduza o artifício de um espelho que lhe apresenta a imagem invertida. A imagem que ele vê é a sua face, todavia, não é sua face; e isso é em parte um paradoxo. E eis aqui a razão de toda a nossa incerteza e ambigüidade a respeito das coisas do espírito, porque, se nossos olhos não podem se ver, tanto menos aquilo que se vê através dos olhos poderá ver a si mesmo.

Então, nós temos que encontrar algum modo de superar a dificuldade, algum meio de compreender a coisa mais óbvia do mundo, uma coisa que é geralmente negligenciada, porque nossos pensamentos e sentimentos estão sendo conduzidos por canais muito mais complicados. Para vê-la eles têm que se rebaixar a um nível de humildade, não temeroso e prostrado, senão com a mais direta e infantil abertura de espírito – “pois Ele depôs o poderoso de seu trono e exaltou o humilde e o sereno”. Não é de surpreender portanto, que essas mais profundas verdades do espírito freqüentemente passem despercebidas por pessoas da mais brilhante e penetrante inteligência.

Isso não quer dizer, contudo, que serão mais facilmente entendidas, pela mera falta de intelecto. Tal introspecção não vem nem com o esplendor, nem com o embotamento da mente visto que se um é iludido pelo seu próprio brilho, o outro simplesmente omite seu registro.

Para compreender simplicidade tão extraordinária, deve-se apenas abrir os olhos do espirito e ver; não há segredo nisso, porque ela está diante de nós, à luz do dia, tão grande como a vida. Nas palavras do sábio chinês Tao-wu, “se você a quer ver, olhe-a diretamente, mas se você tentar nela pensar, se desvanecerá”.


Portanto, quando se diz que aqueles que buscam a felicidade nunca a encontram, talvez seja mais adequado dizer que não há necessidade de procurá-la. Como nossos próprios olhos, ela está nos acompanhando o tempo todo; mas quando nos voltamos para tentar vê-la, nós nos iludimos.


Trecho do prefácio do livro O SIGNIFICADO DA FELICIDADE, de Alan W. Watts, Ed. Pensamento

6 de julho de 2013

Que não seja necessário mil anos 
para que a barba cresça 
para que as patas sejam quatro
Que a força da gratidão seja maior! 


3 de julho de 2013

Agenda dos próximos eventos abertos a comunidade

Inscreva-se pelo telefone: (51) 33337052

Bate- papo Com  Pais - dia 26/07/2013
Tema: Filho adolescente? Quando a comunicação é difícil 
Horário: 14hs 
Local: Consultório  Zona Sul -  Rua Armando Barbedo 480 sala 503


Bate-papo Com Adolescentes  - dia 08/08/2013
Tema: O que é ser bem sucedido? Fazendo escolhas.   
Horário: 14hs 
Local: Clinica Yucatan – Rua Freire Alemão 366 Mont Serrat.  

Filho adolescente? Quando conversar for difícil.


A adolescência é, para muitos pais, a fase mais difícil quando falamos em interações e diálogo com os filhos. O que acontece é que os jovens desenvolvem vários mecanismos para se proteger do que eles acreditam ser invasão e intromissão em suas coisas mais particulares, tornando-se especialistas em desvios, fugas e recuos.

Diante disso se comunicar não é fácil e, como a comunicação é a melhor fonte de informação sobre o que ocorre em suas vidas, isto torna-se um grande problema. Daí que, muitos pais, se angustiam por não saber o que está se passando com os filhos. Alguns dizem que nem tem ideia do que se passa na cabecinha deles e acabam adotando uma postura de cobrança de mais presença e os interrogam para saber o que acontece fora de casa. Porém isto é sempre algo muito incomodo e que, normalmente, não funciona, pois pode tornar-se uma batalha onde um tenta avançar e o outro se defende.

Nos bate-papos que realizo com os pais uma fala comum é: mas eu só quero trocar uma ideias e o meu filho/a não diz nada, só escuta e de repente pergunta: Terminou?

Um tipo de comportamento que desamina e dá a ideia de que existe um abismo entre pais e filho. Mas o que fazer nestes casos?
Em primeiro lugar eu diria que entender que este distanciamento é "normal"e até esperado. Eu venho tratando disso em muitos dos meus textos e conversas com pais, sempre na tentativa de desmistificar muitos dos comportamentos da fase, tranquilizar os pais e assim melhorar não só as interações, mas a compreensão do que acontece com os filhos.

É preciso ter claro que, em muitos níveis, este afastamento ocorre para que se possam realizar as diferenciações de identidade e que o tipo de relação que se estabelecer favorecerá a construção da noção de liberdade-responsabilidade, um dos maiores desarios dos jovens de hoje.

Portantgo, busque descobrir um bom jeito de conversar com seu filho tentando dar voz a ele, respeitando as suas ideias e especialmentte descobrindo jeitos de lidar com as "fantasias" e construções de valores dele - as vezes diferentes dos seus.

Acredite, só ouivindo e acolhendo as ideias deles é que você vai conseguir ser ouvido nas suas e, assim continuar ensinando. O momento é de ouvir mais do que falar e, com boas doses de paciência, tente desenvolver a "arte de observar". Em todas as fases a observação e o exemplo ajudam muito, mas especialmente nesta onde muitas tentativas de explicar são tratadas como discurso moralista. Esteja presente e observe; escute e demonstre. Ajuda bastante também conhecer os amigos e, nas chances, conversar com eles, muitas vezes estes são menos defensivos.

Abaixo eu seleciono algumas das perguntas que a colega, psicoterapeuta Blenda Mercelletti, sugere ao site MinhaVida para facilitar a comunicação e diálogo com os filhos.

Dê uma olhada, pois perguntar a opinião sobre qualquer assunto, mostrando que você só está "batendo um papo", pode criar um diálogo aberto e, até mesmo, orientar sem que seu filho sinta-se pressionado.

1. Como passou seu dia? De acordo com a psicanalista Blenda Marcelletti, os cuidados dever ser redobrados quando os pais conversam com os adolescentes.  Os adolescentes são excelentes observadores do comportamento do adulto. "Quando percebem que o interesse pelos assuntos é para aumentar o controle ou as proibições, eles costumam mentir, distorcer ou manter uma certa distância, evitando qualquer situação de proximidade". Os pais devem garantir que estão abertos para ouvir e essa pergunta aparentemente "banal", é uma forma de iniciar um diálogo sem se dirigir para um assunto específico.
2. Quais os amigos que mais gosta? O que eles tem que você admira? A vida social e a forma como o adolescente constrói suas amizades têm um enorme valor para ele. "Perguntando isso, os pais podem conhecer melhor os valores e as crenças que estão presentes no dia a dia do adolescente".
3. Qual a sua opinião sobre este assunto? É importante conversar sobre tudo limites, amizades sexo, drogas, gravidez, estudos e profissão. Os adolescentes dever ser orientados sobre tudo o que passará a fazer parte do seu universo de agora em diante e é previsível que ele seja orientado por quem já passou por essas experiências. Inicialmente, os filhos podem ficar constrangidos ao serem abordados por esses temas, mas os pais demonstrando calma, paciência e naturalidade com o assunto conseguirão "quebrar o gelo".
4. O que você faria se estivesse no lugar dos pais, da professora ou do amigo? Com esta indagação você conhece melhor os valores que seu filho está nutrindo. "Colocar-se no lugar do outro é um importante exercício para a cidadania".

Leia a entrevista com Blenda Marcelletti