30 de junho de 2013

Meditação e paz

Estamos no inverno, o movimento mais Yin dos ciclos da natureza e isto influencia a tudo fora e dentro de nós. A energia que circula é do Elemento Água, isto favorece a introspecção e a meditação.  
O recolhimento é natural do inverno e agora é hora de poupar energia, voltar-se para dentro e deixar o mar da profundidade interna falar.

As pessoas regidas por este elemento estarão em sua fase de maior imaginação criativa, esta é favorecida pela profundidade que está no ar. Mas o movimento é para todos.  Também a percepção estará ampliada, pois a introspecção favorece a boa observação.
  
Aqueles que estiverem em desarmonia estarão suscetíveis ao medo, a emoção do elemento água, mas tudo fluirá com facilidade para aqueles que meditarem sobre os desafios com calma. A regra, nesta e em todas as estações, é observar a natureza e imitar o seu movimento.

Portanto eu repito: Ação, mas com reflexão.  Observe.  O movimento para dentro, com a suavidade da água, traz a certeza do que é realmente profundo e de significado.  

Paz!

27 de junho de 2013

Reflexão, ação e paz

O momento é de mobilização e em todo o lugar a nossa atenção volta-se para o que está acontecendo nas ruas, nos meios de comunicação e para o que pode ou não vir destas tentativas de diálogo. Hoje me ocorreu o quanto este momento deve ser sim de ação, mas também de muita reflexão e lembrei de um livro que traz isso de forma primorosa. 

É preciso que todos nós, antes de reproduzirmos falas, cartazes, antes até de sairmos as ruas, possamos saber pelo que estamos lutando. Estão circulando, por todos os veículos de comunicação, uma série de notícias que são verdadeiras e outras nem tanto. 

Além disso, tem a nossa antiga ignorância política que deve deixar este lugar e tornar-se uma clareza política.  Faz tempo que eu não escuto falar tanto de política e que bom! Todos nós despertamos, mas agora precisamos conhecer melhor do que falamos.

Hoje na minha meditação da manhã  percebi que estas coisas todas me sensibilizam e o quanto eu não posso deixar de voltar o meu olhar ao aspecto mais humano desta “batalha pela escuta e verdade”. O livro do qual lembrei chama-se “A Arte da Paz”, que abaixo pincelo algumas passagens para que possamos ampliar as nossas reflexões.

Deixo o convite para que você leia e faça as suas reflexões.

O padrão de liderança depende não apenas das qualidades e crenças de nossos líderes, mas também de nossas expectativas em relação a eles. À medida que acreditarmos que nossos líderes carecem de integridade, nossas expectativas provavelmente se espelharão em sua conduta. Portanto, cabe a cada um de nós melhorar o próprio padrão e, assim, elevar nossas expectativas em relação aos que nos liderariam.

Ao pensarmos em um modelo de padrão de liderança mais elevado nestes moldes que trouxe, não existe melhor representante que Mohandas Karamchand Gandhi.  Ele acreditava em um único padrão de conduta na vida pública e privada - um padrão fundamentado na integridade derivada dos valores absolutos da verdade e da não-violência. Acreditava que os indivíduos devem ter ideais e tentar viver de acordo com eles. Sua pretensão, porém, dirigia-se à integridade, não à infalibilidade. Cometeu sua cota de erros, mas não temia reconhecê-los. Não se esforçou pela coerência, exceto na busca de verdades.

Como todas as políticas, estratégias e leis exercem, em última análise, um impacto sobre as pessoas ou o meio ambiente, Gandhi acreditava que princípios morais tinham de ser incluídos na fixação de metas, na seleção de estratégias e na tomada de decisões. Ele lutou pelo aperfeiçoamento de todas as pessoas, de modo a se libertarem do medo e da exploração.

Algumas das idéias de Gandhi podem parecer irrelevantes hoje em dia - aplicáveis apenas em sua época e local. Mas quanto aos valores fundamentais da verdade, da não-violência e do serviço, ele tinha uma mensagem para todas as eras. Pediu-nos que rejeitássemos não apenas a violência física, mas também a violência do espírito. Torna-se cada dia mais evidente que, se não abraçarmos seu ideal de não-violência, as sociedades em todo o mundo se deteriorarão até a vida tornar-se intolerável.


A Arte da Paz - Lições de Mahatma Gandhi para sua empresa -
 Editora Campos 2000 - 
Keshavan Nair

20 de junho de 2013

Um país mudo não muda

Manifestar, maneira de demonstrar um ponto de vista, uma ideia, ato de expressar um pensamento ou sentimentos, ação de se expressar publicamente, ato de tornar público.

Pois bem, então que as muitas vozes que estão nas ruas do nosso país façam  públicas as inúmeras insatisfações vividas por todos nós. Chega de silêncio !

O aumento das passagens dos ônibus foi apenas o inicio de muitos motivos pelos quais as pessoas saem as ruas. A falta de segurança, as filas nos hospitais, ensino precário e mais uma lista de serviços públicos que deveriam ser de primeira pelo custo que tem em impostos altíssimos.

Sim é verdade, que o período é de menos fome, mais visibilidade internacional, mais esperança no futuro. Mas há um descontentamento imenso por tanta falta de representatividade dos políticos, que nós mesmos colocamos lá para reivindicar por nós, e que parecem ter esquecido do seu primeiro papel.  Quem grita é o povo que está estrangulado com as contas duplas que está pagando, a pública e a privada. É o povo que pensa e que não aceita os  retrocessos expressos como por exemplo a aprovação da “Cura Gay”, a proposta do  Estatuto do Nascituro, a PEC 37... O que é isso?

O que acontece é que agora a internet, este fabuloso veículo de comunicação, facilita e permite compartilhar falas, anseios, interesses, favorecendo a promoção de manifestações coletivas, mas a força maior está na presença das pessoas nas ruas.

Parabéns a todos os corajosos que estão gritando e dizendo não, pois como está escrito em inúmeros cartazes carregados nas avenidas: “Um país mudo não muda”, “Ninguém pode negar a um jovem o direito de sonhar”.

E que tudo seja feito com o máximo possível de Paz!

10 de junho de 2013

Pauzinhos de marfim - conto chinês

Na China antiga, um jovem príncipe resolveu mandar fazer, de um pedaço de marfim muito valioso, um par de pauzinhos. Quando o rei ficou sabendo, apressou-se a explicar para o filho:
— Não deves fazer isso, porque esse luxuoso par de pauzinhos pode levar-te à perdição!

O jovem príncipe ficou confuso. Não sabia se o pai falava sério ou se estava brincando. Mas o pai continuou:
— Quando tiveres os teus paus de marfim, verás que não combinam com a louça de barro que usamos à mesa. Vais precisar de copos e tigelas de jade. Ora, as tigelas de jade e os paus de marfim não admitem iguarias grosseiras. Precisarás de cauda de elefante e fígado de leopardo. E quem tiver comido cauda de elefante e fígado de leopardo não vai contentar-se com vestes de cânhamo e uma casa simples e austera. Irás precisar de seda e palácios suntuosos. Ora, para teres tudo isto, vais arruinar as finanças do reino e os teus desejos nunca terão fim. Depressa cairás numa vida de luxo e de despesas sem limite. A desgraça irá atingir os nossos camponeses, e o reino afundar-se-á na ruína e desolação… Porque os teus paus de marfim fazem lembrar a estreita fissura no muro de uma fortaleza, que acaba por destruir toda a construção.


O jovem príncipe esqueceu o seu capricho e mais tarde veio a ser um monarca reputado por sua grande sensatez.

7 de junho de 2013

A todos nós, seres comuns.


Até que o sol não a rejeite, eu não a rejeito também. Até que as águas se recusem a brilhar para você e as folhas a sussurram-lhe, minhas palavras não recusam a brilhar e sussurrar para você.

A Uma Prostituta Comum –  Whitman


Assim, na liberdade de espirito nós compreendemos que, quer amemos a vida, quer a detestemos, quer estejamos cheios de compaixão ou de ódio, beleza ou horror, sabedoria ou ignorância – cada um e todos estes opostos são tão aceitáveis como o dia e a noite, a bonança e a tempestade, o despertar e o sono.

Na tristeza o homem sente-se livre para chorar; na dor, para gritar; na ira, para matar; no tédio, para se embriagar; e na intolerância para perder tempo.

Quem somos nós para julgar. Aí está se expressando um sentimento de liberdade que envolve alguma necessidade, que, por muitas razões, a nossa superficialidade desconhece.
  
Bom fim de semana!

3 de junho de 2013

Meditando


Um homem pergunta ao mestre: senhor, tenho que comer e me vestir todos os dias, como fugir de tudo isso? O mestre responde: vestindo e comendo. Eu não compreendo disse ele.  Então ele calmamente diz: se você não compreende, vista-se e coma sua comida.


Algumas coisas na vida simplesmente seguem o seu curso, funcionam quase que em uma sequencia natural.  As vezes no consultório eu digo a algumas pessoas: claro tu podes seguir este caminho (...), experimente, tire as próprias conclusões, só assim vai entender.

Observe

Quando o bebê sente-se seguro para andar, ele anda e pronto; quando a mão está firme para escrever, a criança pega o lápis e desenha; se a adolescência chegou e agora não dá mais para ter as regalias que se tinha, ache formas legais de cumprir com as obrigações; se o colégio está indo para o fim, pense o que seria interessante  fazer no mundo adulto; se é solteirão e não vive sem a tal moça, case; se o filho escolheu História, dê para outro o jaleco branco do seu avô; se o marido gosta de futebol, vá ao cinema com uma amiga;  se a velhice chegou, resmungue menos e encontre maneiras de ser um velho feliz.
   
Só aceitando, o que pulsa fora ou dentro de nós, estamos livres para escolher.

 “Vista-se da cor que preferir e coma do que mais tiver sabor e seja feliz com o que vai surgindo”.