30 de janeiro de 2013

24 de janeiro de 2013

Poema chinês

三才
天地人
三光者
日月星
君臣
父子
妇顺

Os três poderes:
Céu, Terra e Homem.
Os três astros:
Sol, Lua, Estrelas.
As três relações:
Justiça entre governantes e súditos;
Amor entre pais e filhos;
Cooperação entre marido e mulher.

Retirado do Clássico Dos Trissílabos  
Do blog: http://poemaschineses.blogspot.com.br/

21 de janeiro de 2013

E Agora Para Onde Vamos?

Esta pergunta que pode ter tantas respostas aqui e agora se refere a um titulo de filme. Uma frase dita, em um fictício vilarejo, no momento de enterrar mais uma vitima dos conflitos entre cristãos e muçulmanos. Ela explicita o tanto de sem sentido destes desentendimentos na vida de seus moradores.


Um filme de Nadine Labaki ( 2011 ), traz uma boa mistura de situações cômicas e outras profundamente dramáticas que nos permitem entrar na complexa temática dos conflitos religiosos  vividos por este povo de um jeito leve e emocionante.

Tema que serve não só para a discussão levantada no filme, mas também para algumas das reflexões que deveríamos fazer nas nossas relações e este, para mim, é o seu maior mérito. Mexer com o que mesmo faz sentido e para quem.

Será que estes conflitos são relevantes para aquela  comunidade que vive laços mais profundos entre as pessoas? Será que algumas coisas não ultrapassam o tipo de crença religiosa, as escolhas, os ditos e atributos sociais?

Na pequena vila do filme todos vivem, desde crianças, misturados entre suas crenças e um grupo de mulheres parece se dar conta de que estas diferenças não são relevante para eles. Então elas passam a  administrar, de forma muito criativa, os respingos dos conflitos que chegam através de uma precária televisão montada pelos meninos do vilarejo.

É engraçado o que as mulheres inventam para distrair os homens das suas tendências a disputarem, vale tudo... e até os representantes religiosos entram nas tramas, cientes de suas ações em nome da paz, da harmonia da população e da grande bobagem que pode ser querer fazer valer uma única ideia. Isto dito por mim.

Vale conferir.

16 de janeiro de 2013

Comunicação na adolescência - para pais

Se existe algo difícil de se fazer com um adolescente, isto é conversar.  Quem tem um filho nesta fase vive algum tipo de dificuldade em se comunicar com ele. Acho que sempre foi assim, mas os jovens que eu acompanho parecem se fechar em seus mundos e não permitem muitos acessos ao que estão vivendo. Isto no consultório é algo relativamente fácil de resolver na minha relação com eles, mas eu observo o quanto é forte com os pais. Eles realmente não acham que devam dar permissão aos pais para compartilhar das suas vidas  e costumam se isolar, refugiando-se nos amigos ou computador.
   
Sempre que eu trato de comunicação nesta fase, penso que é preciso olhar para as relações familiares, pois no que se refere aos amigos, as redes sociais e até com demais adultos isto acaba sendo muito tranquilo. Pois o que está acontecendo em casa então?
  
Se eu lhe perguntar como vai a comunicação com o seu filho e a resposta for mais ou menos, não é simples, mas também não tão difícil, isso está ótimo para um jovem adolescente;  se a resposta for é bem difícil você já deve parar para pensar em que e porque mesmo isto está acontecendo, levando em conta a adolescência, é claro. Agora se você me disser que está horrível, sem condições de qualquer conversa ou interação,  pode pegar o meu telefone aí do lado e me ligar, pois temos, acima de tudo,  algo entre pais e filho para resolver.

A questão é a seguinte: o adolescente naturalmente tende a se isolar no seu mundo, isto está relacionado a todas as questões da fase que venho trazendo sempre, se quiserem posso repetí-las novamente em outro post. Talvez o que você deva  ter sempre em mente é que esta é uma fase de construção dos próprios conceitos a respeito de tudo, e que muita opinião de gente que sabe, muito mais “atrapalha” e “incomoda” as próprias definições.  Neste caso,  normalmente, em maior ou menor grau, a reação deles trata-se de uma tentativa de diminuir qualquer coisa que venha dos pais.  Isto explica algumas das dificuldades,  não todas.
 
O fato é que é preciso dar espaço a eles. É eu sei que as vezes é difícil deixá-los tão livres em seus devaneios. Dá vontade de fazermos algo para colocar os pés destes sonhadores no chão, mas isso não funciona neste momento e é exatamente aí que a distância se torna maior ainda. O adolescente precisa de um tanto de onipotência, mas esta é dura de engolir; precisa de um tanto de exagero, mas o excesso de “sem noção” aos olhos de pais mais protetores e atentos  parece uma jornada a um buraco negro. Então a reação dos pais é tentar traze-los  para a realidade desvalidando as “doideiras”, porém isto só dá créditos a necessidade de se refugiar. Mas e aí, deixá-los se meter em confusão? Não, de jeito nenhum, mas permitir a fala, trocar uma ideia,  dizer sim a algumas coisas e não ao descabido, pode melhorar muito a coragem de comunicação e as trocas.  O descabido, neste caso, normalmente são situações de risco e não de diferenças de opiniões. As vezes é muito bom deixar a vida ensinar um pouco.

A história toda é olhar e se posicionar de forma a conseguir estar se comunicando, permitindo o sonho e as fantasias, mas mostrando os limites e consequências de algumas ações.  Se pode mostrar, mas não se pode trancar um adolescente em casa e o impedir de experimentar.  Para isto é preciso que o seu senso de observação esteja de acordo com o adolescente de hoje, mesmo que a sua forma de educar seja das antigas.  Eu sei  que não é tão simples, mas tente se atualizar, eu costumo dizer para os pais para aproveitarem a adolescência do seu filho para se repensarem. Porém, isto não significa virar um deles.

O tipo de comunicação que seu filho tem com você é reflexo do tipo de educação que ele teve e de como os pais lidam com o seu momento. Quando na família os integrantes podem manifestar seus sentimentos e questionamentos sem se sentirem ameaçados, se existe escuta verdadeira, se há respeito nas opiniões, se há aceitação das diferenças e, especialmente,  um tipo de  resposta afetiva as idéias “malucas” e as fantasias dos  jovens desta fase, a comunicação pode ser facilitada.

Muito disso tudo é construído ao longo da infância e, se assim não se construiu ainda,  pode ser feito, mas dará mais trabalho pois exige um olhar para as suas  atitudes também.

Outra coisa que pode ser legal é eventualmente um bate-papo com eles,  mas isto não pode parecer: “agora vamos fazer a reunião familiar e ver os problemas que tu está tendo”. Inserir a conversa em uma saída com um dos pais que tenha mais abertura ou passe uma sensação de mais crédito, tem um bom resultado sempre. O questão é esclarecer e mostrar os esforços de todos e falar um pouco sobre o quanto você entende algumas coisas e respeita ... mas como para vocês algumas coisas também são difíceis pois viveram assim ou assado... mas como todos estão tentando ele também pode tentar .... ele pode ficar com cara de quem acha um blablabla, mas escuta e registra.

Bem, falar sobre  se comunicar com os adolescentes que convivemos pode ser algo que tome vários caminhos.  Portanto, para não deixar este papo muito longo vou encerrar alertando sobre a relevância de vocês pais olharem mais a fundo para o que impede a comunicação de vocês com seus filhos, podem ter certeza que tem uma parcela de vocês aí – descontando o tanto de “chatices”  da fase é lógico!


E lembrem-se sempre:  fronteiras muito rígidas  geram distanciamento, mais isolamento, menos troca. Se for possível  sempre estimule que seu filho coloque suas idéias, suas crenças, mesmo que muito diferentes das suas e fale do que pensa também, mas sem impor como verdade absoluta.

9 de janeiro de 2013

Uma pitada de brincadeira

Outro dia, a caminho do consultório com muito tempo para divagar pois o percurso é longo, eu me lembrava de alguns eventos e me perguntei: quando é mesmo que nós adultos paramos de brincar? Por que isto de repente deixa de ser bem visto? É tão bom! Que diacho é esse tanto de realidade no nosso dia a dia? 

Em meio a estas ideias olhei para fora do carro e a cena que se fazia a minha frente era uma destas impaciências que vemos no transito todos os dias. Neste momento botei uma música e voltei ao meu refugio favorito. Depois com um pouco de pesquisa me propus a compartilhar estas ideias, aí vai.
  
Acho pertinente, quando falo em adultos brincando, pensar em ousadia, já que brincar é algo tido como feio na adolescência e levado muito a sério pelos grandões. Para um adulto brincar é preciso se permitir, se experimentar em algo nem tanto lógico e “adequado” e deixar-se levar. Difícil para alguns durões, mas não impossível. Se você tentar pode acabar percebendo que é mais fácil do que parece, pois brincar nada mais é do que aceitar os próprios desejos lúdicos e se deixar levar sem medo do “olhar critico”, eleito por nós mesmos.

Para mim o fato das pessoas se permitirem brincar significa dar pitadas de saúde ao cotidiano, nutrir as suas vidas de um alimento muito escasso, um tipo de ilógico fantasioso do qual nenhum adulto deveria precisar de álcool ou outros tipos de substancias para poder deixar vir a tona e assim justificar o seu ilógico.

Quando o lúdico e a criatividade de cada um pode se expressar de boa forma nós estamos dando espaços para experimentar o não ao “ Todo dia ela faz tudo sempre igual...” de Chico Buarque e isso pode ser um toque de cor ao dia a dia e, talvez, um diferencial nas muitas rotinas estressantes.
    
Eu gosto de pensar que associada a toda a novidade temos uma ampliação de fronteiras e uma re-significação de conceitos e visões. Trata-se de um conceito da Gestalt, que estimula o experimento, a vivencia do criativo, do brincar e um certo olhar curioso na vida. Neste sentido, aceitar o que se oferece evitando a rigidez do estabelecido pode ser uma escolha saudável.

Isto é explicado por alguns pensadores da psique humana como processo de auto-regulação.  No trabalho Criatividade em Gestalt-terapia de Patrícia Albuquerque Lima, encontrei referencias a teoria de Kurt Goldstein sobre a auto-regulação organísmica. Nestas ele explicava que todos nós temos um forte potencial para a auto–regulação e que esta é uma forma do organismo interagir com o mundo, segundo a qual o organismo pode se atualizar, respeitando a sua natureza do melhor modo possível.

Porem ele destacava que quando uma pessoa é confrontada a realizar algo que se considera sem condições de fazer, isto gera uma experiência de grande ansiedade. Os comportamentos desordenados resultantes são comportamentos desarmônicos, tanto do ponto de vista do organismo, quanto do meio ambiente. Isto faz com que a pessoa evite, de todos os modos possíveis, se expor às situações que lhe gerem ansiedade. Na observação de seus pacientes notou, que nestas situações, vinha a tona uma tendência em buscar comportamentos padronizados de ordem e uma evitação a experiências que pudessem gerar qualquer sensação de vazio, de desordem.

Penso que esta pode ser uma das fontes da resistência dos adultos para brincar ou exercer o seu potencial criativo, pois se uma nova ação na vida já é algo que pode representar ameaça, brincar pode ser um grande desafio.

Porem no livro O Processo Criativo em Gestalt–terapia Zinker diz que: “O ato criativo é uma necessidade tão básica quanto respirar e fazer amor. Somos impelidos a criar”. Deste modo, o que impedirá então que uma pessoa usufrua da possibilidade de ser criativa e se veja embotada neste recurso, que lhe é tão fundamental no seu processo de auto–regulação?

O que poderia justificar o surgimento de um “impedimento” na auto–regulação de uma pessoa? Se um indivíduo é forçado a conviver com uma situação de restrição por muito tempo, o seu modo de funcionamento é afetado, e este passa a se comportar de um outro modo não harmônico. Isto poderia ser explicado simplesmente por um pai ou mãe mais autoritários, um colégio muito rígido, uma experiência de trabalho em uma instituição muito restritiva. Fica a pergunta para que cada um responda a sua.

E depois de escrever demais, fecho a telinha para voltar para casa, entro no carro, ligo o som porque com música tudo fica mais colorido e deixo a mais uma pergunta: Porque não experimentar? A  proposta aqui não é fechar e sim abrir espaço, para, instigar.

Brincar, ouvir música, fantasiar, falar besteira, dar risada... pode ser tão bom!

5 de janeiro de 2013

Blowin in the Wind

Pela suavidade que remete a esperança...de cada um.




Soprando Ao Vento

Quantas estradas um homem precisará andar
Antes que possam chamá-lo de homem?
Quantos mares uma pomba branca precisará sobrevoar
Antes que ela possa dormir na areia?
Sim, e quantas balas de canhão precisarão voar
Até serem para sempre banidas?

A resposta, meu amigo, está soprando ao vento
A resposta está soprando ao vento

Sim, e quantos anos uma montanha pode existir
Antes que ela seja dissolvida pelo mar?
Sim, e quantos anos algumas pessoas podem existir
Até que sejam permitidas a serem livres?
Sim, e quantas vezes um homem pode virar sua cabeça
E fingir que ele simplesmente não vê?

A resposta, meu amigo, está soprando ao vento
A resposta está soprando ao vento

Sim, e quantas vezes um homem precisará olhar para cima
Antes que ele possa ver o céu?
Sim, e quantas orelhas um homem precisará ter
Antes que ele possa ouvir as pessoas chorar?
Sim, e quantas mortes ele causará até saber
Que pessoas demais morreram

A resposta, meu amigo, está soprando ao vento
A resposta está soprando ao vento?