18 de maio de 2013

A Importância do “Não”.

Este texto de José Outeiral nos faz pensar na importância do NÃO no educar. Acho muito importante que seja reproduzido e multiplicado.

Pais e professores devem saber impor limites
para não criar "ditadores mirins".

Crianças e adolescentes estão expostos a uma série de riscos em nossa sociedade, em um momento em que valores e paradigmas estão sendo contestados, modificados ou, até mesmo, substituídos. O que parecia uma verdade permanente, durante muitas décadas, dá lugar, hoje, a momentos de dúvidas e dificuldades. Ocorrem muitas mudanças, rápidas, inclusive em relação às estruturas familiares - hoje não podemos mais nos referir à família, no singular, mas às famílias, com suas diferenças e singularidades.

Esses acontecimentos não são fáceis para pais e professores. "Como devemos fazer para educar nossos filhos e alunos?" parece ser uma pergunta comum. Devemos dizer SIM ou NÃO às constantes solicitações e demandas? Devemos ficar quietos e não nos posicionar? Os adultos estão confusos, pois os padrões em que foram educados parecem não dar conta da educação de nossos crianças e adolescentes.

Dizer NÃO quando necessário e colocar limites é fundamental para proteger as crianças e educá-las. Colocar limites não é "vigiar e punir", mas estabelelcer um espaço e um tempo onde eles podem "ser" de forma segura para si e para os outros. O que nos leva a não agir dessa forma? Por que nos sentimos culpados de trabalhar demasiado e estar muito tempo longe deles e buscamos compensar sendo permissivos?  Por que não sabemos ao certo como agir? Simplesmente porque nos parece mais fácil a omissão e evitar enfrentamentos como se estivéssemos com medo das crianças e adolescentes.

É compreensível, porque tudo está mudando muito rapidamente. Mas não podemos transformá-los em pequenos e jovens "ditadores". Aliás, cabe lembrar que esses "ditadores domésticos"estarão expostos à violência nas ruas se agirem da mesma forma que em suas casas - o mundo, fora da família, não é nada indulgente.

Sugiro que aprendamos com as crianças. Elas começam a dizer NÃO antes do SIM. Uma criança de 18 meses recusa a bolacha recheada, da qual costa muito, dizendo NÃO, fazendo que "não" gestualmente com a cabeça ou com o dedo. Podemos pensar que a recusa é para mostrar à mãe que está se tornando um indivíduo, que pensa com sua própria mente e não cede à sedução.

Os adultos não podem se tornar "um espécime" em extinção. Devem exercer a autoridade, e esta se constrói por meio do reconhecimento do outro (crianã ou adolescente, filho ou aluno),  que percebe que aquele adulto (pais e professores), com suas atitudes, dá um exemplo que merece ser seguido. Devemos dizer NÃO com tranquilidade e segurança - sem medo.

Publicado em Nossos Filhos no jornal Zero Hora deste sábado, 18/Maio

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