31 de dezembro de 2013

Jogo do I Ching para 2014



Nas trocas de ano eu costumo publicar o I Ching jogado para o ano que está chegando. Um hábito antigo que contribui para a minha reflexão de virada e, depois, acompanha meus aprendizados. No livro de ensinamentos  “O grande” refere-se as maiores aprendizagens do discípulo, é para este que devemos caminhar e a partir deste viver.
Fica o convite para que você faça também as suas reflexões e desperte para a luz das lições.

2013 foi o ano do Hexagrama 9 Hsiau Ch’u  -  A Força Submissa 

Este orientava sobre a nossa incapacidade em controlar as forças que vinham para quebrar - “o pequeno” – tudo aquilo que está impedindo o crescimento, que está obscuro ou, poderíamos dizer, impuro e falso. Um ano difícil, eu disse para aqueles que me acompanhavam. Houveram obstáculos e dificuldades, mas aqueles que se entregaram as mudanças, terminam vitoriosos.  No consultório o aprendizado se deu a partir da máxima: “É preciso trocar os óculos”.  “Tente olhar diferente, observe e reflita sobre a lição e faça a sua diferença”.
É não foi fácil para muitas pessoas, mas profundamente importante para o resto das suas vidas.

Mas, vamos ao jogo para 2014. Ontem ao terminar este jogo tive um alívio - “ O pequeno parte, o grande se aproxima”.  Aí vem um ano de Paz!

Após a disciplina e o primeiro contato consciente com as forças renovadoras do espirito, as forças negativas da personalidade são absorvidas pelo poder e grandeza do espiritual. Quando o “pequeno dá lugar ao grande” o espiritual fará sentir sua presença. Céu e Terra se unem – a Imagem é a PAZ.

Em 2014 Hexagrama 11 Tai  - PAZ – O Grande se aproxima

Com a entrada do novo ano a orientação é, a partir do que se experimentou, colocar  a criatividade a serviço da sabedoria para equilibrar o percurso. A suavidade será a ferramenta mais adequada. 

Ao limpar o obscuro, ao enxergar os erros, as falhas, as más escolhas, esbarramos na tempestade e tivemos a chance de limpar. A energia ainda é de refazer, porém agora com o presente que nos é oferecido. Dar continuidade ao crescimento e a vinda do novo, porém de forma mais harmônica e em paz.

A frase que usarei no consultório chegou a mim por uma querida pessoa que acompanho e caiu como uma luva para as construções que visualizo para este ano - “ A realidade que eu sempre quis”.

A realidade que eu sempre quis, refere-se  a possibilidade de construir caminhos mais libertos dos próprios aprisionamentos. No ano que se passou aprendemos a valorizar o tanto de bom que cada situação nos traz, trocamos o foco, do percentual de negativo para o percentual de positivo de cada experiência. Tivemos a chance de aprender a olhar. Agora vamos transpor este olhar construtivo para a realidade que vivemos e dar o tom que queremos a esta realidade.

A ideia é perceber a própria força para a construção da realidade que se quer. O Hexagrama recomenda passos de paz. Quando não nos centramos no amargo deixamos que o doce harmonize e traga o bom tempero. 

Para aqueles que querem saber um pouco mais, abaixo deixo alguns dos principais aprendizados para este ano. Estes foram retirados das leituras das linhas do Hexagrama Tai , fazem parte das orientações do mestre. 

Trabalhe as limitações com sinceridade e mente penetrante; suporte gentilmente os “incultos”, cada um vai até onde pode; atravesse o rio com decisão, vencendo a inercia e o medo; não negligencie o longínquo, não abrindo mão das metas pelas quais sempre lutou; atente-se ao entorno e não só aos companheiros, é ano de doar mais aos estranhos; manter-se perseverante e sem culpa por mudar; não use o exército agora, não é propício usar a força e a violência pois teste a sabedoria de se olhar mais; e quando você achar que está pronto, seja modesto, a humildade mostra que podemos estar completos, mas nunca prontos.

18 de dezembro de 2013

Para aqueles que acham que perderam “tudo” com o afastamento da pessoa amada.



Eu sei que ter que se afastar de quem se gosta é dolorido, mas nunca o fim do amor.  Acredite, pode ser o recomeço,  de uma nova forma de se amar. Sim, é verdade que quando amamos, amamos a nós mesmos e também a partes do outro.  A doce e cruel ilusão é acharmos que é só ao outro que amamos. Portanto, quando acontece o afastamento estamos nos afastando parcialmente do que amamos. 
Fernando Pessoa coloca isso com primazia neste poema.
Você fica com você! Com a vida e com o  “tudo” , mas um tudo de possibilidades novas.  
É triste e lindo se visto assim...


Nunca amamos ninguém.
Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém.
É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos.
Isso é verdade em toda a escala do amor.
No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio
de um corpo estranho.
No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado
por intermédio de uma idéia nossa.
(Fernando Pessoa)

16 de dezembro de 2013

Caminhada...





Amar e estar em paz com o que nos acontece talvez seja um dos nossos maiores desafios, mas é também uma das maiores sabedorias da vida.  Sabedoria porque sempre o mais beneficiado será você mesmo.

Pois bem, aí vai a minha dica para que esta caminhada difícil tenha inicio. Comece ampliando a sua consciência a respeito dos seus inúteis julgamentos. Quem somos nós para julgar?  Lembre-se da famosa frase, que é mais ou menos assim:  Que a tire a primeira pedra quem não tiver pecados. Pois bem, dê uma olhadinha para você mesmo e reflita... Depois tente aceitar as diferenças, nem todos precisam agir como você. O certo e errado sempre é muito relativo. Não esqueça de estar atento a se melhorar sempre e não o outro, porque cada um sabe a pedra que lhe aperta o sapato. Ou vai saber. E por fim, não se apegue ao ruim das experiências. Este vício nos impede de amar os outros e a vida!

E seja feliz. 

13 de dezembro de 2013

Aos 43 anos

Gratidão legítima é algo que vem com o amadurecimento. É preciso uma certa dose de aceitação, de compreensão da vida e dos que nos cercam para ser afetado por ela. Digo afetado porque o que sinto hoje, no dia em que completo 43 anos, é maior que o  sentimento de gratidão. Trata-se de um estado, que me traz paz, alegria e me enche de amor.

Hoje, ao acordar, eu me dei um feliz aniversário e uns parabéns pra você, antes até do meu marido, que sempre é o primeiro. Estava feliz e nem sabia que era uma afetação pela gratidão. 

O que me resta então é agradecer e tentar espalhar um pouco disso por aí. Agradeço aos meus amigos que estão próximos e distantes, pelo carinho. Agradeço mais... a possibilidade de amar e ser amada, de estar sempre aprendendo, especialmente,  a ver o bom das experiências. Isto me deixa aproveitar a cada coisinha do tanto que nos é oferecido. Agradeço por ter coragem de fazer "diferente" do mandato e, cada vez mais, com mais suavidade. Também ao percurso, nem sempre tranquilo, as vezes suado, mas sempre em frente. Agradeço aos que tem paciência comigo e também aos que não tem, mas não desistem de mim.

Por fim, sem nunca esgotar, aos meus pais que estão sempre tentando, a minha irmã Carla, incansável companheira. A vida que aprendi a amar!

2 de dezembro de 2013

Relacionamentos saudáveis

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.

O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A ideia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que historicamente, tem atingido mais a mulher.
Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino...

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.

Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração.

Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.


O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou.

Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.

A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado: Visa à aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades.
E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. 

Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.

A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa.

As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado.

Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o  que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.

Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.
...
Sobre estar sozinho
 Flávio Gikovate

28 de novembro de 2013

No sentido que for...


A percepção de que o tempo está passando é, ao mesmo tempo,
maravilhosa e assustadora.
O devir causa-me a angustiosa pretensão de fazer com que
a vida adquira um sentido sempre interessante...

Mas é a vida em si tão absurda e tão intensamente inacreditável que me inquieta!
A vida que teima em surgir em vários espaços...
a vida que teima em renascer continuamente...
a vida que se afirma contra a força da destruição e da morte...
a vida que também pulsa em mim!


 Clarice Lispector

25 de novembro de 2013

O lugar do dinheiro nas escolhas


Ontem recebi um e-mail de uma querida de 16 anos que está em duvida a respeito da escolha de um curso que gosta muito, mas que ouviu dizer que não é tão bem remunerado como outros. Eu respondi e a convidei para conversarmos um pouco mais sobre sua escolha profissional. Disse que juntas podemos observar o que se pode fazer de criativo nestas situações, levando em conta as suas particularidades.

Diante disso pensei nas escolhas tão prematuras dos jovens e da atual realidade econômica em que vivemos. Muitas reflexões me vem, especialmente  quando a questão é o balanço desejo e necessidade quanto a escolha profissional.

Tenho muito respeito as necessidades de cada um. Sei que as pessoas organizam suas crenças, a respeito do lugar do dinheiro em suas vidas, movidas por inúmeras experiências, interferências de vida e influencias diversas, que eu nem poderia listar.  Falo daqueles que passaram por momentos de privações, dos que ainda tem faltas, daqueles que construíram seus sonhos respaldados em alicerces um tanto “caros”, daqueles que se valorizam em suas bases...

Eu e nós todos de alguma forma não tão explicita passamos por isso, mas sempre podemos questionar e reavaliar o que é realmente importante, em seu devido tempo e lugar.

Pense nisso! E dentro do possível adeque a sua vida.



 “Melhor ter uma vida curta que está cheia do que você curte fazer do que uma vida longa gasta de um jeito miserável. E, no fim das contas, se você realmente gosta do que faz, não importa o que seja, você poderá eventualmente se tornar um mestre daquilo. A única maneira de se tornar um mestre em algo é você estar realmente naquilo.
Alan Watts, em “What If Money Was No Object?

19 de novembro de 2013

Sem medo de amar

Será que está faltando amor por aí? Será que a correria do dia a dia e a avalanche da era da imagem e do descartável, não estão nos deixando amar? Ou será que desacostumados a nos deixar afetar e até envergonhados por isso, não estamos nos permitindo simplesmente amar. Amar sem o drama do romantismo, sem  ter que ser salvo de nada ou, menos ainda, ter que ser descoberto por um super alguém encantado.  Falo de amar  e só isso. A nós mesmos, por mais piegas que possa parecer, as pessoas que convivemos e, acima de tudo, a vida que está aí ao nosso dispor!

Sabe como é? Não?

Então leia o conto abaixo e reflita. Foi um querido paciente de 17 anos quem me enviou.


Um jovem que foi visitar um sábio conselheiro e lhe falou sobre as dúvidas que tinha a respeito de seus sentimentos por uma bela moça.
O sábio escutou-o, olhou-o nos olhos e disse-lhe apenas uma coisa: “Ame-a”.
E logo calou-se.
O rapaz, insatisfeito, acrescentou: “Mas ainda tenho dúvidas…”
Novamente, o sábio lhe disse: “Ame-a”.
E diante do desconcerto do jovem, depois de um breve silêncio, continuou:
Meu filho, amar é uma decisão, não um sentimento. Amar é um verbo e o fruto dessa ação é o amor. O amor é um exercício de jardinagem. Arranque o que faz mal, prepare o terreno, semeie, seja paciente, regue e cuide. Esteja preparado porque haverá pragas, secas ou excesso de chuvas, mas nem por isso abandone o seu jardim. Ame, ou seja, aceite, valorize, respeite, dê afeto, ternura, admire e compreenda. Simplesmente: Ame! A vida sem AMOR… não tem sentido.

6 de novembro de 2013

Bate-papo com adolescentes

Convide seu filho, sua filha!
Inscrições no telefone: (51) 33337052

Tema: E a minha imagem ? 

Quando: Dia 08/11/2013 as 14hs.
Onde: Rua Freire Alemão 366 Mont Serrat.
Evento aberto - É necessário inscrever-se com antecedência.

3 de novembro de 2013

Seja grato

Naikan significa olhar para dentro a fim de entender o que há de difícil.

Faz tempo eu li isto em um texto de Maria Olímpia de Melo. O texto falava de gratidão, um tipo de sentimento que não desenvolvemos pela simples dificuldade de percebermos o que fazem por nós.


É verdade, atualmente tenho pensado que a gravidade de muitos desentendimentos poderia ser amenizada pela presença deste escasso sentimento.



Você que está aí em alguma dificuldade com alguém já parou para pensar no tanto que já recebeu desta pessoa. E isto onde fica? E o sua parcela já foi contabilizada?

Pense! Em toda a situação relacional existem dois envolvidos e sempre o que está acontecendo diz respeito a ação e reação. Isto é algo importante, pois, assim não tem sentido “atacar” ao pretexto culpado.

Tratemos hoje de gratidão!


Gratidão por tudo aquilo que recebemos do outro, tudo aquilo que ele nos dá, nos deu. Seja lá quem for esse outro. Porque embora a gente não se dê conta essas benesses existem, minuto a minuto, hora a hora, dia a dia.

Quantos conflitos entre pais e filhos, desentendimentos de casais, processos de separações poderiam ser amenizados com a simples consciência de que tanto recebemos da pessoa que estamos hoje em discórdia.

Onde está a gratidão? De repente tudo some e não vale mais nada.

Desde que somos concebidos, de uma forma ou de outra, somos cuidados; desde que iniciamos um namoro e, mais ainda, ao compartilhar a vida com alguém, somos cuidados e amparados. Ao longo dos anos de convivência, seja ela qual for, recebemos, sem pararmos para anotar e contabilizar os feitos. Achamos esse cuidado tão natural que não o consideramos a maravilha que é. De repente esquecemos  do mais importante! 


Existem pessoas que acham que nada devem a ninguém.  Já dizia Sartre que o inferno são os outros e muita gente acredita mesmo nisso, sem nunca ter ouvido falar em Sartre. Mas é impossível viver sem os outros. Nós “enrugamos” e “secamos” desnutridos de afetos, de apoio, de amizade, de acolhimento, trocas...


Quem dera eu consiga deixar a gratidão se apropriar de mim. Por isso eu oro. A gratidão pelas pessoas e pequenas grandes coisas da vida.

E você?


Inspirada no texto -  Sobre a Gratidão de Maria Olimpia Alves de Melo

29 de outubro de 2013

Mas o que azeda um relacionamento?


O que azeda um relacionamento não é a quantidade de problemas que o casal enfrenta. É, sobretudo, o significado que cada um dá aos gestos e palavras do outro: o que conta é a escuta de amor ou desamor, de confiança ou desconfiança com o que se ouve do parceiro. Ao passar por este filtro, uma fraqueza do parceiro poderá ser inscrita no registro da ternura ou do rancor, uma pergunta poderá ser entendida como uma demonstração de interesse ou de controle. E é comum que, com o desgaste do cotidiano, dentro de cada um se instale um "sabotador", espécie de Rei Midas ao contrário, que tem o dom de azedar tudo que vem do parceiro - até aquilo que antes encantava.

Assim, o gesto que na fase da conquista, era interpretado como convite a um encontro agora pode ser encarado como movimento de invasão.

Não precisa ser assim. Se o relacionamento do casal tiver como base a confiança e não o ressentimento, é possível acreditar que o outro é fundamentalmente bem intencionado - embora muitas vezes desajeitado.

Lidia Aratangy 

23 de outubro de 2013

Bate-papo com Adolescentes dia 31/10

Convide seu filho, sua filha! 
Inscrições no telefone: (51) 33337052
Tema: "E o que pensam de mim, importa?" 
Quando: Dia 31/10/2013 as 14hs.  
Onde: Rua Freire Alemão 366 Mont Serrat.  
Evento aberto - É necessário inscrever-se com antecedência.



Vivemos um tempo de  "culto ao corpo e a imagem”.  Os padrões que a sociedade impõe, principalmente através da mídia, estimulam uma busca inesgotável pelo corpo perfeito, pela aparência de forte, feliz, bem sucedido etc...

Existe uma lógica que alimenta isso e não se mostra, mas está presente nos desejos de “melhor imagem”, uma lógica que inibi e exclui quem não se sente tão bom, tão valente, tão capaz....

Nossos jovens vivem um momento cultural e refletem este dilema em suas vidas, especialmente nas formas de se relacionar. Uns buscando poder ser o esperado e outros fugindo do esperado.

Eles são espertos e sabem que estão a mercê de um tipo de cobrança que aceita ou rejeita e isto explica muitos dos seus comportamentos e problemas. Problemas que nascem da impotência de reagir e da falta de clareza sobre as suas próprias forças para dizer não.

Não tem nada de mais se preocupar com a estética, seja qual for a adotada. Se cuidar, fazer exercícios, cuidar a alimentação é algo muito saudável. O problema só acontece quando este cuidar é excessivo a ponto de destorcer o que realmente é importante.
    
Na tentativa de ajudá-los lanço mais um Bate-papo com Adolescentes. Um encontro descontraído e leve para falarmos sobre o corpo, a imagem, a importância da aparência.

O objetivo destes encontros sempre é tentar ampliar  a visão, despertar questionamentos e ouvi-los.  Espaço necessário, no qual qualquer pitada de reavaliação já é considerada sucesso.

11 de outubro de 2013

Tratando a Tensão Pré-Menstrual

A TPM é uma condição que se manifesta apresentando uma ampla variedade de sintomas físicos e emocionais, que ocorrem antes do período menstrual. Os sintomas mais comuns são: depressão, tristeza, choro involuntário, impulsividade, crises de raiva, insônia, distensão abdominal, dor nas mamas e nas costas, peso nas pernas e enxaquecas diversas.  Sintomas que variam de intensidade e permanência, que dependem do tipo de desequilíbrio e perfil constitucional da paciente.
Eu costumo dizer que a TPM é uma vilã periódica, que chega de mansinho e pode transformar a vida de uma mulher em um verdadeiro caos.

Normalmente as mulheres começam a ter os sintomas e não atribuem a TPM, é por isso que não tomam providencias.

Acontece, mais ou menos, assim: você anda furiosa ou excessivamente queixosa e preocupada, um “porre” de lidar, nem você mesma se aguenta, tudo é motivo de desentendimento ou de drama. Aí você sente que a menstruação desceu e... Ai que alívio, tudo passa! Acontece que até passar se foram dez ou quinze dias e isso é muito tempo em desarmonia.

É preciso prestar atenção nos seus ciclos.
A TPM pode se confundir facilmente com o estresse produzido pela vida moderna, porem esteja atenta, pois é uma síndrome que se repete todo o mês, na esma época.  Além disso, a sua intensidade é tanta que pode ser confundida com problemas psicológicos maiores ou com algumas doenças físicas.   

Mas o que acontece com a mulherada?
No período da ovulação até a menstruação ocorre muita alternância no organismo, uma verdadeira gangorra hormonal. Quando a mulher está frágil, em algum aspecto energético, é fácil se desequilibrar nesta fase do ciclo.  Isto acontece porque após a ovulação e a não fecundação do óvulo as mulheres entram na fase que levará a menstruação. A pré-menstruação é um período de acumulo de tensão, a fim de expulsar a retenção de tecido que, sem a fecundação, não terá utilidade. Portanto um certo nível de tensão é natural e faz parte do processo. O que não é natural e deve ser tratado é tensão excessiva que desencadeia uma série de sintomas.

É importante que esta informação chegue as mulheres que apresentam altos e baixos periódicos e significativos. Hoje em dia existem muitos tratamentos para a Tensão Pré-Menstrual.

O tratamento com Acupuntura

Acupuntura é uma prática muito usada para os distúrbios e desarmonias femininas, tendo um ótimo resultado tanto no tratamento da TPM como da Menopausa e outras problemas decorrentes do bom equilíbrio do ciclo menstrual. Sua eficácia está em visar o restabelecimento do equilíbrio geral – psíquico/físico/energético.  Além disso, a acupuntura promove um pronto alívio dos sintomas, pela sua rápida regulação do sistema hormonal e energética.


5 de outubro de 2013

A "traição" é o final do amor?

Ontem, enquanto conversava com uma pessoa que está sofrendo com, segundo ela a infidelidade de seu/a companheiro, lembrei  deste pequeno texto da professora Suely Rolnik.  Ele faz parte dos meus estudos no grupo Amores e Paixões com o colega Cesar Koefender.

Será que o amor acabou?
É possível, pois o amor pode acabar e isso acontece quando as vidas dos amantes deixam de se expandir e de fazer sentido unidas, mas não necessariamente a “traição” acontece quando tudo está acabado. Muitas vezes ela está expressando um distanciamento e uma crise.

Segundo a Profs. Suely é impossível generalizarmos. Às vezes a traição pode ser o sintoma de que acabou mesmo,  mas outras vezes pode sinalizar que algo não anda bem e estimular o casal   a enfrentar as dificuldades e reinventar a relação.  A traição é nefasta no caso de pessoas "galinhas", que têm necessidade de confirmar o ego infinitamente, vivem traindo e são incapazes de fazer alianças reais.  Saber o que fazer, quando se trai ou se é traído, depende de avaliar  o quanto a traição abre vias para a expansão da vida ou para sua estagnação. Para isso temos que agüentar o sofrimento e escutar o que ele diz,  senão permaneceremos prisioneiros do medo de perder o outro. 

30 de setembro de 2013

Cotidiano Relacional

Alguém especial

Ficar com muita gente é fácil”, diz um amigo meu, com pouco mais de 25 anos. “Difícil é achar alguém especial”.
Faz algum tempo que tivemos essa conversa. Ele tentava me explicar por que, em meio a tantas garotas bonitas, a tantas baladas e viagens, ele não se decidia a namorar.

Ele não disse que estava sobrando mulher. Não disse que seria um desperdício escolher apenas uma. Não falou em aproveitar a juventude ou o momento e nem alegou que teria dificuldade em escolher. Disse apenas que é difícil achar alguém especial.
Na hora, parado com ele na porta do elevador, aquilo me pareceu apenas uma desculpa para quem, afinal, está curtindo a abundância. Foi depois que eu vim a pensar que existe mesmo gente especial, e que é difícil topar com uma delas.

Claro, o mundo está cheio de gente bonita. Também há pessoas disponíveis para quase tudo, de sexo a asa delta. Para encontrar gente animada, basta ir ao bar, descobrir a balada, chegar na festa quando estiver bombando. Se você não for muito feio ou muito chato, vai se dar bem. Se você for jovem e bonita, vai ter possibilidade de escolher. Pode-se viver assim por muito tempo, experimentando, trocando de gente sem muita dor e quase sem culpa, descobrindo prazeres e sensações que, no passado, estariam proibidos, especialmente às mulheres.

Mas talvez isso tudo não seja suficiente.

Talvez seja preciso, para sentir-se realmente vivo, um tipo de sensação que não se obtém apenas trocando de parceiro ou de parceira toda semana. Talvez seja preciso, depois de algum tempo na farra, ficar apaixonado. Na verdade, ficar apaixonado pode ser aquilo que nós procuramos o tempo inteiro – mas isso, diria o meu jovem amigo, exige alguém especial.

Desde que ele usou essa fatídica expressão, eu fiquei pensando, mesmo contra a minha vontade, sobre o que seria alguém especial, e ainda não encontrei uma resposta satisfatória. Provavelmente porque ela não existe.

Você certamente já passou pela sensação engraçada de ouvir um amigo explicando, incansavelmente, por que aquela garota por quem ele está apaixonado é a mulher mais linda e mais encantadora do mundo – sem que você perceba, nela, nada de especial. OK, a garota é bonitinha. OK, o sotaque dela é charmoso. Mas, quem ouvisse ele falando, acharia que está namorando a irmã gêmea da Mila Kunis. Para ele ela é única e quase sobrenatural, e isso basta.

Disso se deduz, eu acho, que a pessoa especial é aquela que nos faz sentir especial.

Tenho uma amiga que anda apaixonada por um sujeito que eu, com a melhor boa vontade, só consigo achar um coxinha. Mas o tal rapaz, que parece que nasceu no cartório, faz com que ela se sinta a mulher mais sensual e mais arrebatada do planeta. É uma química aparentemente inexplicável entre um furacão e um copo de água mineral sem gás, mas que parece funcionar maravilhosamente. Ela, linda e selvagem como um puma da montanha, escolheu o cara que toma banho engravatado, entre tantos outros que se ofereciam, por que ele a faz sentir-se de um modo que ninguém mais faz. E isso basta.

É preciso admitir que há gente que parece especial para todo mundo. Não estou falando de atores e atrizes ou qualquer dessas celebridades que colonizam as nossas fantasias sexuais como cupins. Falo de gente normal extremamente sedutora. Isso existe, entre homens e entre mulheres. São aquelas pessoas com quem todo mundo quer ficar. Aquelas por quem um número desproporcional de seres humanos é apaixonado. Essas pessoas existem, estão em toda parte, circulam entre nós provocando suspiros e viradas de pescoço, mas não acho que sejam a resposta aos desejos de cada um de nós. Claro, todo mundo quer uma chance de ficar com uma pessoa dessas. Mas, quando acontece, não é exatamente aquilo que se imaginava. Você pode descobrir que a pessoa que todo mundo acha especial não é especial para você.

Da minha parte, tendo pensado um pouco, acho que a pessoa especial é aquele que enche a minha vida. Ela é a resposta às minhas ansiedades. Ela me dá aquilo que eu nem sei que eu preciso – às vezes é paz, outras vezes confusão. Eu tenho certeza que ela é linda por que não consigo deixar de olhá-la. Tenho certeza que é a pessoa mais sensual do mundo, uma vez que eu não consigo tirar as mãos dela. Certamente é brilhante, já que ela fala e eu babo. E, claro, a mulher mais engraçada do mundo, pois me faz rir o tempo inteiro. Tem também um senso de humor inteligentíssimo, visto que adora as minhas piadas. Com ela eu viajo, durmo, como, transo e até brigo bem. Ela extrai o melhor e o pior de mim, faz com que eu me sinta inteiro.

Deve ser isso que o meu amigo tinha em mente quando se referia a alguém especial. Se for isso vale a pena. As pessoas que passam na nossa vida são importantes, mas, de vez em quando, alguém tem de cavar um buraco bem fundo e ficar. Essas são especiais e não são fáceis de achar.

(Ivan Martins escreve às quartas-feiras na Revista ÉPOCA)

27 de setembro de 2013

E se o outro fosse eu?

Para reflexão
Confúcio comunicou a seu discípulo Zengzi, cognominado Shen: “Shen, meus ensinamentos podem se abarcar em apenas um”. Zengzi disse: “Sim!” Tendo saído o Mestre, os outros discípulos perguntaram: “O que ele queria dizer?”. Zengzi respondeu: “Os ensinamentos do Mestre reduzem-se a fidelidade, em relação a si mesmo, e compreensão para com os outros”

Esta passagem tão famosa parece expressar a ideia central do ensinamento de Confúcio.

A resposta de Shen aos seus colegas foi a respeito de duas ideias, que parecem ser centrais:

O “Zhon” é a fidelidade a si mesmo, a lealdade consigo mesmo. O ideograma, muito sugestivo, mostra o centro de um coração: indicando a ideia de “estou dentro e no centro do Eu para ser fiel e sincero comigo mesmo”.


Já “Shu” é a compreensão para com os outros, o perdoar o outro. O ideograma sugere que o coração está em comparação com outro coração: é a ideia de “e se o outro fosse eu?”, de compreender o outro, se colocando no lugar do outro, e de "não fazermos aos outros o que não gostaríamos que fizessem conosco".

Para ilustrar melhor esta ideia, encontramos na oração cristã, “Pai-Nosso”, as melhores palavras. Ao rezarmos: “... Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aqueles que nos tenham ofendido...”; não é a expressão mais perfeita desta ideia? Pois o que pedimos não é que sejamos perdoados conforme a capacidade que cada um de nós tivermos para perdoar o outro?(1)


Nota (1)  Prof. Sylvio R. G. Horta.
Fonte: http://www.dhnet.org.br/dados/livros/memoria/mundo/confucio.htm

Obrigada a todos que cruzam o meu caminho e me ensinam sobre mim e sobre as pessoas.
  

20 de setembro de 2013

Para quem tem insônia - Dicas para um bom dormir


Segundo a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), a  qualidade do sono depende do estado de alguns sistemas, especialmente o Sistema  Coração e o Sistema  Fígado.  Para identificar o tipo de insônia é importante avaliar as deficiências e excessos que afetam o sono, podendo o sintoma ser de excesso, mas a síndrome de deficiência.  

Como sempre, na MTC, há um relacionamento entre o corpo e a mente e o estresse emocional  é o campeão das causas.

“Se o Coração for saudável e o Sangue abundante, a Mente (Shen)  é enraizada e o sono profundo”.  “Quando o Fígado está equilibrado a Alma Etérea (Hun) mantém o sono tranquilo e harmônico”.

Bem, todas estas expressões só fazem sentido a luz  da  MTC e aqui a minha intenção não é lhe explicar estes conceitos, mas lhe oferecer dicas que possam contribuir para um sono melhor.   Porem, como sempre, não esqueça de considerar as suas particularidades.

Para um bom dormir:

Observe o seu ritual de sono.

Atenção ao seu ritual de sono, este pode ser ajustado para facilitar o relaxamento, o equilíbrio da energia e favorecer a tranquilidade da Mente.
Para aqueles que não param nunca de trabalhar, atenção: seu sono depende da Mente tranquila. Tente desligar-se das questões de trabalho e também das técnicas, no mínimo, uma hora antes de deitar-se. Tanto o excesso de preocupação, como de esforço mental contribuem para o desequilíbrio do sono. As vezes uma música para dormir pode dar uma boa ajuda. Também uma leitura leve  pode ajudar a distrair, mas nada de livros técnicos ou informativos.

Outro recurso pode ser as práticas meditativas que são  realizadas antes de dormir e no meio da noite, aquelas que tem objetivo  de relaxar o corpo e trazer a atenção para o presente. Estas funcionam muito bem para os “dorme e acorda” noturnos.  Em casos de Mente muito agitada eu recomendo procurar profissionais da meditação, existem pessoas que se dedicam ao estudo da meditação. Eu conheço alguns.

Se o caso for estresse emocional

Aos que estão vivendo algum desequilíbrio emocional, especialmente aqueles que envolvem  mágoa e ira, saiba que  estes  agem desfocando a atenção e consumindo a energia de tal forma que o desequilíbrio pode afetar todo o organismo.  O melhor sempre é tratar o problema pois, nestes casos, a insônia é só um dos sintomas. Mas existem outros desequilíbrios emocionais que geram insônia por provocarem sintomas de excesso e  consumirem energia demasiada. Estes são diversos e, normalmente, se relacionam a dificuldades de lidar com o que a vida apresenta.
    
Bem,  enquanto as questões ainda não se resolvem,  ao ir dormir, tente achar jeitos de se desligar dos pensamentos que alimentam o processo.  Algumas pessoas, que passam por processos emocionais difíceis se beneficiam  com um bom romance que distrai e até gratifica.  Para aqueles que tendem a remoer  ira, exigência pessoais ou tentam prever o imprevisto, eu gosto de indicar música. Tenho até uma frase: experimente, com música tudo pode ficar melhor. Selecione algumas boas músicas, tente e se esforce. Toda vez que os pensamentos vierem, volte-se a música.
 
Nos casos que se referem ao emocional é bom lembrar que o principal afetado com a manutenção deste tipo de desequilíbrio é você mesmo.   A sua melhora depende de você desejar “dar a volta por cima” e achar jeitos de estar de bem com a vida.

Cuide a alimentação

Não coma em excesso a noite e evite alimentos muito “pesados” , estes normalmente agitam o interno e não contribuem para o relaxamento. Procure comer com um bom intervalo da hora de dormir, mas se não for possível evite as carnes.  Alimentos leves como folhas verdes claras, frutas claras ajudam a tranquilizar, em especial a maçã descascada.

Você se lembra do antigo chá da vovó? Aquela que ela dizia que acalmava? Pois, existem alguns chás que ajudam a tranquilizar mesmo:  erva cidreira, capim cidró, camomila, maçã.  Café e chimarrão a noite, nem pensar.

A alimentação contribui bastante para as insônias e, se seu caso for de muita desorganização alimentar, eu recomento que você procure um profissional da nutrição. Este pode lhe ajudar a organizar a sua rotina e lhe indicar uma boa orientação alimentar. Na MTC o que fazemos é indicar alimentos que restabeleçam o equilíbrio da energia, estimulando ou sedando sistemas.

Faça exercícios físicos

A prática de exercícios pode contribuir bastante para a qualidade do sono.  Estes sempre favorecem o equilíbrio do organismo e alguns tem uma grande ação em acalmar a Mente. Observe quais são os exercícios indicados para você, isto vai depender da sua constituição.  Pessoas muito agitadas costumam se beneficiar de exercícios que acalmam, mas podem precisar gastar um pouco de energia. Apenas preste atenção para não praticar exercícios estimulantes na tardinha e noite. Outras pessoas precisam, mesmo que se sintam sem energia, de exercícios estimulantes. Estes devem ser praticados pela manhã.

Com a MTC o que podemos fazer é observar  se o paciente sofre de uma insônia de excesso ou deficiência e se deveria buscar exercícios estimulantes ou tranquilizadores. Mas a condução do exercício fica a cargo do profissional da área da educação física ou das artes marciais.
  
Observe a sua postura ao dormir

A melhor indicação quanto a posição, segundo a MTC,  é deitar sobre o lado direito, com as pernas levemente curvados e o braço esquerdo repousando sobre a coxa esquerda.

É isso, aproveite as dicas e bons sonhos !

16 de setembro de 2013

Cotidiano relacional


Estou, cada vez mais, me dedicando aos relacionamentos. Amores, paixões, namoros, casamentos, impossibilidades, desejos de,  solidão, separações etc... Aos poucos vou trazendo algumas novidades sobre os meus estudos, traçando paralelos com as formas de ver o mundo da filosofia oriental.

Hoje trouxe uma crônica do jornalista Ivan Martins, da revista Época. Considero muito boas as suas observações do cotidiano  relacional. 

Ele não tem pretensão de analise em seus textos, apenas traduz o que esta se passando ai fora. 

Aqui a proposta é observarmos e criticarmos o que anda acontecendo por ai, ver se nos serve e o que podemos fazer com a informação. 

Esta crônica abaixo me  remeteu a alguns jovens que acompanho.  Sei que cada caso é um caso, mas vale a reflexão.

Aquele Casamento Ruim – Casar cedo pode ser um bom atalho para a decepção

Um dos meus escritores favoritos, o americano Philip Roth, escreveu uma frase que me persegue desde que a li. Nela, o personagem de um de seus romances constata que fez “aquele casamento ruim que muita gente faz aos 20 anos” – com graves consequências para o resto da sua vida. 


Antecipo que esta é uma daquelas ocasiões em que muitas leitoras e leitores irão reclamar das minhas generalizações e alegar, com alguma razão, que seu próprio exemplo sugere o contrário. Ainda assim, tenho de dizer que concordo inteiramente com o teor pessimista do comentário de Roth e, mais do que isso, tendo a me identificar com ele. Casamentos precoces são a última e devastadora doença da infância. 

O sujeito passou incólume pela catapora e pela caxumba, está deixando para trás as dores de adolescência, mas então resolve, sem qualquer fundamento, que já é homem – ou mulher o bastante – para começar uma nova família, e mergulha de cabeça no desconhecido, acompanhado de um estranho ou de uma estranha. 

O que uma pessoa sabe sobre si mesmo antes dos 24 ou 25 anos? Pouco. Ao redor dos 20, cada um de nós ainda caminha no vale das sombras da infância, assustado e esperançoso com o que vem pela frente. É um momento difícil para escolher parceiros de longo prazo porque nós mesmos estamos em mudança e ebulição. Corpo e mente pedem experimentação, não repouso. O casamento nessa idade pode ser uma fuga de algo que nem sabemos o que é. 

Por razões que não vem ao caso discutir, eu periodicamente sou forçado a pensar na qualidade das escolhas que alguém pode fazer aos 20, 21, 22 anos de idade. Nesse momento sabemos quase nada sobre a pessoa com quem decidimos viver “o resto da vida”. Elegemos parceiros ou parceiras como base em vivências pífias. Essa inexperiência, somada às inseguranças juvenis, faz com que nos liguemos a qualquer tipo de pessoa. Pode ser alguém bom ou especial. Mas pode, do mesmo jeito, ser gente de má índole, ruim. Ou simplesmente oca e egoísta. 

Quem viveu tão pouco ainda não consegue distinguir comportamentos que, mais tarde, irão saltar aos olhos como fúteis, abjetos ou patológicos. É por isso que as relações nesse período deveriam ser transitórias. A gente vive, erra, aprende e avança. Mas o casamento precoce interrompe esse processo - e pode nos deixar estacionado por vários anos, em péssima companhia.  A  única certeza sobre a aparência e o caráter das pessoas é que nenhum deles melhora com o tempo.


Estou soando lúgubre? Desculpem. Também eu conheço dezenas de casamentos bonitos que começaram aos 20. Alguns deles, na verdade, iniciaram no colégio e continuam até hoje. Produziram filhos, patrimônio e lealdades profundas. São relações bem-sucedidas, ainda que tenham deixado de ser intensas na acepção romântica e erótica da palavra. 


Quando você casa aos 20 pode ter uma relação como essa aí de cima. Ou pode ter a da vizinha com cara de adolescente que insulta o marido aos berros e é tratada por ele com a mesma candura. Ao som dos gritos do bebê. Vocês já notaram que não há casamento desfuncional sem uma criança? Às vezes eu tenho a impressão que a pressa em fazer filhos é diretamente proporcional ao fracasso que vem pela frente. 

Claro, não há garantia de que ao adiar o casamento você vá evitar desastres, mas as chances de que eles ocorram são menores. Os casamentos depois dos 30 às vezes são efêmeros, mas raramente são trágicos. As pessoas se conhecem melhor e conhecem melhor os outros. Isso ajuda a selecionar com mais acerto. 

Naturalmente, eu falo de uma perspectiva masculina. Embaixo do meu umbigo não há um relógio biológico fazendo tic-tac. O urologista nunca me disse que a melhor idade para ser pai é entre os 16 e os 21 anos, como os ginecologistas dizem para as mulheres. Sei que há na vida feminina uma urgência que a masculina não tem, mas isso tem de ser relativizado pelo bem das próprias mulheres. Gente louca para casar e ter filhos se junta a qualquer babaca. Com péssimas consequências. 

Se ainda não ficou claro a importância de escolher sem pressa, vai um último argumento: você não quer chegar aos 30, aos 40 ou aos 50 ligado pela existência dos filhos a uma pessoa a quem despreza. Esse é o tipo de sentimento que suja e entristece a existência. Pelo menos é o que dizem os romancistas.



Ivan Martins em Alguém Especial