16 de abril de 2013

Acompanhando nossos velhos


"Para todos a velhice dos pais anuncia a própria velhice. É talvez o primeiro grande confronto com a fragilidade e com a finitude. Os filhos que olham aterrorizados para os passos claudicantes dos pais não temem apenas que eles caiam, mas principalmente que serão os próximos a ter pernas que vacilam. Ainda que não confessem nem para si mesmos, talvez seja este o maior horror. E este é um momento bem periclitante da vida. E quando isso se dá por volta dos 40, 50 anos, o confronto acontece quando o corpo está dando os primeiros sinais inequívocos de que já não somos tão jovens. É um duplo desafio, a velhice dos pais e o anúncio do próprio envelhecer. Que nem se compara, e isso também é preciso lembrar, com o desafio abissal que é ser velho – e ser velho nesse mundo em que, além de todas as dificuldades da idade, é preciso brigar para ser respeitado. E escutado".
Eliane Brum.

Este texto  foi publicado por uma amiga no Facebook e eu achei super importante reproduzi-lo, pois seguidamente eu  acompanho filhos  que se recentem e sofrem imensamente com o processo de envelhecimento de seus pais. Pais, muitas vezes, muito ativos, incansáveis em suas formas de apoio e acolhimento aos filhos. Verdadeiros exemplos e modelos de força que, de repente, passam a depender, a se ressentir, se lamentar e até atacarem os próprios filhos, casos nada incomuns nas Demências e em outras doenças similares.

Aqui vai a minha tentativa de conforto a estes filhos, tão bem intencionados quanto foram os próprios pais, mas com tão pouca informação e tantos medos. 

Eu atendo a adultos e adolescentes e vejo todos os dias os esforços dos jovens em se tornarem "alguém". Lembram disso?  É uma batalha esta estoria de definição de uma identidade e seu colorido próprio, mas o maior desafio é se tornar responsável e autônomo.

Pois como, ao se perceber em dado estágio de envelhecimento,  deixar esta autonomia a tanto custo conquistada sem sofrer? Como se perceber entregando as responsabilidades sem ter necessidade de reagir? Cartão de banco, direção do carro, andar livre e só... Como se imaginar perdendo um tipo de colorido singular, forte e robusto, sem sentir um pouco? Toda a fase tem seus desafios e suas conquistas...um dos maiores da velhice é o desapego!

Sábio é aquele que se permite subir e descer a montanha. É preciso compreensão com o processo dos nossos velhos  e um olhar especial para sí, tornando a própria caminhada de os acompanhar mais leve.

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