16 de janeiro de 2013

Comunicação na adolescência - para pais

Se existe algo difícil de se fazer com um adolescente, isto é conversar.  Quem tem um filho nesta fase vive algum tipo de dificuldade em se comunicar com ele. Acho que sempre foi assim, mas os jovens que eu acompanho parecem se fechar em seus mundos e não permitem muitos acessos ao que estão vivendo. Isto no consultório é algo relativamente fácil de resolver na minha relação com eles, mas eu observo o quanto é forte com os pais. Eles realmente não acham que devam dar permissão aos pais para compartilhar das suas vidas  e costumam se isolar, refugiando-se nos amigos ou computador.
   
Sempre que eu trato de comunicação nesta fase, penso que é preciso olhar para as relações familiares, pois no que se refere aos amigos, as redes sociais e até com demais adultos isto acaba sendo muito tranquilo. Pois o que está acontecendo em casa então?
  
Se eu lhe perguntar como vai a comunicação com o seu filho e a resposta for mais ou menos, não é simples, mas também não tão difícil, isso está ótimo para um jovem adolescente;  se a resposta for é bem difícil você já deve parar para pensar em que e porque mesmo isto está acontecendo, levando em conta a adolescência, é claro. Agora se você me disser que está horrível, sem condições de qualquer conversa ou interação,  pode pegar o meu telefone aí do lado e me ligar, pois temos, acima de tudo,  algo entre pais e filho para resolver.

A questão é a seguinte: o adolescente naturalmente tende a se isolar no seu mundo, isto está relacionado a todas as questões da fase que venho trazendo sempre, se quiserem posso repetí-las novamente em outro post. Talvez o que você deva  ter sempre em mente é que esta é uma fase de construção dos próprios conceitos a respeito de tudo, e que muita opinião de gente que sabe, muito mais “atrapalha” e “incomoda” as próprias definições.  Neste caso,  normalmente, em maior ou menor grau, a reação deles trata-se de uma tentativa de diminuir qualquer coisa que venha dos pais.  Isto explica algumas das dificuldades,  não todas.
 
O fato é que é preciso dar espaço a eles. É eu sei que as vezes é difícil deixá-los tão livres em seus devaneios. Dá vontade de fazermos algo para colocar os pés destes sonhadores no chão, mas isso não funciona neste momento e é exatamente aí que a distância se torna maior ainda. O adolescente precisa de um tanto de onipotência, mas esta é dura de engolir; precisa de um tanto de exagero, mas o excesso de “sem noção” aos olhos de pais mais protetores e atentos  parece uma jornada a um buraco negro. Então a reação dos pais é tentar traze-los  para a realidade desvalidando as “doideiras”, porém isto só dá créditos a necessidade de se refugiar. Mas e aí, deixá-los se meter em confusão? Não, de jeito nenhum, mas permitir a fala, trocar uma ideia,  dizer sim a algumas coisas e não ao descabido, pode melhorar muito a coragem de comunicação e as trocas.  O descabido, neste caso, normalmente são situações de risco e não de diferenças de opiniões. As vezes é muito bom deixar a vida ensinar um pouco.

A história toda é olhar e se posicionar de forma a conseguir estar se comunicando, permitindo o sonho e as fantasias, mas mostrando os limites e consequências de algumas ações.  Se pode mostrar, mas não se pode trancar um adolescente em casa e o impedir de experimentar.  Para isto é preciso que o seu senso de observação esteja de acordo com o adolescente de hoje, mesmo que a sua forma de educar seja das antigas.  Eu sei  que não é tão simples, mas tente se atualizar, eu costumo dizer para os pais para aproveitarem a adolescência do seu filho para se repensarem. Porém, isto não significa virar um deles.

O tipo de comunicação que seu filho tem com você é reflexo do tipo de educação que ele teve e de como os pais lidam com o seu momento. Quando na família os integrantes podem manifestar seus sentimentos e questionamentos sem se sentirem ameaçados, se existe escuta verdadeira, se há respeito nas opiniões, se há aceitação das diferenças e, especialmente,  um tipo de  resposta afetiva as idéias “malucas” e as fantasias dos  jovens desta fase, a comunicação pode ser facilitada.

Muito disso tudo é construído ao longo da infância e, se assim não se construiu ainda,  pode ser feito, mas dará mais trabalho pois exige um olhar para as suas  atitudes também.

Outra coisa que pode ser legal é eventualmente um bate-papo com eles,  mas isto não pode parecer: “agora vamos fazer a reunião familiar e ver os problemas que tu está tendo”. Inserir a conversa em uma saída com um dos pais que tenha mais abertura ou passe uma sensação de mais crédito, tem um bom resultado sempre. O questão é esclarecer e mostrar os esforços de todos e falar um pouco sobre o quanto você entende algumas coisas e respeita ... mas como para vocês algumas coisas também são difíceis pois viveram assim ou assado... mas como todos estão tentando ele também pode tentar .... ele pode ficar com cara de quem acha um blablabla, mas escuta e registra.

Bem, falar sobre  se comunicar com os adolescentes que convivemos pode ser algo que tome vários caminhos.  Portanto, para não deixar este papo muito longo vou encerrar alertando sobre a relevância de vocês pais olharem mais a fundo para o que impede a comunicação de vocês com seus filhos, podem ter certeza que tem uma parcela de vocês aí – descontando o tanto de “chatices”  da fase é lógico!


E lembrem-se sempre:  fronteiras muito rígidas  geram distanciamento, mais isolamento, menos troca. Se for possível  sempre estimule que seu filho coloque suas idéias, suas crenças, mesmo que muito diferentes das suas e fale do que pensa também, mas sem impor como verdade absoluta.

Um comentário:

  1. Muito interessante - como pais apreciamos muito suas colocações - temos tido dificuldade principalmente no trato de nossa filha - mas o que está doendo muito é a falta de respeito com que ela nos tem tratado - excessivo - paciência tem limite

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