21 de maio de 2013

Pais firmes, filhos seguros

Volta e meia eu comento aqui o quanto sinto a vida acontecendo em ondas, que vão se encaixando e dando sentido até mesmo as nossas experiências mais simples do dia a dia. Pois esta semana estive debatendo com alguns pais o papel do diagnóstico no tratamento de seus filhos e o quanto isto interfere nas suas condutas no auxilio a melhora. Vejam, mais abaixo o texto que recebi por e-mail.
  
O meu alerta neste texto é quanto ao papel ativo dos pais no que tange os inúmeros desequilíbrios de seus filhos. Para mim, determinadas atitudes dos pais são mais relevantes na estruturação do problema e tratamento, do que a própria condução médica. "Tudo primeiro e antes em casa".

Algumas das minhas palavras com os pais com quem estive:

Prevenir repensando formas de agir com os filhos é sempre melhor que tratar problemas futuros. Para isso é preciso observar os filhos, estar atento as situações que vão se apresentando. Um pai observador e presente sempre sabe se o filho está bem ou não.
  
“Pais e mães que educam para a saúde buscam sempre. Esta postura exige escolhas e, por vezes,  reformular. Um pai amoroso, cujo filho enfrenta problemas, precisa ter a coragem do tamanho do seu amor e olhar primeiro para o seu papel no problema e isto é admirável”.

Boas reflexões.

Por que as crianças francesas não têm Deficit de Atenção? 

Nos Estados Unidos, pelo menos 9% das crianças em idade escolar foram diagnosticadas com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), e estão sendo tratadas com medicamentos. Na França, a percentagem de crianças diagnosticadas e medicadas para o TDAH é inferior a 0,5%. Como é que a epidemia de TDAH, que tornou-se firmemente estabelecida nos Estados Unidos, foi quase completamente desconsiderada com relação a crianças na França?

TDAH é um transtorno biológico-neurológico? Surpreendentemente, a resposta a esta pergunta depende do fato de você morar na França ou nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, os psiquiatras pediátricos consideram o TDAH como um distúrbio biológico, com causas biológicas. O tratamento de escolha também é biológico – medicamentos estimulantes psíquicos, tais como Ritalina e Adderall.

Os psiquiatras infantis franceses, por outro lado, vêem o TDAH como uma condição médica que tem causas psico-sociais e situacionais. Em vez de tratar os problemas de concentração e de comportamento com drogas, os médicos franceses preferem avaliar o problema subjacente que está causando o sofrimento da criança; não o cérebro da criança, mas o contexto social da criança. Eles, então, optam por tratar o problema do contexto social subjacente com psicoterapia ou aconselhamento familiar. Esta é uma maneira muito diferente de ver as coisas, comparada à tendência americana de atribuir todos os sintomas de uma disfunção biológica a um desequilíbrio químico no cérebro da criança.

Os psiquiatras infantis franceses não usam o mesmo sistema de classificação de problemas emocionais infantis utilizado pelos psiquiatras americanos. Eles não usam o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou DSM. De acordo com o sociólogo Manuel Vallee, a Federação Francesa de Psiquiatria desenvolveu um sistema de classificação alternativa, como uma resistência à influência do DSM-3. Esta alternativa foi a CFTMEA (Classification Française des Troubles Mentaux de L’Enfant et de L’Adolescent), lançado pela primeira vez em 1983, e atualizado em 1988 e 2000. O foco do CFTMEA está em identificar e tratar as causas psicossociais subjacentes aos sintomas das crianças, e não em encontrar os melhores bandaids farmacológicos para mascarar os sintomas.
Na medida em que os médicos franceses são bem sucedidos em encontrar e reparar o que estava errado no contexto social da criança, menos crianças se enquadram no diagnóstico de TDAH. Além disso, a definição de TDAH não é tão ampla quanto no sistema americano, que na minha opinião, tende a “patologizar” muito do que seria um comportamento normal da infância. O DSM não considera causas subjacentes. Dessa forma, leva os médicos a diagnosticarem como TDAH um número muito maior de crianças sintomáticas, e também os incentiva a tratar as crianças com produtos farmacêuticos.

A abordagem psico-social holística francesa também permite considerar causas nutricionais para sintomas do TDAH, especificamente o fato de o comportamento de algumas crianças se agravar após a ingestão de alimentos com corantes, certos conservantes, e / ou alérgenos. Os médicos que trabalham com crianças com problemas, para não mencionar os pais de muitas crianças com TDAH, estão bem conscientes de que as intervenções dietéticas às vezes podem ajudar. Nos Estados Unidos, o foco estrito no tratamento farmacológico do TDAH, no entanto, incentiva os médicos a ignorarem a influência dos fatores dietéticos sobre o comportamento das crianças.

E depois, claro, há muitas diferentes filosofias de educação infantil nos Estados Unidos e na França. Estas filosofias divergentes poderiam explicar por que as crianças francesas são geralmente mais bem comportadas do que as americanas. Pamela Druckerman destaca os estilos parentais divergentes em seu recente livro, Bringing up Bébé. Acredito que suas idéias são relevantes para a discussão, por que o número de crianças francesas diagnosticadas com TDAH, em nada parecem com os números que estamos vendo nos Estados Unidos.

A partir do momento que seus filhos nascem, os pais franceses oferecem um firme cadre - que significa “matriz” ou “estrutura”. Não é permitido, por exemplo, que as crianças tomem um lanche quando quiserem. As refeições são em quatro momentos específicos do dia. Crianças francesas aprendem a esperar pacientemente pelas refeições, em vez de comer salgadinhos, sempre que lhes apetecer. Os bebês franceses também se adequam aos limites estabelecidos pelos pais. Pais franceses deixam seus bebês chorando se não dormirem durante a noite, com a idade de quatro meses.

Os pais franceses, destaca Druckerman, amam seus filhos tanto quanto os pais americanos. Eles os levam às aulas de piano, à prática esportiva, e os incentivam a tirar o máximo de seus talentos. Mas os pais franceses têm uma filosofia diferente de disciplina. Limites aplicados de forma coerente, na visão francesa, fazem as crianças se sentirem seguras e protegidas. Limites claros, eles acreditam, fazem a criança se sentir mais feliz e mais segura, algo que é congruente com a minha própria experiência, como terapeuta e como mãe. Finalmente, os pais franceses acreditam que ouvir a palavra “não” resgata as crianças da “tirania de seus próprios desejos”. E a palmada, quando usada criteriosamente, não é considerada abuso na França.

Marilyn Wedge

Segundo Marilyn Wedge, terapeuta infantil, faz sentido que as crianças francesas não precisem de medicamentos para controlar o seu comportamento, porque aprendem o auto-controle no início de suas vidas. As crianças crescem em famílias em que as regras são bem compreendidas e a hierarquia familiar é clara e firme.

Ela aponta que nas famílias francesas os pais estão firmemente no comando de seus filhos e, para mim, esta é toda a diferença  entre os números franceses e americanos.

Leia na integra em:

18 de maio de 2013

A Importância do “Não”.

Este texto de José Outeiral nos faz pensar na importância do NÃO no educar. Acho muito importante que seja reproduzido e multiplicado.

Pais e professores devem saber impor limites
para não criar "ditadores mirins".

Crianças e adolescentes estão expostos a uma série de riscos em nossa sociedade, em um momento em que valores e paradigmas estão sendo contestados, modificados ou, até mesmo, substituídos. O que parecia uma verdade permanente, durante muitas décadas, dá lugar, hoje, a momentos de dúvidas e dificuldades. Ocorrem muitas mudanças, rápidas, inclusive em relação às estruturas familiares - hoje não podemos mais nos referir à família, no singular, mas às famílias, com suas diferenças e singularidades.

Esses acontecimentos não são fáceis para pais e professores. "Como devemos fazer para educar nossos filhos e alunos?" parece ser uma pergunta comum. Devemos dizer SIM ou NÃO às constantes solicitações e demandas? Devemos ficar quietos e não nos posicionar? Os adultos estão confusos, pois os padrões em que foram educados parecem não dar conta da educação de nossos crianças e adolescentes.

Dizer NÃO quando necessário e colocar limites é fundamental para proteger as crianças e educá-las. Colocar limites não é "vigiar e punir", mas estabelelcer um espaço e um tempo onde eles podem "ser" de forma segura para si e para os outros. O que nos leva a não agir dessa forma? Por que nos sentimos culpados de trabalhar demasiado e estar muito tempo longe deles e buscamos compensar sendo permissivos?  Por que não sabemos ao certo como agir? Simplesmente porque nos parece mais fácil a omissão e evitar enfrentamentos como se estivéssemos com medo das crianças e adolescentes.

É compreensível, porque tudo está mudando muito rapidamente. Mas não podemos transformá-los em pequenos e jovens "ditadores". Aliás, cabe lembrar que esses "ditadores domésticos"estarão expostos à violência nas ruas se agirem da mesma forma que em suas casas - o mundo, fora da família, não é nada indulgente.

Sugiro que aprendamos com as crianças. Elas começam a dizer NÃO antes do SIM. Uma criança de 18 meses recusa a bolacha recheada, da qual costa muito, dizendo NÃO, fazendo que "não" gestualmente com a cabeça ou com o dedo. Podemos pensar que a recusa é para mostrar à mãe que está se tornando um indivíduo, que pensa com sua própria mente e não cede à sedução.

Os adultos não podem se tornar "um espécime" em extinção. Devem exercer a autoridade, e esta se constrói por meio do reconhecimento do outro (crianã ou adolescente, filho ou aluno),  que percebe que aquele adulto (pais e professores), com suas atitudes, dá um exemplo que merece ser seguido. Devemos dizer NÃO com tranquilidade e segurança - sem medo.

Publicado em Nossos Filhos no jornal Zero Hora deste sábado, 18/Maio

13 de maio de 2013

Sabedoria



“A diferença, os polos opostos, os contrapontos são os nossos maiores desafios e os nossas maiores oportunidades de aprendizagem. O grande sábio não luta com o seu oposto ele se complementa”.

11 de maio de 2013

De mãe para mães

Neste Dia das Mães fui direto a pessoinha mais próxima para investigar o quanto estes “serzinhos” registram da dedicação dada a eles no dia-a-dia.


Este é o meu presente, especialmente às mães que como eu tem várias outras coisas no seu dia e se dedicam da melhor forma que podem. 

O sujeito da minha pesquisa tem 3 anos e esta foi realizada no café da manhã de hoje. Foi muito divertida, pois o entrevistado fez questão de participar do registro, digitando junto.

O que a mamãe faz pro Enzo que tu gosta ?
“A mamãe Claudia dá pão pro Enzo, passa manteiga no pão com a faca, dá suco e água. A mamãe lê livros !!! Faz café com jogos do Thomas e Seus Amigos. Brinca ! Toma banho e brinca com o Matte dentro da banheira. Dança e bate no tambor e toca guitarra. Faz ginástica muuuito rápido. Faz leão e se esconde. Faz guincho prá descer a escada.  Faz o guincho pra subir a escada. Faz o aniversário do Enzo do Thomas.  Escova o dente do Enzo – bem branquinho -  com a escova do Hot Wheels. Leva para no Shopping pequeno. Sabe onde tá o trator amarelo. Vê o planeta terra, olha...é azul e verde.”

E o que a mamãe faz que tu não gosta?
“Dá mordida na barriga. Não gosto de castigo. Não gosto que a mamãe tira o espinho do pé. Eu não gosto que você esquece do beijinho na escolinha, se não eu corro atrás de ti... Eu não gosto que você vai embora do meu quarto.”

Então diz uma frase de carinho pra mamãe.
“Meu coração é sempre de você! Eu vou no teu colo...”

10 de maio de 2013

Palavras da Galera





Essa noite sonhei que nos beijávamos, nos acariciávamos muito numa montanha linda, sentados, meu braço em volta do seu pescoço, te abraçando, a frente era o mar, ficamos observando os pássaros no céu, em contraste com o pôr do sol, com o barulho das ondas e uma música ... tinha uma música, que embalava nossos sentimentos e toda aquela magia.

Tinha muito vento, nos trazendo coisas boas, um sentimento inexplicável, era intenso demais.

Num dado momento estava quase noite e nos deitamos naquela grama pra ver as estrelas. Dos diálogos nenhum me lembro, mas diante de toda aquela avalanche de magia, era o que menos importava.

Pois acredite que maior do que tudo isso, foi te ter do meu lado, podíamos estar num cenário sombrio, que ter você junto, prevaleceria.

Deste sonho acordei desejando tua pele, desejando teu cabelo cheiroso batendo no meu rosto com aquele vento, desejando beijar teu pescoço, teu rosto, teus lábios, desejando acariciar meu rosto no teu. Só tinha uma coisa ruim ... era um sonho.

Thales Pastro