29 de novembro de 2008

Os “óculos” nos relacionamentos



Márcia estava no bar com as amigas quando, lá no fundo, viu um homem que se destacava dos outros. Foi incrível, naquele exato momento seu coração disparou e ela não podia tirar os olhos dele. Ficou vermelha quando os olhares se encontraram e num misto de alegria e perturbação pensou: que olhos queridos, que jeito...ai...

O que está acontecendo aqui?

O inicio de uma teia interna que pode acabar definindo se este relacionamento ocorrerá ou não. Quando ela o viu, acionou alguma lembrança (consciente ou inconsciente), imediatamente foi inundada por sensações e sentimentos, logo surgiram pensamentos que, nesta estória, estimularam o seu comportamento.

Olhe só...

Eles ficaram trocando olhares, ela sentia prazer e ansiedade e lhe passavam pensamentos de todos os tipos. O desejo de falar com ele foi aumentando junto com a idéia de muitas possibilidades... Então ela se encheu de coragem, sorriu e passou a ter um comportamento que dava espaço para a aproximação e, como ele retribuía, ela experimentou de uma sensação maravilhosa por se sentir mais bonita e mais sedutora do que nunca.

Note que, dependendo de como Márcia se sentisse ou do tipo de pensamento que tivesse em relação a olhar dele, a respeito dos homens ou da sua atitude, ela se sentiria encorajada ou não para o passo seguinte. O seu encantamento inicial foi o primeiro estimulo, a sua possibilidade interna foi o seguinte, ela deu consentimento positivo para a seqüência do que poderá acontecer.

Márcia podia não saber o que a atraia naquele homem, mas foi movida por um conjunto de sensações, pelo seu desejo de estar com alguém e pela voz que lhe dizia: é este e, desta forma, permitiu-se olhá-lo com mais ousadia que o seu normal. Ela não sabia por que, mas agora estava tão confiante em si que, discretamente, estimulava cada vez mais a aproximação.

Depois de alguns minutos ele se aproximou e ela sentiu o seu perfume amadeirado e nossa, quase desmanchou.

Ele, apesar do sorriso e dos olhares que trocaram, teve que esquecer que justo hoje estava sem carro e que ele mesmo havia passado a sua camisa. Senta-se e, passando por cima da sua timidez, e do seu receio de um não, inicia uma conversa.

Márcia sente que sua voz está trêmula, mas que se encontrava em um estado de graça. E se alguém os olhassem de fora só notaria o tom romanceado da cena, jamais as inseguranças de ambos.

A estas alturas ela já acreditava que este seria um encontro único e a sua química interna trabalhava para que houvesse mais desejo, fazendo com que todo o seu ser fosse invadido por prazer.

Este exemplo nos mostra que para um relacionamento ter início e sequência, depende muito do universo interno dos envolvidos. O que nos estimula e nos possibilita ir adiante é a forma como “olhamos” as situações.

Vimos, também, como as coisas podem começar e como todo o nosso ser funciona integrado. Ou seja, não existe sentimento dissociado de pensamento... e tenha certeza que o seu comportamento vai ser impulsionado por estes.

Os estímulos iniciais aconteceram através da visão, dos cheiros, do som, os acionadores de químicas e substâncias especificas que vão gerar prazer ou desprazer, mas estes dependem das nossas lembranças... da nossa história, das experiências vividas.

Poder ser assim ou assada nos relacionamentos e nas investidas sexuais depende, muitas vezes, em rever os “óculos” com os quais nos vemos.

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