28 de setembro de 2012

Não desista, pode dar certo

Estou muito feliz por poder acompanhar e dividir com vocês este relato de experiência e resgate. A Ester é uma vencedora! Com toda a dignidade que possa estar contida nesta qualidade e humildade que a nutre. Obrigada querida, por me eleger para estar ao teu lado.


























Não desista, pode dar certo

"Tenho aprendido muito nos últimos tempos. Quando paro para refletir, me dou conta do quanto a vida é generosa conosco, infelizmente nem sempre percebemos. Mas hoje, que aprendi a beleza da vida, gostaria de compartilhar com as pessoas um pouco da minha experiência.

Tive uma relação familiar complicada, como a maioria das pessoas da nossa sociedade. Pais repressores, com dificuldades internas bem grandes que refletiram na minha maneira de ser. Cresci com muitas mágoas da infância e da adolescência.
 
Aos trinta anos perdi a minha mãe. Foi como se tirassem o chão dos meus pés. Muito difícil, principalmente porque a minha relação com meu pai não era das melhores. Tínhamos dificuldades em nos entender e muitas vezes discutíamos bastante. Em determinado momento disse a ele como me sentia e o que as atitudes dele geraram em mim. Nos afastamos por um tempo.

Mas a vida é sábia, o tempo passou, eu amadureci e meu pai envelheceu. E com isso, vieram os problemas de saúde. Após um AVC meu pai ficou bem frágil, não pode mais caminhar. E aí, começou a nossa jornada de resgate. Cuidei dele nos últimos quatro anos e este foi um período de muitos aprendizados. Devido a nossa condição, ele foi morar em uma Clínica Geriátrica a fim de ter os cuidados necessários. Nos tornamos bons amigos. Aprendi a vê-lo com outros olhos e principalmente aprendi que o perdão realmente nos liberta.

Minha vida mudou muito durante o tempo em que cuidei dele. A rigidez, as exigências ficaram em segundo plano. Afinal, durante a doença era necessário interna-lo no hospital, e a cada internação, eu ficava com ele, uma vez que um acompanhante era imprescindível, devido as condições dele. E nestas idas e vindas, aprendi sobre solidariedade, doação, consideração pelo nosso semelhante.

Em muitos momentos, não só cuidada dele, mas cuidava de outros pacientes ou de seus familiares. Como cuidava? Sorrindo, sendo solidária, orando pelo bem maior de todos, ouvindo os medos dos familiares diante da doença que nos torna impotentes, seguindo o fluxo da vida e da morte independente da nossa vontade.

Durante este tempo recebi apoio e carinho de amigos, fiz novos amigos, reforcei os antigos. Nossa! Foi uma grande trajetória. E nos últimos tempos meu pai não conseguia mais falar pelo menos emitindo sons como nós. Ele falava com o olhar agradecido,com as mãos que seguravam as minhas, isso não tinha preço. Estava frágil como um bebê, mas me ensinando o tempo todo. A sabedoria da vida está aí, infelizmente foi preciso que ele ficasse doente para que nos aproximássemos e resgatássemos o amor de pai e filha.
Ele também ficou mais amigo de meu irmão.

Hoje fazem quase dois meses que ele partiu e me sinto em paz, plena. Espero que ele também esteja em paz. Só fica a saudade do bons momentos, das festas de aniversário com os outros vovôs e vovós, das festas de natal, dos dias dos pais. Muitas coisas foram feitas nestes quatro anos que permitiram todo um resgate e uma vivência muito plena, a descoberta do amor incondicional, sem fonteiras. Incondicional, porque aceita o outro da forma como ele se apresenta, com suas fragilidades e seu jeito. Sem fronteiras, porque independente de onde a pessoa esteja o amor permanece vivo em nosso coração e nas nossas lembranças.

Por isso, convido a quem ler este texto a tentar reformular seus conceitos, a acreditar mais na vida, abrindo a mente e o coração para enxergar o quanto somos auxiliados nos momentos de dificuldades, seja através de amigos, médicos, psicólogos, enfim.....

O que posso afirmar baseada na minha experiência é de quando nos dedicamos e queremos muito atingir a um objetivo, a vida nos permite e nos conduz para ele. Portanto, não desista diante das dificuldades, pelo contrário, procure aprender com elas.

Boa Sorte."


Maria Ester

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