19 de agosto de 2008

O "eu" nos relacionamentos

“Nós” não existe, mas é composto de Eu e Tu;
é uma fronteira sempre móvel onde duas pessoas
se encontram. E quando há encontro, então
eu me transformo e tu também te transformas.
Frederick Perls

Algo interessante aconteceu no consultório ontem, o tema da maioria das discussões passou por: manter o “eu” nos encontros relacionais.

O assunto foi rodando por diferentes pontos - da interferência no “eu” no mais simples encontro até o mais intimo.

A partir disto, me ocorreu que ao encontrarmos uma pessoa a um contato inicial, onde cada um coloca o seu jeito de ser. Neste momento se está buscando uma sobreposição, ou seja, algo que deixe de ser do individual e passe a ser compartilhado ou em linguagem ou em interesses... busca-se troca...

Se a sobreposição ocorrer, se estabelece um encontro onde o “eu” e o “tu” vão dar lugar ao “nós” e aí tudo pode ser aprofundado ou não.

Mas é no processo, tanto de estabelecer como, mais tarde, de manter o encontro é que o “eu” e “tu” pode se perder.

Para algumas pessoas isto é tão complicado que no momento inicial já se estabelece uma tensão, para outras a questão está na intimidade.

O motivo? Podem ser muitos, necessidade de aceitação, de aprovação, medo de rejeição, etc. E, quando se trata de relações mais íntimas, retorno afetivo, necessidade de amor, medo da perda...

Calma, não é tão grave como pode estar parecendo! Em algum nível isto acontece com todos nós. Só é problema quando isto está ultrapassando a barreira da manutenção da tua autenticidade, ou seja, interferindo muito no teu jeito de ser, porque ser reconhecido e amado todo mundo quer.

Portanto há esperança... Os budistas dizem que tudo é questão de observar-se, a postura do observador de si.

Uma observadinha na tua forma de se relacionar e ser tu mesmo, deixando vir o que pra ti faz sentido.

Me parece, que os encontros onde o “nós” se estabelece a partir do “eu” e “tu” autênticos podem ser tão mais prazerosos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário