21 de março de 2013

Resposta a uma mãe

Adriane, já a algum tempo eu faço uma psicoterapia de aproximação e não de distanciamento e isto marca a minha escrita e a minha forma de me relacionar no consultório. A teoria é extremamente necessária sim, bem como a técnica, mas esta fica para o meu uso. Caso tu tenhas necessidade de uma leitura mais teórica podemos juntas escolher algo que te ajude e seja de simples compreensão.

Mas a nossa questão de hoje retoma o tema da fantasia e realidade na vida dos adolescentes. Algo que é muito angustiante para os pais que percebem seus filhos muito distantes da realidade.

O fato é que esta “ação real” que, tu Adriane, parece almejar para o teu filho vai aos poucos ser definida por ele. Ele vai precisar definir um movimento próprio, a partir  da aceitação das necessidades que a vida apresenta e o seu jeito de ser. Algo que não o agrida e que seja proveitoso para o seu desenvolvimento como pessoa.

Sim a vida está aí cheia de fatos reais a serem vencidos e, se assim não for, a frustração não será só dos pais, mas também do filho. O que passa é que este processo de apropriação da comunicação com o mundo “real”  é construído ao longo do desenvolvimento da criança e deve se concluir na adolescência para que nasça um adulto responsável e com projeções de futuro.

Se isso não está acontecendo aos 17 anos, a minha primeira hipótese é a de que pode ter acontecido alguma falha em alguma etapa lá atrás. E é aí que entra o meu trabalho, mas isso não é dito ao jovem. Isto é trabalhado de diferentes formas,  menos reforçando o que não se conseguiu até agora.
 
É claro que a “vida real” é valorizada no trabalho com os jovens. Eles são estimulados, como eu disse a pouco, a descobrirem o seu jeito de responder as necessidades dos seus dia a dia. Mas tenho observado que, para que isso não seja mais um conflito e sim um movimento espontâneo, é preciso primeiro se conhecer tendo presente o que é seu de verdade e o que é da necessidade social e entender que é possível  fazer uma adaptação saudável entre estes dois. Esta têm sido a principal falha que observo nos jovens com esta dificuldade, este aprendizado ficou falho e os “aprisionou” em um ajuste criativo de brincar sem fim.
 
Existem muitas teorias que contemplam este problema, para este trabalho eu uso os estudos de Winnicott, um psiquiatra inglês que se deteve em observar crianças vítimas de separação familiar, pois este fenômeno tem se repetido frequentemente em filhos de pais separados, cuja presença de um deles é tida como de abandono.

Portanto eu concluo  te reforçando que isto leva um tempinho. É preciso muita paciência, suporte e confiança nas possibilidades do teu filho,  este é o melhor que pode ser feito.

Quando ele enfim perceber (sentindo) que de fato “existe” como pessoa valiosa, descobrindo o brilho das suas capacidades e riquezas e confiar na sua autenticidade, ele vai poder sentir a vida como real e se apropriar dela. Neste momento ele pode se submeter as necessidades deste mundo real que tu traz, pois as pessoas criativas sempre podem usufruir do sonho e da arte para viver o irreal e este é um grande aprendizado. 

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