31 de dezembro de 2012

O I Ching da virada


O meu jogo de I Ching de final de ano já é uma tradição.
Estamos hoje nos despedindo da energia de Fu – 24 - Retorno ao inicio, mas renovado e dando boas vindas a 2013, quando se  inicia o ciclo de

Hsiao Ch’u – 9 – A força submissa.

Este refere-se ao “vento” que é simplesmente o ar em movimento, esta penetrante substância que pode deter-se mas não por muito tempo. O vento move-se no céu por algum tempo e então, sem termos comando, para ao seu tempo.

Este simbolismo não é facilmente explicável, exige do leitor a sua intuição para a interpretação. A submissão referida no seu título refere-se a entrega e a humildade do homem sábio em mover-se de acordo com ao seu descontrole, deixando-se levar ao que se coloca.

“Eis aí! Vento! Chuva! Eis aí! Confiem! O poder está completo! Amo! Segure firme! Os obstáculos governam!
   
Avançar a todo custo não deve nos levar ao lugar desejado, é preciso sentir,  observar, intuir e assim se mover. O Homem Superior deve acreditar na sua capacidade de reconhecer a verdade interior e de transmitir mensagens. O verdadeiro poder está em se demonstrar desprendimento, não se envolver em esforços monumentais nem em batalhas de argumentos (que de nada adiantariam).

Ser fiel aos princípios, sinceros no caminho, mas sem agredir, contornando os obstáculos e deixando que estes nos penetrem para retirarmos o seu essencial.  Este ensinamento fala de entrega e de sinceridade. Algo importante para “flutuar” em 2013 e assim seguir adiante em paz.

Este hexagrama indica aceitar e se submeter não significa passividade, mas atividade no que se oferece e um tanto de humildade para aprender com o que surge e com as pessoas que cruzam o nosso caminho.

Quanto as pessoas, estas começam a entender o outro e a respeitar o seus sistemas de vida, mas não o bastante para corrigirem a maneira como se relacionam e isto pode ser um ponto de aprendizagem. Enquanto as relações não forem firmes e corrigidas, é preciso manter cautela e nunca deixar pequenas vitórias acabarem com a autodisciplina.
Ao aceitarmos a maneira lenta como a natureza age, estamos dando o espaço necessário para os outros descobrirem o seu caminho e segui-lo. Isso é feito com paciência e modéstia. A impaciência, que nasce do desejo e da dúvida, indica a tentativa do ego de controlar a situação a todo custo. O empenho, porém, está condenado ao fracasso. Temos o hábito de acelerar as coisas e abandonar a espera paciente quando acreditamos que o momento certo talvez não surja na rapidez desejada.
(Wu Fang).

Desejo a você um FELIZ e HARMÔNICO 2013, do seu jeito!



Bem, nas últimas semanas, me dando um tipo de férias, estive super envolvida com a minha câmera fotográfica. Isto explica o meu sumiço...
Abaixo eu com a mão na câmera.















Dizem que as mulheres são dotadas de um tipo de habilidade que eu reconheço não ter desenvolvido bem, trata-se do dom feminino de fazer muitas coisas ao mesmo tempo.  Algumas explicações a este respeito nos remetem a época das cavernas, em que as fêmeas cuidavam da caverna e de tudo que dizia respeito ao ambiente, enquanto que os machos se ocupam somente da caça. É, pode ser, mas se é isso acho que eu acabei me dedicando muito a caça.

Mais tarde publico as orientações do I Ching para o próximo ano. Tratem de separar seus trajes - tudo branco para esta entrada! Os homens podem usar bermuda azul.

21 de dezembro de 2012

Um quase fim do mundo


Que presente nos traz essa chuva, sinto que agora é possível respirar. Ontem o dia foi um dos mais pesados deste ano de 2012, havia um calor quase infernal no ar e o vento que chegava a pele parecia fazer acender uma agitação interna que poderia ser interpretada como um sim ao tal fim do mundo. Mas tudo se foi com a água e hoje as gotas de chuva alimentam a paz, neste som que suaviza e acalma as vésperas do Natal.

E tudo segue...

14 de dezembro de 2012

Lição Oriental


Após o grande mergulho 
o homem sábio respira...
Após tanta concentração na Psicologia, posso retomar o meu profundo amor pela visão oriental.





Cada sopro um vento,  
Cada rio uma correnteza...

O seu jeito é o mais certo? 
Assim é mais adequado? 
Deveria ser assim? 
Por que não desta forma?


Segundo os taoistas chineses a natureza é um organismo que progride sendo deixado ser. Wu-wei significa não interferir, não agir contra a tendência. Isto não significa passividade, significa observar e saber agir de acordo, significa respeitar, aceitar o outro.

Em chinês existe uma palavra cuja pronuncia é li, um ideograma que pode ser traduzido como razão, principio das coisas ou “padrão orgânico”. No I Ching podemos encontrar uma passagem que diz: quando olhamos para as nuvens, elas não são simétricas, não tem formas específicas e parelhas, mas nós sabemos que isto está em perfeita ordem. Isto é um padrão orgânico, não é uma bagunça. Esta passagem está se referindo aos diferentes modos de ser e as inúmeras situações que se apresentam nos percursos da vida. 

Se alguém sente, pensa, age, de uma maneira diferente da sua, esta pessoa está usando o seu padrão harmônico. Isto tem uma lógica, que para alguns pode parecer torta, mas que para ela tem a sua organização pessoal e um sentido. Quando alguém toma uma decisão que não seria a sua, escolhe o que jamais você escolheria, ela não está necessariamente errada, ela só tem outro jeito de se organizar.  

Assim como as nuvens nós deveríamos deixar as pessoas serem
Não é raro, especialmente em casais, um criticar arduamente a organização do outro, a forma, a lógica. Mas por que? O que está em jogo? Pensem nisso.

Também no I Ching e em muitas reflexões do Tao nós podemos ler:   o  homem de bem critica a organização das estrelas? Não, simplesmente aceita como elas são.

Mas quando se vive a dois, aceitar tudo é impossível. N
este caso existe um “nós” que deve ser contemplado.  Então negocie, promova combinações onde se possa flexibilizar mais do que criticar.

E porque não fazer o mesmo quando falamos do ser social? Aceitar e negociar com o vizinho, com o colega, com os amigos, prestadores de serviços... 

Como tudo seria mais fácil se nós sempre nos lembrássemos disso!

7 de dezembro de 2012

Sobre as diferentes formas de ver























Houve um tempo em que eu escrevia muito sobre o quanto os “óculos” que usamos interfere no que vemos, ou seja, o quanto o seu olhar lhe faz ver as coisas de uma forma que contém a sua historia.

Muitas vezes eu pergunto para aqueles que acompanho: é isso mesmo ou são os seus óculos que estão com este filtro? No trabalho com os adolescentes eu costumo propor uma brincadeira que dá cor aos óculos de determinados personagens. Eles adoram e esta brincadeira vai para as suas observações fora. Os óculos da vítima, do burro, do desajeitado, do rejeitado, do feio...

Esses óculos promovem cada dificuldade!

Pois esta semana eu me encontrei com as figuras de Maurits C. Escher (1898-1972). São ótimas, deram o que falar quando trabalhei com elas.

Maurits, em vários de seus quadros, desestrutura as leis da perspectiva, repete padrões, faz jogos espelhados, metamorfoses, combinações de formas côncavas e convexas, situações impossíveis, uma infinidade de opções de ver que vão fazer sentido dependendo do observador e do que se olha.

Mas, para nós aqui o que vale é pensarmos isso no nosso dia a dia, nas situações que vivemos, no que atribuímos às pessoas, etc...

Pois ao pensarmos que tudo pode ser visto de muitas formas, nós podemos usar a nossa criatividade para trocar a cor dos óculos que estamos usando para olhar algumas situações que passamos.

Aí uma situação que parecia tão difícil, penosa, sem sentido e até ridícula pode mostrar muitas surpresas.

E ATENÇÃO!!! Isto também vale para o inútil desejo de que o outro pense igual a você, pois se ele percebe diferente, como vai pensar, sentir e agir igual?!
 

5 de dezembro de 2012

Egberto Gismonti

5 de Dezembro é o aniversário de Egberto Gismonti Amin, este criativo e virtuoso músico brasileiro que se destacou pela capacidade lúdica da experimentação. Aqui vai uma homenagem à beleza e talento de suas composições.