25 de fevereiro de 2013

É bom ir, mas é bom voltar.

Fevereiro foi um mês de muito mar, sol, sonecas a tarde, alguns experimentos fotográficos e fugidinhas da muvuca da casa para ler os romances guardados para as férias. Sem dúvida, um descando e tanto, mas agora com a energia renovada, estou voltando... Isso parece até letra de música, só que as avessas.

Este ano, talvez pela sincronicidade e também pelos amios do meu enteado, eu estive acompanhada de muitos adolescentes e agora retomando meus estudos sobre a fase, me dei conta de várias coisas bem legais que vi na prática. Uma oportunidade e tanto! 

Lembrando das principais questões que eu trabalho com os pais, me detive em uma delas, a vivência excessiva do fantasioso. Quanto às ideias referidas como "fora da casinha", fiquei pensando um bocado, mas pude sentir de perto outras das queixas.

É, eu notei que alguns podem ser muito difíceis de lidar, preguiçosos na lida do dia-a-dia e até, em muitos momentos, os chatos da casa, mas o que eu pude conferir neste período é que tudo é o jeito de lidar com as feras, descontando claro que estávamos em férias e eu não era a mãe.

Nós passamos muito tempo em grupo, pequenos ou grandes, e tudo correu super bem. Eu desfrutei das "viagens" deles e pude confirmar mais uma vez que, justamente esta característica tão difícil para pais preocupados, é o grande colorido do período.

No trabalho com adultos eu sempre digo que a projeção é o alimento da paixão e sinto sempre muita pena de, em alguns momentos, ter que caminhar com uma pessoa rumo à realidade desnecessária,, pois a vida sem paixão pode ser muito sem graça. Tenho notado que pitadas de ilusão fazem muita diferença neste todo de realidade que nós vivemos. Para algumas pessoas eu chego a dizer: porque trazer para a realidade o que se sabe que é puro encantamento na fantasia? Vamos deixar para o real o que é preciso, pois deste já temos o bastante para lidar.

E esta é uma das grandes belezas da adolescência, a fantasia, o encantamento com que a gurizada olha para seus desejos. Algo que com frequência apavora os pais, mas muito importante. A adolescência é uma fase de transição do fantástico para o real e se a fantasia e a projeção não estiverem presentes, perde-se o encantamento de tantas experiências. Além disso, um tanto de irrealidade, até esperada, estimula o surgir de desejos, planos e sonhos para o real futuro de adultos também encantados com a vida.

neste verão eu vi isto acontecendo e ria sozinha, com todo o respeito e sem interferir, nem nos medos deles. Até os medos fantasiosos tinham seus mais nobres motivos e logo eram solucionados, substituídos pela força e convite do imediatismo e da necessidade de preencher os espaços com o que fazer.

Como lá em casa eu tinha sempre no mínimo três, isto me deu a chance de aprender um bocado e me divertir mais ainda. Uma das tardes eu comecei fazendo cachorro-quente para seis e foi chegando gente e eu acabei sorteando pães para, mais ou menos, uns quinze. Eles ficaram com a louça, é claro.

Mas o mês foi terminando  e todos indo embora e deixando saudade e um espaço para a vontade de estar de novo com os jovens que eu acompanho aqui no consultório, nos bate-papos e nos grupos.

Por tudo isso eu posso dizer que é bom ir, mas é bom voltar.

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